“Perseguimos a melhoria contínua”, Luís Almeida, Gerente da Japopeças

“Perseguimos a melhoria contínua”, Luís Almeida, Gerente da Japopeças

A Japopeças tem procurado sempre desenvolver-se em diversos domínios. Acompanhar a evolução existente nos meios digitais e ser comercialmente coerente com a sua posição maioritariamente grossista são dois deles.

Além disso, a Japopeças pretende consolidar a oferta premium e manter a excelência do serviço no segmento de mercado onde é especialista. Sempre estando proativa no estabelecimento de parcerias e tendo em vista o alargamento de gamas de produtos em que possa ser uma mais-valia para o mercado.

Que análise faz da situação atual do mercado de distribuição de peças em Portugal?

Consideramos o mercado maduro, muito competitivo, completo e em transformação, com uma dimensão limitada consonante com a reduzida extensão do território português. Maduro pela composição dos seus players, com dois perfis distintos. O primeiro, com décadas de existência e experiência, sendo estruturas que cresceram ao longo dos anos e projetos chegados, maioritariamente, na última década por iniciativa individual. Depois, pela iniciativa coletiva (nomeadamente os recentes grupos), que vieram trazer alterações significativas ao status quo do mercado. Competitivo no sentido em que a oferta atual é composta por um número de empresas muito expressivo, que disputam o mercado cuja dimensão é reduzida, criando forte pressão nas margens praticadas. Completo no sentido em que existe oferta disponível no mercado para todo o tipo de produtos, de todos os segmentos, tanto no componente preço como na qualidade. Em transformação, compreende mudanças significativas, inovação constante e dinamismo refletido na entrada de novos conceitos de negócio e entidades, novas parcerias e movimentos de concentração via fusões, aquisições e/ou associações, bem como a abertura do mercado a capital estrangeiro via grupos internacionais ou entrada em empresas portuguesas.

Qual a solução para resolver o “esmagamento” das margens de comercialização das peças?

Acreditamos que a diferenciação no serviço prestado e a constante aposta na qualidade dos produtos é a solução para responder à pressão no “esmagamento” das margens de comercialização. Desenvolvemos um elevado esforço para garantir rapidez de resposta disponibilidade de stock, rigor na identificação e fornecimento das peças, correto acompanhamento ao cliente pós-venda, constante inovação e introdução de novas referências e desenvolvimento de produto. A venda da peça é uma parte da cadeia de valor. Apostamos em garantir a máxima qualidade em todas as etapas do serviço prestado ao cliente.

As devoluções de peças são, neste momento, um dos maiores problemas. O que têm feito para minorizá-lo na vossa empresa?

Perentoriamente, é um dos maiores problemas dos distribuidores. Consideramos que é tempo de todos os intervenientes no mercado assumirem, sem rodeios, a dimensão deste problema e terem uma atitude ativa na resolução do mesmo. A logística inversa comporta custos operacionais significativos e introduz deficiências na reposição de stocks, que não devem nem podem ser negligenciados pela gestão das empresas. Consideramos imprescindível como ponto de partida a formação e consciencialização dos profissionais do setor. A passividade e permissividade com que o tema tem sido conduzido incentiva a ausência de rigor e perpetua o problema que tem vindo a agravar-se ao longo do tempo. Em janeiro de 2018, revimos inteiramente a nossa política de devoluções e garantias, no cumprimento estrito da legislação em vigor (para a qual existe um grande desconhecimento dos profissionais do setor) com a implementação de novos procedimentos, desde o pedido de devolução online para pré-análise terminando numa postura mais rigorosa na tomada de decisão, suportando o custo de impopularidade que as medidas adotadas mereceram. Por outro lado, a coerência, o rigor e a seriedade com que trabalhamos na venda assegura a credibilidade do trabalho que a Japopeças desenvolve em todas as etapas do seu serviço. Felizmente, contamos com a colaboração dos nossos clientes, colhendo, em alguns casos, o seu reconhecimento pelo nosso esforço em “remar contra a maré”.

Considera que os novos conceitos de mobilidade podem afetar a forma como o negócio da distribuição de peças irá funcionar no futuro?

Sim, historicamente a propriedade dos veículos era dos seus utilizadores, que assumiam um papel ativo nas decisões de reparação dos mesmos (onde, quando e como proceder às reparações). O surgimento de diversas plataformas de partilha, de aluguer e outras formas contratuais, permitem o usufruto do bem sem as responsabilidades inerentes à propriedade do mesmo. Nesta franja de mercado especialmente, as reparações destes veículos seguem uma lógica comercial diferente, alterando, significativamente, o negócio da distribuição de peças.

