Um inquérito da YouGov, promovido pela CLEPA em cinco mercados europeus, indica que os consumidores continuam a considerar diferentes tecnologias de propulsão e mostram maior apoio a incentivos a soluções de baixas e zero emissões do que à proibição de tecnologias existentes
O estudo foi realizado junto de 5.221 adultos em França, Alemanha, Itália, Polónia e Espanha, países que, em conjunto, representam mais de 70% do mercado automóvel da União Europeia. O trabalho de campo decorreu entre 7 e 16 de julho de 2026 e os resultados foram ponderados para serem representativos da população adulta de cada país.
De acordo com os resultados, apenas 8% dos inquiridos, em média nos cinco mercados, indicaram um veículo elétrico a bateria (BEV) como opção para a próxima compra. Os híbridos (HEV) registaram uma intenção de compra superior à dos BEV em praticamente todos os mercados analisados. A exceção foi a Alemanha, onde os BEV chegaram aos 14%, face a 13% dos híbridos.
A sondagem mostra ainda que 47% dos participantes preferem que sejam incentivadas alternativas mais limpas em vez de serem proibidas tecnologias existentes. Outros 22% consideram que a União Europeia não deve intervir no mercado automóvel, enquanto 17% apoiam uma proibição direta de determinadas tecnologias.
“A investigação sugere que existe uma desconexão entre as decisões políticas tomadas em Bruxelas e a realidade dos cidadãos europeus”, afirmou Benjamin Krieger, secretário-geral da CLEPA. “Os cidadãos querem conduzir veículos mais limpos, incluindo os elétricos, mas proibir de facto os veículos híbridos e os movidos a combustíveis alternativos limita drasticamente as suas opções”, referiu.
“A próxima revisão das metas de CO2 representa uma oportunidade para adaptar o ritmo da transição a esta realidade e proporcionar à indústria a flexibilidade de que necessita, ao mesmo tempo que se oferece aos consumidores a possibilidade de escolher as tecnologias limpas que realmente desejam”, acrescentou.
A preparação para uma eletrificação total surge como outra das preocupações identificadas. Em média, 75% dos inquiridos consideraram que o respetivo país ainda não está preparado para esse cenário. Entre os principais obstáculos apontados estão a falta de infraestruturas de carregamento e o preço dos veículos, ambos referidos por 46%, seguindo-se os custos da energia, com 37%.
Espanha com maior apoio a incentivos
Em Espanha, os veículos híbridos e a gasolina registaram a maior intenção de compra, ambos com 24%, seguindo-se os híbridos plug-in e veículos de autonomia alargada (PHEV/EREV), com 17%. Os veículos a gasóleo chegaram aos 14% e os elétricos a bateria aos 8%.
Entre os cinco mercados analisados, Espanha apresentou o maior apoio ao incentivo de tecnologias mais limpas sem proibição das existentes, com 56% dos inquiridos a escolher esta opção. Apenas 21% apoiaram uma proibição, enquanto 13% defenderam que a União Europeia não deveria intervir no mercado automóvel.
Quanto à eletrificação total, 19% consideraram Espanha preparada, face a 75% que manifestaram a opinião contrária. A falta de infraestruturas de carregamento foi apontada como principal obstáculo por 56% dos participantes espanhóis, seguida da autonomia dos veículos, com 44%, e do preço, com 36%.
“Estes resultados realçam a importância de que as políticas públicas estejam alinhadas com as necessidades, expectativas e capacidade de adaptação dos cidadãos”, salientou Javier Pujol, presidente da SERNAUTO.

