“Para aumentar margens, é preciso ser inovador” Joaquim Candeias, bilstein group

“Para aumentar margens, é preciso ser inovador” Joaquim Candeias, bilstein group

Com 15 anos de presença em Portugal, o bilstein group tem plena consciência que as alterações tecnológicas e as mudanças do setor obrigam a adotar estratégias para manter uma posição de força.

Joaquim Candeias, administrador do “braço português” do grupo, acredita que, cada vez mais, o negócio das peças passará pela presença em plataformas digitais.

Que análise faz da situação atual do mercado da distribuição de peças em Portugal?

Apesar das mudanças que temos vindo a verificar, o mercado está estável. As grandes alterações a que assistimos estão relacionadas com a concentração do mercado, as fusões e aquisições que têm vindo a surgir e que leva a que intervenientes individuais no setor vão desaparecendo.

Nunca, como nos dias de hoje, foi tão importante que as empresas do setor estejam atentas às tendências e ao caminho que devem adotar. Mesmo as que têm sido geradoras de lucros consistentes ao longo dos anos, até porque a própria indústria automóvel está a passar por uma grande transformação.

Qual a solução para resolver o “esmagamento” das margens de comercialização de peças?

Falar em solução, poderá ser arriscado, uma vez que não acreditamos que exista uma solução simples e fácil de implementar e que cumpra o propósito de todos os intervenientes. No entanto, as margens só podem sofrer uma redução até certo ponto, dado que o negócio tem, obrigatoriamente, de ser rentável. Há um esforço muito grande por parte dos players para inverter esta tendência.

O mercado das peças em Portugal é, hoje, maduro e muito bem estruturado. Como tal, para aumentar margens é preciso ser-se inovador e fazer a diferença pelo serviço que se presta.  O nosso setor está em mutação e, a seu tempo, é provável que seja possível inverter esta situação.

Considera que os novos conceitos de mobilidade podem afetar a forma como o negócio da distribuição de peças irá funcionar no futuro?

Sim. E não só no setor automóvel. As novas soluções de mobilidade vão afetar outras indústrias e setores para além do automóvel e da distribuição de peças. Todos os intervenientes no nosso setor precisam de entender que o conceito de mobilidade vai mudar a sua realidade também.

É importante que entendam o seu papel neste novo mundo, de forma a garantirem a sua continuidade no setor. Esta mudança começa nos fabricantes de peças, que vão passar a usar ferramentas de telemática para saberem que peças devem produzir.

Mas este conceito vai afetar todos os envolvidos na cadeia de distribuição. É essencial que desenvolvam o relacionamento digital. A venda de peças vai alterar-se como consequência dos serviços que os fabricantes, distribuidores e oficinas prestam ao cliente.

Como se tem preparado o bilstein group para as mudanças que estão a acontecer no aftermarket?

O bilstein group tem plena consciência que, com as alterações tecnológicas e as mudanças que já sentimos e que vão continuar a surgir, tem de adotar estratégias para manter uma posição de força. Cada vez mais, o negócio das peças passa pela presença em plataformas digitais. E é por aqui que temos de traçar o caminho.

O que mais valorizam os clientes no bilstein group?

A relação que temos com os clientes é de parceria e de confiança. Os clientes sentem segurança nas nossas marcas e valorizam muito o tipo de serviço e a disponibilização de stock em Portugal, o que permite um fácil e rápido acesso aos produtos.

Essa confiança é sentida ao nível das encomendas feitas, seja via webshop ou telefone, porque sabem que contam da nossa parte com grande disponibilidade de stock e que recebem as encomendas a horas. A mudança para as novas instalações, no início de 2018, gerou, também, grandes mais-valias, essencialmente a nível logístico, uma vez que conseguimos aumentar, consideravelmente, o espaço de armazém e melhorar a nossa rotina.

Como estão a conseguir fidelizar os clientes numa altura em que a concorrência é cada vez maior?

O bilstein group, ao longo dos anos, tem vindo sempre a melhorar. A diversos níveis. É uma empresa que tem feito grandes investimentos a nível de recursos humanos, logísticos e procedimentos, de forma a manter uma posição de confiança e liderança e de conseguir satisfazer as necessidades do cliente.