A atual cadeia (fabricante, grossista, retalhista e oficina) continua a fazer sentido no negócio da distribuição de peças atualmente?

Sim, pese embora o facto de o capital envolvido nos diferentes elos poder pertencer aos mesmos proprietários e/ou grupos económicos. As alterações observadas no mercado não esbatem a necessidade do grossista dispor de stock físico apropriado ao seu mercado, não exclui a necessidade desse stock se dispersar no retalhista que atende à necessidade imediata da sua zona geográfica dentro do mercado sendo mais próximo, experiente e conhecedor da realidade que o envolve e, no final, a oficina, que adquire as peças e valoriza a entrega imediata das mesmas minimizando o tempo de reparação e de entrega das viaturas. Concluindo: entendo que, fisicamente, continuarão a existir as quatro figuras enumeradas. Contudo, o grossista e retalhista assumem a linha mais ténue da cadeia e, em muitos casos, entidades diferentes são propriedade do mesmo grupo económico.

A tendência internacional no setor das peças é a concentração da atividade, que, inevitavelmente, irá também chegar a Portugal. A Japopeças está disponível para chegar a acordo com um grande distribuidor internacional?

Sim, naturalmente a concentração beneficia de economias de escala, facto observável há bastante tempo noutros setores de mercado: alimentar, vestuário e industrial, entre outros. O mercado português, na nossa área em particular, foi (e ainda é) significativamente constituído por PME de cariz familiar (nomeadamente a Japopeças), mais resistentes à dispersão do seu capital e à abertura ao exterior. Motivo que encontro para explicar que, só na última década, tenha acelerado o natural processo de concentração e ajustamento do mercado. A Japopeças tem parcerias com diversas entidades nacionais e internacionais, estando balizada num nicho de mercado com algumas especificidades. Esse caminho é já uma realidade presente e continuaremos dinâmicos no sentido de manter os parceiros atuais e desenvolver as parcerias que possam ser benéficas para ambas as partes.

Como se tem preparado a Japopeças para as mudanças que estão a acontecer no aftermarket?

A Japopeças tem procurado desenvolver-se em diversos domínios: acompanhar a evolução existente nos meios digitais, ser comercialmente coerente com a sua posição assumidamente grossista, consolidar a sua oferta premium e manter a excelência do serviço no segmento de mercado onde é especialista, estando proativa no estabelecimento de parcerias e no alargamento de gamas de produtos em que possa ser uma mais-valia para o mercado.

O que mais valorizam os clientes na Japopeças?

Unicamente, os clientes da Japopeças podem aferir com justiça o que mais valorizam. Contudo, elencamos a qualidade dos produtos das marcas premium representadas, a competência profissional na resposta às necessidades dos clientes, a idoneidade, o rigor e a seriedade com que trabalhamos, a disponibilidade de stock e o nosso esforço e dedicação na prestação do melhor serviço possível.

Como estão a conseguir fidelizar os clientes?

Cada vez mais, entendemos que a fidelização dos clientes (a existir) é sempre limitada no tempo, tendo de ser conquistada diariamente pelo esforço continuado em oferecer um serviço competente, rigoroso, dedicado e que crie valor para o cliente, apostando sempre na qualidade do produto, que é o pilar e a base da nossa oferta. Só assim poderemos continuar a figurar como o parceiro certo ao longo do tempo.

E a nível interno, como incentiva a sua equipa a melhorar?

Em 2016, demos um grande passo com a inauguração das instalações, providenciando melhores condições físicas de trabalho e investimos em ferramentas de trabalho, nomeadamente os meios digitais mais atuais do mercado. De igual forma, perseguimos a melhoria contínua nos processos, fazendo parte do nosso ADN nipónico. Procuramos imbuir toda a equipa de trabalho desse espírito para, juntos, superarmos os desafios presentes e futuros.

Quais foram as principais ações e eventos realizados pela Japopeças em 2019?

Destacamos a nossa presença no evento expoMECÂNICA 2019, que representa um certame de referência no nosso setor. A nível promocional, realizámos campanhas da qual destacamos a levada a cabo com a marca AISIN, em fevereiro. Temos protocolado desenvolver ações junto dos clientes no período de Natal e contamos com o Jornal das Oficinas enquanto media partner em 2019.

Notícias da mesma categoria

“Perseguimos a melhoria contínua”, Luís Almeida, Gerente da Japopeças

Do mesmo Autor: Bruno Castanheira

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com