“Digitalização é o caminho inevitável”, Bruno Pereira, LTintas

“Digitalização é o caminho inevitável”, Bruno Pereira, LTintas

A LTintas comemorou 40 anos de atividade ligados ao comércio de produtos para oficinas de colisão. Quatro décadas depois da sua fundação, a empresa da Margem Sul conta com cinco lojas: Feijó (sede), Laranjeiro, Almada, Beja e Évora.

De uma pequena estrutura, a LTintas evoluiu para uma equipa de 27 profissionais, altamente especializados na área da repintura automóvel. Bruno Pereira, gerente e filho do fundador, Eugénio Pereira, explica como a empresa atingiu o estatuto que, hoje, detém.

Como caracteriza a gama de produtos que comercializam?

Dispomos de toda a gama de produtos, equipamentos e consumíveis para oficinas de repintura automóvel. A nossa oferta de artigos conta com produtos de qualidade de gamas premium e artigos de segunda linha para fazer face às exigências do mercado em termos de preço. Todas as necessidades que uma oficina de repintura automóvel tem, nós damos resposta. Se não tivermos, vamos à procura para não deixar o cliente sem uma solução. No que diz respeito aos produtos de tintas e vernizes, comercializamos artigos de gama premium das marcas Spies Hecker e Syrox (esta como segunda linha), enquanto na nossa oferta non paint, comercializamos produtos 3M, Indasa, Festool, 1Z e U-POL.

Que apoio tem a LTintas dado aos clientes para que estes se mantenham atualizados com novos produtos e ferramentas?

Temos realizado workshops técnicos (a um ritmo de dois por ano) para os clientes de repintura automóvel, onde apresentamos todas as novidades em produtos e ferramentas, que identificámos como soluções que podem ajudar a melhorar a eficiência e rentabilidade no setor da colisão. Continuamos com o projeto de migrar todos os clientes para o novo software Phoenix, que é o novo programa online da Spies Hecker para a gestão de cores, gestão stock e controlo de obras na oficina. Temos vindo a substituir os computadores dos clientes por equipamentos mais atuais e com capacidade para ter o Phoenix a funcionar, pois, com este novo software e ligação através de Internet na paintbox, os clientes podem registar as obras e pesagens dos produtos, podendo ter a integração destes consumos debitados no software de gestão oficinal que dispõem, permitindo, assim, um controlo sobre os custos e rentabilidade dos produtos de pintura em cada uma das obras realizadas.

A LTintas comemorou 40 anos de atividade ligados ao comércio de produtos para oficinas de repintura. Que balanço faz deste percurso e como prevê que sejam os próximos anos?

O percurso na repintura automóvel começou nos inícios dos anos 80, com uma pequena loja situada no Laranjeiro, onde comercializávamos os produtos da marca Valentine para repintura automóvel. A forma de comercialização dos produtos foi-se alterando e passámos a ter comerciais que visitavam as oficinas, introduzindo este serviço de proximidade com as oficinas dos clientes. Nos anos 90, já com a Spies Hecker, estivemos no grupo da frente na introdução da linha de tinta aquosa nas oficinas da Margem Sul do Tejo. Durante estas décadas, fomos adicionando vários produtos non paint, equipamentos e soluções tecnológicas à nossa oferta, até termos, hoje, todo o portefólio necessário para responder às necessidades dos clientes de repintura automóvel. Hoje, 40 anos depois, contamos com cinco lojas, localizadas no Feijó (onde temos a sede da empresa), Laranjeiro, Almada, Beja e Évora. De uma pequena estrutura, evoluímos para uma equipa de 27 profissionais, altamente especializados no mercado da repintura automóvel, que, atualmente, é a área de negócio que mais cresce no nosso volume de vendas. No futuro, vai existir o desafio de aumento da concorrência e com oferta de produtos ainda mais agressiva, que vem criar novas oportunidades comerciais, onde teremos de demonstrar que a nossa forma de trabalhar e o nosso serviço podem fazer a diferença. Contamos com a nossa equipa de especialistas na área e os nossos parceiros para continuar a desenvolver a nossa atividade comercial e de assistência técnica junto dos clientes, ajudando-os a tirar partido da era digital que atravessamos, de modo a rentabilizar o seu negócio.