Estamos em linha com as necessidades do mercado. Temos uma cadeia de distribuição muito bem estruturada e o que presenciamos por parte dos clientes é que estes reconhecem no bilstein group progresso e evolução constante.

Somos uma empresa 100% virada para o cliente. O nosso objetivo mais relevante é a satisfação do cliente, porque o sucesso do cliente é o sucesso do bilstein group. Desta forma, concebemos parcerias para uma cooperação a longo prazo, que se baseiam em benefícios mútuos e caracterizam-se por relações comerciais abertas e respeitosas com serviços fiáveis.

E a nível interno, como incentiva a sua equipa a melhorar?

A filosofia do bilstein group é “Juntos, somos fortes”. E, nesta medida, todas as atividades de negócio dentro do grupo baseiam-se em diretrizes, claramente, formuladas. Criamos a base para um ambiente familiar e excelentes condições de trabalho.

As novas instalações de que dispomos foram pensadas e projetadas ao pormenor tendo em conta o presente e visionando o futuro, de forma a podermos crescer. Nesta medida, e porque quem faz as empresas são as pessoas que nela trabalham, aquando da mudança para as novas instalações, as condições dos colaboradores foram um tema de máximo relevo.

Todos os colaboradores têm, hoje, melhores condições de trabalho, mais espaços de convívio e de refeições. O ambiente organizacional mudou e melhorou. Todos os anos, promovemos um evento não só interno, mas com as famílias, que é do agrado de todos. E promovemos, ao longo do ano, ações que levam a uma satisfação maior por parte de todos.

Exemplo disso, foram as novidades implementadas em 2019, que permitiram a todos os colaboradores usufruírem, mensalmente, de uma massagem no local de trabalho e em horário laboral, assim como participar em diversos workshops de diferentes temáticas: saúde mental, mindfulness, alimentação saudável, ginástica laboral, resiliência e otimismo, gestão de stress.

O bilstein group comemorou 15 anos de atividade em Portugal. Que balanço faz do caminho percorrido até agora?

O balanço destes 15 anos é extremamente positivo, dado que foram, todos eles, anos de crescimento. Este desenvolvimento é fruto das parcerias que estabelecemos, assim como da estratégia e posicionamento bem definido que foi criado e que, por sua vez, leva a índices de confiança muito elevados por parte dos nossos parceiros.

Nestes 15 anos, passámos de sucursal a subsidiária. No início, trabalhávamos apenas uma marca: Blue Print. Neste momento, trabalhamos três marcas: a febi na vertente car e truck, a SWAG e a Blue Print. Desenvolvemos uma área de pesquisa e desenvolvimento para diferentes mercados. Mudámos de instalações e construímos um edifício que nos permitiu crescer, quer em espaço de armazém, quer em recursos humanos.

As novas instalações permitiram ao grupo dar continuidade ao negócio a médio e longo prazos. A grande mais-valia foi a nível logístico, dado que se conseguiu aumentar, consideravelmente, o espaço de armazém. E permitiu melhorar a nossa performance, otimização de processos e maior disponibilidade de stock para os clientes. Foram 15 anos de conquista.

As peças para os veículos elétricos e híbridos já têm alguma representatividade nas vossas vendas?

Os veículos elétricos e híbridos não têm ainda uma grande expressão em Portugal. Neste sentido, as vendas de peças específicas para estes veículos não têm muita representatividade. Temos já na nossa gama peças exclusivas para elétricos e híbridos para diversos modelos.

No que se refere a peças partilhadas, tanto para elétricos ou híbridos e veículos a gasolina ou gasóleo, não temos ainda forma de medir se essas peças vendidas estão a ser, em grande parte, aplicadas em veículos híbridos ou elétricos.

As devoluções de peças são, neste momento, um dos maiores problemas dos distribuidores. O que tem feito para minorar este problema?

O excesso de devoluções de peças está em muito relacionado com a cultura e a atitude das oficinas, que, muitas vezes, adquirem peças sem planeamento e a mais do que um fornecedor e, a posteriori, devolvem as que não necessitam. Esta situação também leva a que, em alguns casos de peças mais específicas, o distribuidor fique com peças que nem fazem parte do seu portefólio.

