“Não queremos que Portugal seja o ferro-velho da Europa”, Amílcar Nunes, EY

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A fiscalidade automóvel, a transformação do retalho e a renovação do parque circulante português estiveram entre os principais temas da primeira parte do Fórum ACAP AUTO’26, realizado hoje, na Fundação Oriente, em Lisboa

O Fórum ACAP AUTO’26 arrancou sob o mote “Conduzir o Futuro Automóvel”, reunindo representantes do setor automóvel, empresas e responsáveis ligados às áreas da mobilidade e da energia para discutir algumas das principais mudanças que estão a marcar a indústria.

Na abertura do encontro, Sérgio Ribeiro, presidente da ACAP, começou os trabalhos por abordar um dos principais temas que preocupam o setor atualmente: o envelhecimento do parque automóvel, que atualmente possui cerca de 1,6 milhões de veículos com mais de 20 anos. “Chegou o momento de prepararmos uma reforma adequada à realidade atual, que seja previsível para consumidores e empresas, e de modo a contribuir para as metas ambientais”, mencionou.

“Não queremos que Portugal seja o ferro-velho da Europa”, Amílcar Nunes, EY

Há vários anos que a ACAP defende a necessidade de rever a reforma fiscal realizada em 2007. Quase duas décadas depois, e num contexto de crescente eletrificação do setor e de novos desafios económicos, tecnológicos e ambientais, a Associação considera necessário repensar o atual modelo de fiscalidade automóvel.

Fiscalidade automóvel em análise

A pensar numa reforma da fiscalidade automóvel, foi apresentado um estudo desenvolvido pela EY para a ACAP. Amílcar Nunes, Partner de Indirect Tax da EY, e Catarina Balona, Senior Manager da Indirect Tax da EY, apresentaram as principais conclusões.

Entre os pontos apresentados estiveram a proposta de eliminação gradual do ISV, com 10% de redução anual acumulada até à sua eliminação total em 2035, bem como a atualização gradual do IUC com escalões e critérios ambientais equitativos.

“Não queremos que Portugal seja o ferro-velho da Europa”, Amílcar Nunes, EY

Adicionalmente, foi também referenciada a criação de políticas de incentivo ao abate diferenciado entre veículos elétricos e a combustão. Até porque, segundo referiu Amílcar Nunes, Partner de Indirect Tax da EY: “Não queremos que Portugal seja o ferro-velho da Europa, queremos medidas que incentivem à descarbonização que se antecipa que atinja a neutralidade carbónica até 2050.”

Retalho perante novos modelos de negócio

Na segunda parte da manhã seguiu-se o painel “Retalho Automóvel: um negócio em transformação”, moderado pela jornalista Liliana Carvalho. André Figueiredo, administrador da Rodda, Paulo Araújo, CEO da Caetano Retail Portugal e Espanha, e Eduardo Lupi, CEO da Santogal, analisaram temas como a atração e retenção de talento, automação, eletrificação, envelhecimento do parque automóvel e fiscalidade.

Numa reflexão a curto prazo, como resposta ao avanço das novas tecnologias e à escassez de novos talentos, André Figueiredo, administrador da Rodda, afirmou: “É um facto de que precisamos de pessoas, mas também temos de adaptar as que temos internamente às novas tendências e saber simplificar os processos.” Paulo Araújo, CEO da Caetano Retail, concordou e acrescentou: “Faz falta inserir novos perfis nas organizações, com abordagens diferentes que saibam utilizar a inteligência artificial para que os processos sejam cada vez mais eficientes.”

“Não queremos que Portugal seja o ferro-velho da Europa”, Amílcar Nunes, EY

Eletrificação obriga pós-venda a adaptar o negócio

Essa maior eficiência tem, porém, consequências diretas no pós-venda, onde a eletrificação reduz algumas das operações tradicionais de manutenção. Paulo Araújo reconheceu que “tendencialmente, a eletrificação levará a uma redução na assistência”, mas apontou também novas oportunidades: “O grande desafio está nas novas linhas de negócio, pneus, limpa para-brisas e outras atividades que têm escapado.”

Já Eduardo Lupi destacou a fidelização como uma das respostas a esta transformação. “O valor de reparação do elétrico é mais baixo do que o da combustão, mas a fidelidade é aquilo que difere”, afirmou. O CEO da Santogal chamou ainda a atenção para o impacto direto da eletrificação nas operações tradicionais do pós-venda. “Os carros elétricos não têm óleo, filtros, revisões. O pós-venda vai levar um corte”, referiu. Sobre a relação com os importadores, acrescentou: “Temos de fazer pressão sobre os importadores. Dão os problemas mais complexos e pagam menos do que um cliente que nos entra pela oficina.”

A renovação do parque automóvel português foi outro dos temas em destaque durante a manhã. Duarte Cordeiro, ex-ministro do Ambiente e da Ação Climática, defendeu a necessidade de uma resposta multissetorial, enquanto Vera Pinto Pereira, administradora da EDP, centrou a sua intervenção na importância do setor da energia para a descarbonização da indústria automóvel.

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