Dentro dos sistemas chamados Run Flat (traduzida literalmente significa rodagem sem pressão) distinguem-se três famílias: os sistemas que permitem rodar sem pressão no interior do pneu; os produtos “autoselantes” incorporados no interior do pneu pelo fabricante; e os kits de emergência que permitem reparar pequenos furos e encher o pneu para prosseguir viagem
Os grandes fabricantes de pneus desenvolveram e introduziram sistemas Run Flat:
– DunlopDSST (Dunlop Self Supporting Technology);
– Goodyear RoF (RunOnFlat);
– Pirelli PTM (Pirelli Total Mobility);
– Michelin ZP (Zero Pressure);
– Continental (Self Supporting Runflat Tire) – SSR;
– Bridgestone RFT (Run Flat Tyre) – Pneu que roda vazio;
Nesse sentido tentaremos abordar as particularidades desta tecnologia introduzindo algumas caraterísticas das diferentes marcas.
Dados Importantes
• Média de furos na Europa – um em cada 5 anos/70.000 km;
• Em regiões com estradas melhoradas e cuidadas: um em cada 10 anos /150.000 km;
• Importante desenvolver uma tecnologia que possibilite uma utilização segura dos pneus nestas circunstâncias.
Porquê?
Os condutores assim o exigem:
– Segurança;
– Manter o controlo do veículo no caso de uma rápida perda de ar;
– Garantir a mobilidade para sair de uma zona de risco;
– Não ser necessário parar para substituir o pneu afetado em zonas de risco e colocar o “macaco” numa zona de risco;
– Economia;
– Proteção ambiental por exigir menos recursos.
Os fabricantes estão a trabalhar na investigação da mobilidade e segurança dos utilizadores. Por seu lado os construtores de veículos estão a trabalhar para suprimir a roda sobresselente dos seus veículos para ganhar: em custo, peso e espaço.
Atualmente todas as tecnologias Run Flat, só se podem aplicar a veículos que os equipem de origem, de série ou como opção, pois implicam adaptações no veículo (chassis, suspensão, sistema de monitorização da pressão dos pneus).
Tendências para melhorar a segurança na condução
• Cinto de segurança (de série desde os anos 70);
• ABS;
• Airbag;
• Condução com assistência ativa (Controlo de tração, ESP, etc.);
• Sistema de Controlo da Pressão dos Pneus (é uma opção disponível, tendência para aplicação generalizada);
• Tecnologia Run Flat;
O objectivo de todos estes sistemas é o de aumentar a segurança rodoviária e dos condutores e passageiros, quer por sistemas de segurança ativa, quer passiva.
DIFERENTES TECNOLOGIAS DE RUN FLAT
• RSC – Reinforced Sidewall Casing;
• Extended;
• BSR – Bridgestobe Suport Ring;
• Pax System;
• SEAL;
• Kits de Reparação.

Tipo de Construção RUN FLAT
Este tipo de tecnologia é caracterizado pelo reforço das suas paredes laterais que suportam o peso do veículo mesmo quando estes se encontram sem ar, podendo manter a sua circulação em determinadas condições. O pneu Run Flat apresenta-se visualmente como um pneu Standard. No entanto, a sua composição tem alterações específicas, que lhe conferem comportamentos muito diferentes, que veremos de seguida.
Um Pneu Run Flat não se deve montar em viaturas que não venham equipadas de origem com este sistema, nem em rodas standards, pois não estão reunidas todas as condições para que desempenhe a sua função.

