Inteligência Artificial: ascensão das máquinas

Inteligência Artificial: ascensão das máquinas

Já não restam dúvidas de que o rápido desenvolvimento da Inteligência Artificial (IA) irá alterar o modo como serão diagnosticados e reparados os veículos no futuro. Mas será que tal vai afetar de forma negativa ou positiva a oficina independente?

Estações de serviço, pagamento de portagens e até mesmo cadeias de fast food. As máquinas estão, aos poucos, a substituir a ação dos humanos, embora sejam estes que as criam. Os exemplos são inúmeros e chegam-nos de vários setores da sociedade.

O potencial da IA é quase ilimitado. E, certamente, vai muito para além daquilo que a maioria das pessoas imagina. A base passa por criar máquinas que integrem características dos sentidos humanos, tal como capacidade para interpretar e raciocinar. O “segredo” está na capacidade de assimilar o mundo à sua volta através da visão, som e tato para, depois, poder avaliar e interpretar essas informações transformando-as em ações.

A verdade é que a IA divide a opinião pública. Enquanto os protagonistas da tecnologia promovem os benefícios, os céticos, por seu turno, estão menos confiantes nas novas tecnologias e veem ameaças nos locais de trabalho. No entanto, muitos acreditam que a IA pode ser desenvolvida e implementada de forma a melhorar, consideravelmente, a vida dos cidadãos.

Eis dois exemplos elucidativos de IA que já fazem parte do dia a dia de muitas pessoas: Siri nos smartphones; Alexa nas residências. Por detrás dessa interface controlada por voz, encontra-se um hardware de computação substancial que tem acesso a elevadas quantidades de dados, analisando-os de forma poderosa.

Ameaça ou benefício?

No que à reparação de veículos na oficina diz respeito, será isto uma ameaça ou, pelo contrário, um benefício? Imagine-se uma oficina onde um dispositivo de IA comunica com o técnico perguntando “Como faço para testar o componente X, Y ou Z?” ou afirmando “Encomende a nova peça X, Y ou Z para o veículo com o seguinte VIN…”.

Com todo o interesse gerado em torno da IA, é natural que os negócios explorem as opções existentes. Mas aqueles que desejam implementar a tecnologia precisam de ter noção dos recursos e das limitações atuais desta. A IA está a atingir a maturidade em algumas áreas, como o reconhecimento de objetos em imagens, mas existe ainda trabalho a fazer para outras tarefas. Quem faz a pesquisa continua a desenvolver arquiteturas de “rede neural”, onde as bases de dados se tornam “autoaprendizagem”, mas isto ainda não está suficientemente maduro para ser totalmente implementado.

Assim sendo, o que trará, então, a implementação da IA ao setor automóvel? Não apenas a competência para permitir que sistemas automatizados e veículos autónomos funcionem corretamente como, também, a alteração na forma como o veículo é diagnosticado e reparado na oficina.

Há, também, alguma sobreposição entre estes dois elementos. Se olharmos para a possível implementação na oficina, existem bons e maus aspetos. À medida que o veículo se torna mais inteligente e mais capaz de se autodiagnosticar como parte das suas funções automatizadas, será, eventualmente, monitorizado remotamente quando estiver a ser conduzido, fruto da indicação direta de que ocorreu uma falha ou da capacidade de monitorização do sistema para prever quando ocorrerá uma falha ou seja necessária uma peça de substituição. O que ajuda bastante a identificar a falha e as peças necessárias antes de o veículo dar entrada na oficina.

Assim que o veículo estiver na oficina, as ferramentas de diagnóstico estarão aptas a proceder à identificação mais rápida da falha e ao método de reparação subsequente. Contudo, os anos de conhecimento e experiência anteriormente necessários ao técnico para organizar a sua atividade e colocá-la em marcha fazem agora parte da IA, permitindo que técnicos “novatos” se tornem especialistas.

Ferramenta poderosa

A IA já monitorizou milhares de modelos de veículos semelhantes e os seus problemas, sendo capaz de reconhecer padrões, que, por sua vez, se tornam previsões e conhecimento – em temos humanos “experiência”. Um dos principais fabricantes de ferramentas de diagnóstico já utiliza a IA e processa mais de mil milhões de atividades de reparação de veículos por mês. Os valiosos atributos humanos do conhecimento e da experiência são, agora, um produto eletrónico.

De forma mais positiva, a IA também pode resolver problemas que parecem difíceis ou impossíveis. Por exemplo, sinais 3D estão a utilizar a aprendizagem profunda da tecnologia de IA para estudar os sons produzidos pelo veículo. Quando é detetado um som diferente, pode identificar a fonte do problema – por vezes até mesmo antes de o cliente ou do técnico ter conhecimento que o problema existe.

Na realidade, estamos nos primeiros estágios de desenvolvimento da IA. Da mesma forma que os primeiros anos de uma criança são moldados por estímulos externos, como imagens, música, linguagem e interação humana, também a IA vai evoluindo e adaptando-se. O que acaba por ser positivo se tivermos tempo para moldar a IA numa direção positiva.

Para que a IA evolua de forma positiva, é preciso envolver a humanidade, o direito, a ética e a engenharia (técnica e social). Ninguém consegue prever aquilo que a IA se tornará no futuro, mas é necessário continuar a debater esta questão de modo a garantir que os humanos continuam a ter controlo total sobre as máquinas.

Notícias da mesma categoria

Inteligência Artificial: ascensão das máquinas

Do mesmo Autor: Bruno Castanheira

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com