Como tem sido o desempenho das vossas lojas, nomeadamente as localizadas no Alentejo, em Évora e Beja?

Temos feito um esforço para dinamizar a região do Alentejo, com um crescimento sustentado na região de Évora e, em 2019, também na região de Beja. Em Évora, temos conseguido crescer, com aumento de negócio nos principais clientes e a conquista de novos. Na região de Beja, 2019 foi o melhor ano desde que começámos a trabalhar na região, com a dinamização da carteira de clientes existente. Esta região caracteriza-se por ter oficinas pequenas e com grandes distâncias entre si, o que aumenta muito o custo da visita comercial. Os objetivos de vendas no Alentejo estão a ser cumpridos e estamos confiantes que 2020 será um bom ano para a repintura automóvel no Alentejo.

Como analisa o mercado de repintura automóvel, em Portugal, na atualidade?

O mercado tem estado bastante ativo, com os principais fabricantes de tintas a colocarem em prática diversas iniciativas por forma a tentar ganhar quota com a conquista de clientes com peso na faturação. Outra situação que o mercado tem assistido, é a entrada de vários distribuidores na venda de produtos non paint, com a oferta de muitos produtos vindos de mercados mais baratos para entrarem com produtos de segundas linhas e com preços baixos junto das oficinas de colisão. O mercado está em mudança. Com as oficinas a adaptarem-se a produtos e processos mais rápidos, com menores períodos de imobilização das viaturas a reparar e com uma boa gestão oficinal, é possível melhorar os resultados em termos de eficiência e rentabilidade. A digitalização na secção de pintura, tem um papel importante na evolução do setor da colisão, pois permite que, com programas e equipamentos mais avançados, as oficinas possam ser mais rápidas e fiáveis na orçamentação, na cor e na rapidez de execução dos trabalhos de preparação e pintura.

A digitalização da secção de pintura é o maior desafio que as oficinas de colisão têm de enfrentar?

A digitalização é o caminho inevitável a seguir para as oficinas de colisão. Para isso, devem dispor de ligação à Internet em toda a área da colisão, para, assim, tirarem partido dos equipamentos informáticos e sem fios que vão auxiliar na orçamentação, na identificação da cor e no registo de dados nas obras realizadas. Quanto a ferramentas, umas das mais importantes é as oficinas de colisão disporem de um software de orçamentação a funcionar num dispositivo sem fios (tablet) para que possam estar junto da viatura e identificar todas as situações que devem constar no orçamento. Outra ferramenta que será importante, é ter um espectrofotómetro wi-fi para ler a cor da viatura, podendo, assim, registar no orçamento da viatura e enviar de imediato a cor para o programa de pesagem das cores, de modo a que esta possa ser feita pelo pintor.

A indústria de repintura automóvel tem necessidade de atrair novos talentos que possam acrescentar valor e novos conhecimentos ao setor. O que é que os fabricantes de tintas e os centros de formação podem fazer para atrair mais recursos humanos para a área da repintura automóvel?

A formação de novos talentos para a pintura é fundamental para colmatar a falta de profissionais que existe, atualmente, nesta área do mercado. É importante que os centros de formação e os principais fabricantes de tintas abram cursos para formar novos pintores. Mas para que exista interesse por parte de potenciais candidatos, será necessário apresentar e valorizar a profissão de pintor junto dos jovens que procuram uma saída profissional, mostrando como podem ser especialistas numa profissão que tem muita procura no presente e que será o futuro da reparação automóvel.

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Do mesmo Autor: João Vieira

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