O reforço dos flancos do pneu implica:
• Melhoria da resistência ao rolamento;
• Degradação do conforto vertical (os flancos absorvem menos irregularidades da estrada);
• Aumento da massa do pneu (de +20% a +30%).
Acidentes graves podem correr se:
• Utilizar o pneu Run Flat sem um dispositivo de aviso de perda de pressão e uma jante apropriada;
• O pneu Run Flat fica inoperacional após utilização a uma velocidade superior a 80 km/h numa distância superior a 80 km quando utilizado sem ar;
• Pode ser reparado de acordo com algumas condições.
Por isso mesmo, necessita:
• Umas jantes especiais com “Duplo Hump” (ressaltos na jante), mais altos que nas jantes standards para evitar a possível descolamento dos talões do pneu, ao rolar sem pressão (vazio) (denominação Eh2: Extended Hump).
• Uma adaptação do conjunto de suspensão (chassis, direção, suspensão, tirantes, eixos, amortecedores e molas…), já que o conjunto rolante é mais pesado;
• Mecanismos de controlo de pressão – Sistema Controlo Pressão Pneus (TPMS).
É obrigatório quando se utiliza um pneu Run Flat, o que permite informar o condutor em tempo real de um queda de pressão.
Pontos chave
Os pneus Run Flat têm que ser tratados com os mesmos cuidados dos pneus standard.
• Cada pneu deve ser utilizado com a pressão de enchimento recomendada.
• Devem ser utilizados nas condições para que foram concebidos.
• Pessoal sem experiência ou sem formação não deve montar pneus Run Flat.
• O equipamento e as ferramentas utilizadas devem ser manuseados corretamente.
• A armazenagem dos pneus deve ser efetuada de acordo com as normas habituais.
Não se pode equipar uma viatura misturando pneus standard com pneus Run Flat, quer seja num mesmo eixo ou em diferentes eixos.
Montagem
Devido à sua construção, nomeadamente à parede lateral reforçada, os pneus Run Flat são menos flexíveis que os pneus standard. Ainda assim, podem ser montados nas mesmas máquinas que montam os pneus de baixo perfil, não sendo necessários acessórios especificamente concebidos para esta tecnologia. Deve, contudo, ter-se especial cuidado quando o sensor de pressão está montado no interior da roda.
Para que se possa recomendar um determinado equipamento de montagem de pneus é necessário que este cumpra os seguintes requisitos:
• Não necessitar de aplicar pressão manual no talão do pneu;
• Todas as peças que entram em contacto com a jante devem ser revestidas (plástico);
• Todas as operações de montagem devem poder ser feitas por um só operador e especializado.

Outras tecnologias RUN FLAT
EXTENDED
Princípio do pneu Extended:
• Podem ser montados em jantes standard.
• Suporta peso após perda de ar idêntico ao Run Flat;
• Embora seja idêntico, distingue-se deste, pois tem uma autonomia mais limitada e necessita de um kit de reparação ou pneu suplente;
• Obrigatório a indicação “Extended” no flanco do pneu.

Os pneus Extended têm uma função Run Flat limitada, sendo necessário dispor de um pneu sobressalente ou de um kit de reparação temporário. O sistema TPMS é necessário para alertar o condutor em caso em caso de furo.
SEAL
A tecnologia “SEAL” é uma das mais recentes a chegar ao mercado:
• CONTINENTAL – ContiSeal;
• PIRELLI – Seal Inside;
• MICHELIN – Selfseal;
• GOODYEAR – Sealteck,
• BRIDGESTONE – Bseal;
Características
• Mobilidade assegurada.
• O pneu autoselante veda os furos causados por objetos perfurantes com diâmetro até 6 mm. Mesmo com o pneu furado mantêm-se a mobilidade. Não há necessidade de trocar de pneu.
• Para perfurações de diâmetro superior na banda de rolamento ou perfurações/cortes nos flancos obriga à substituição do pneu.
Outros
BSR
A montagem e desmontagem de pneus BSR na jante requerem técnica e maquinaria especializadas. Atualmente, apenas a máquina Corghi A-Master permite realizar estas operações, sendo necessária a utilização de uma técnica específica.
Até que os agentes disponham do equipamento adequado e dominem o procedimento, o pneu BSR deve ser comercializado apenas como conjunto, incluindo pneu, BSR, TPMS e jante.
A primeira geração do Toyota Rav4 foi equipada com um sistema TPMS direto, cuja inicialização requer equipamento específico sempre que é instalado um novo conjunto. Apenas os agentes Toyota podem efetuar a inicialização do TPMS.

MICHELIN PAX SYSTEM
Este sistema oferece:
• Maior estabilidade, graças aos flancos mais baixos.
• Mais segurança, o pneu não salta da jante, mesmo sem pressão, graças ao seu talão específico de acoplamento mecânico.
• Mais mobilidade, possibilidade de rodar sem pressão durante 200 km a 80 km/h, graças ao anel de suporte.
Marcações
• O pneu Pax System monta-se exclusivamente sobre uma roda específica Pax System.
• O Pax System deve levar imperativamente um suporte e um detetor de perda de pressão.
• Alguns sistemas de deteção necessitam de adotar algumas precauções na montagem e desmontagem do pneu.

