A Rede como parceiro estratégico da oficina

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Perante a pressão sobre as margens, a falta de profissionais, a digitalização e a crescente diversidade de clientes, estar integrado numa rede significa ter acesso a conhecimento, ferramentas e orientação. Mais do que uma marca, a rede tornou-se um parceiro essencial para melhorar a gestão, ganhar eficiência e preparar a oficina para os desafios do futuro

Para muitas oficinas, a rede funciona como uma verdadeira “mão protetora”, proporcionando infraestrutura, confiança, solidez, conhecimento, orientação e ferramentas para ganhar eficiência. Para o cliente final, traduz-se em transparência, compromisso e tranquilidade; para o cliente empresarial, acrescenta garantia, qualidade, capacidade de resposta e maior controlo dos custos.

Esta função ganha importância quando o cliente particular e o empresarial estão cada vez mais próximos. O crescimento

do renting e das frotas fragmenta o mercado e altera a relação entre condutor, proprietário e oficina. As redes têm de ajudar os seus membros a compreender onde estão e onde deverão estar nos próximos anos. Num setor condicionado pelas necessidades imediatas, cabe-lhes oferecer visão estratégica e um roteiro de longo prazo, preparando as oficinas para novas exigências.

Contributo para a profissionalização do setor

As oficinas demonstram elevada competência técnica, mas nem sempre o mesmo desenvolvimento na gestão, organização de processos ou visão empresarial. É nesses domínios que a rede acrescenta valor, através de formação, digitalização e apoio à decisão. Ao elevar os padrões dos seus membros, estimula também todo o mercado e obriga os restantes operadores a evoluir. A rentabilidade é um dos pontos centrais desta transformação. O aumento da faturação não significa um crescimento equivalente dos lucros. Trabalha-se muito mas as margens continuam pressionadas e a escassez de mão de obra limita a capacidade de resposta. Reparar mais não significa ganhar mais. A rentabilidade no pós-venda resulta da soma de muitos pequenos valores e exige informação rigorosa para perceber que trabalhos interessam, que recursos consomem e qual o retorno de cada cliente. A oficina precisa, por isso, de equilibrar volume, eficiência operacional e margem.

Mix de clientes exige gestão cuidada

Para uma rede, o cliente empresarial pode ser mais fácil de captar, graças à dimensão, cobertura e uniformidade de serviço que consegue oferecer. Contudo, é normalmente mais exigente e a sua rentabilidade varia consoante se trate de uma frota, seguradora, empresa de renting ou outro operador. Já o cliente particular, depois de conquistado e fidelizado, continua frequentemente a ser mais rentável. O futuro não passa por escolher um em detrimento do outro, mas por garantir a coexistência entre ambos, avaliando o contributo de cada segmento para o negócio. Neste cenário, digitalização e formação são pilares incontornáveis. A digitalização deve simplificar a reparação e a administração, facilitar a ligação a seguradoras, frotas e clientes empresariais e fornecer informação útil para a gestão. Cresce também a importância da rastreabilidade de cada componente que entra na oficina. A formação contínua é igualmente decisiva perante veículos mais complexos e a falta de profissionais qualificados.

Mentalidade de Rede

Nada disto funciona sem uma verdadeira “mentalidade de rede”. A oficina não pode encarar a insígnia apenas como uma marca ou um fornecedor de serviços. A relação deve ser entendida como uma parceria estratégica, na qual a rede apoia, forma, aconselha e antecipa necessidades, mas também exige evolução e compromisso. A oficina, por sua vez, tem de aderir com convicção, utilizar as ferramentas disponíveis e transformar esse apoio em resultados. Seja numa rede generalista, especializada em carroçaria ou numa franquia integrada, o objetivo é semelhante: criar oficinas mais preparadas, eficientes e sustentáveis. Na carroçaria, a relação com as seguradoras reforça a função da rede como facilitadora entre oficinas, seguradoras e frotas. Em todos os modelos permanece a mesma ideia: a rede deve proporcionar conhecimento, confiança e direção. Mais do que ajudar a reparar veículos, deve ajudar a construir um negócio rentável hoje e competitivo amanhã.

O presente artigo pode ser consultado na edição impressa ou online do Jornal das Oficinas nº230, aceda aqui.

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