Pintores de automóveis: porque faltam no mercado?

Pintores de automóveis: porque faltam no mercado?
João Calha, Key Account Manager & Training Center Leader da Axalta Coating Systems Portugal

Procura, existe. Entidades formadoras, também. Afinal, qual é o verdadeiro problema para a falta de pintores de automóveis no mercado?

Um dos temas atuais mais abordados na área da repintura automóvel é a falta de profissionais. Hoje, numa conversa com um gestor oficinal, é difícil o tema não vir para “cima da mesa”. Este é um problema real que as oficinas estão a enfrentar: querer crescer ou substituir um profissional e não encontrar oferta no mercado numa classe com uma média de idades cada vez mais elevada.

Por outro lado, também é um facto que existem, em Portugal, diversos centros de formação, públicos ou privados, com excelentes condições para ministrar cursos de repintura automóvel. No entanto, deparam-se com o problema de não conseguirem candidatos para esses cursos, mesmo sendo cursos gratuitos, alguns deles com bolsas de formação, e com dupla certificação (profissional e escolar). Ou seja, temos uma necessidade de profissionais no mercado, onde a procura supera largamente a oferta e, ao mesmo tempo, existem condições criadas para formar profissionais.

Se queremos um futuro do setor sustentado, será primordial tornar a profissão de pintor de automóveis atrativa

Mas, apesar da pintura ser uma arte, ser o “espelho” de uma reparação e ter profissionais cada vez mais bem pagos, isto não está, por si só, a ser suficiente para atrair jovens para esta nobre profissão. Então, porque há falta de pintores de automóveis? Na minha opinião, o problema reside na falta de reconhecimento da profissão. A repintura automóvel mudou muito nos últimos anos. Está tecnologicamente muito evoluída. Conta, agora, com ferramentas digitais para o desempenho das suas tarefas, faltando apenas ser valorizada. Esta valorização e reconhecimento do profissional é primordial num curto espaço de tempo e a responsabilidade é de todos. Fabricantes de produtos de pintura, centros de formação, imprensa da especialidade, associações do setor e oficinas têm de, cada um na sua área de intervenção, tomar consciência do problema e contribuir para a sua resolução.

Se queremos um futuro do setor sustentado, será primordial tornar a profissão de pintor de automóveis atrativa, não só pelo ordenado – que já é aliciante – mas, também, pela imagem e notoriedade – já que não é (ou não deveria ser) uma profissão suja e perigosa para a saúde. Ao mesmo tempo, deve ser dado o devido valor ao trabalho que mais reflete a qualidade de uma reparação/oficina. Temos de ser mais exigentes nas formações dos profissionais, nos acompanhamentos às oficinas, nos artigos técnicos, na imagem e organização das secções de pintura e na divulgação da atividade. Para o bem de um setor e de uma profissão nobre com futuro.

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Do mesmo Autor: webmasterwp

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