Outra questão está relacionada com o estado das embalagens devolvidas, que, muitas vezes, não cumprem os requisitos e impossibilitam a devolução à marca. Neste âmbito, os distribuidores poderiam fazer sessões de esclarecimento de forma a explicar as regras para as devoluções, os prazos legais e os custos envolvidos, de forma a fomentar uma redução das mesmas.

Existem, também, as devoluções relacionadas com errada identificação de peças. Neste caso, falando do bilstein group, foi um dos temas fortes de 2019 o trabalho desenvolvido no rigor e precisão com o nosso catálogo partsfinder. Sempre que há uma situação pouco esclarecedora ou um erro é, de imediato, corrigido. É extremamente importante o rigor da informação no catálogo para uma correta dentificação de peças.

O bilstein group tem uma área dedicada apenas às devoluções e, obviamente, é um tema que exige trabalho e logística. Em traços gerais, tentamos não penalizar as devoluções. O interesse máximo das marcas é que sejam procuradas como primeira opção. Mas desde sempre que informamos e educamos os clientes o mais possível de forma a que se cumpram as regras de ambos os lados.

Quais foram as principais ações e eventos realizados pelo bilstein group em 2019?

Em 2019, foram realizados alguns eventos com clientes ao nível da formação e desenvolvimento de gama, nomeadamente ao nível das embraiagens. No segundo trimestre, levámos um grupo de 15 clientes a visitar as nossas instalações, na Alemanha, e a área de produção.

Foram, também, realizadas outras ações por parte da equipa de vendas e marketing, nomeadamente ao nível de visitas realizadas com a bilstein group van, a carrinha de apoio técnico e comercial. Os nossos clientes sabem, também, que estamos sempre disponíveis para apoiá-los em ações que sejam promovidas por eles.

A nível interno, realizámos, em junho, um grande evento para colaboradores e famílias, como é hábito no bilstein group, sendo que este foi um evento especial para todos dada a comemoração dos 15 anos em Portugal.

O bilstein group está no ranking dos 100 maiores players do mercado da distribuição de peças em Portugal. O que pretendem fazer para se manterem neste ranking?

O bilstein group é uma empresa com foco no mercado e nos clientes. A nossa cadeia de distribuição é estudada e planeada de forma cuidadosa e ponderada, de modo a conseguirmos servir e cumprir todas as exigências que nos são remetidas.

Pretendemos continuar a apresentar uma enorme capacidade de adaptação aos clientes, que, cada vez mais, são diversificados, assim como continuar a investir e a olhar para as necessidades dos distribuidores de forma a responder, de forma eficaz, a cada parceiro.

Trabalharemos afincadamente a diversos níveis e prosseguir com a garantia de qualidade dos nossos produtos, quer a nível interno, quer a nível de parceiros de produção. Certamente que mantendo o princípio de “Pensamento global e atitude regional”, continuaremos a manter uma posição de destaque no panorama nacional.

Quais as expectativas de volume de faturação para 2020? Considera que vai ser um ano positivo para a empresa?

A nossa expectativa é crescer face ao ano passado. Consideramos que, este ano, vai ser, com toda a certeza, um ano positivo para o bilstein group em Portugal e com crescimento, à semelhança dos anteriores.

E quais são as tendências futuras no setor grossista (e também retalhista) ao nível das peças em Portugal?

O mercado no nosso setor está a sofrer grandes alterações, nomeadamente ao nível das fusões e reestruturações que estão a acontecer. A tendência é que grandes players, com bom posicionamento e estrutura, continuem a crescer. E que os intervenientes com uma organização menos capacitada possam vir a desaparecer.

A grande solução para pequenas empresas pode passar pela fusão com outras entidades e através do estabelecimento de parcerias sólidas que lhes permitam crescer. Cada vez mais, há menor diferença entre grossistas e retalhistas, pois a cadeia de distribuição está a mudar e a quantidade de players individuais está a diminuir em Portugal.

Notícias da mesma categoria

João Vieira

Do mesmo Autor: João Vieira

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com