ACAP, AFIA, ANECRA e ARAN preocupadas com a crise imposta pelo coronavírus

ACAP, AFIA, ANECRA e ARAN preocupadas com a crise imposta pelo coronavírus

Em comunicado conjunto, as associações nacionais do setor mostram-se muito preocupadas com a grave crise que se vive desencadeada pelo coronavírus.

ACAP, AFIA, ANECRA e ARAN concordam com as medidas já tomadas pelo Governo de António Costa, mas exigem um plano de apoio específico para as empresas do setor, numa altura em que o Ministro das Finanças, Mário Centeno, já anunciou uma série de medidas que visam combater a crise sanitária e que o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, se prepara, ao que tudo indica, para decretar o Estado de Emergência.

A grave crise que o país atravessa e os tempos incertos em que vivemos, fruto da pandemia do coronavírus (Covid-19), irá ter os efeitos de uma guerra devastadora sem rosto e com inimigo invisível, com especial impacto na economia nacional.

O setor automóvel representa 19% do PIB, 25% das exportações de bens transacionáveis e emprega, diretamente, cerca de 200 mil pessoas. Por outro lado, em termos da União Europeia, Portugal é dos países em que as receitas fiscais geradas pelo setor automóvel maior peso têm no total das receitas fiscais do Estado, representando 21% do total dessas receitas.

O setor automóvel aprova as medidas que têm vindo a ser tomadas pelo Governo português, assim como as recomendações sanitárias para as empresas e trabalhadores, as quais estão a ser, rigorosamente, cumpridas.

As empresas, desde o início da crise do coronavírus, têm vindo a aplicar planos de contingência de modo a que, por um lado, possam proteger os seus colaboradores e, por outro, possam continuar a sua laboração de modo a que as consequências, em termos económicos, não sejam ainda mais negativas.

É de salientar que este é um setor composto por todo o tipo de empresas, desde as maiores exportadoras às pequenas, médias, e micro organizações, além de empresários em nome individual. Por outro lado, este tecido empresarial tem um cobertura alargada a todo o território nacional, sendo o maior empregador em muitas regiões do nosso país.

Associações juntas a uma só voz

É, neste sentido, que as associações signatárias ACAP, AFIA, ANECRA e ARAN, que representam as empresas de todas as áreas de atividade do setor automóvel, vêm alertar para a necessidade de, para além das medidas já tomadas pelo Governo, ser criado um plano específico de apoio ao setor automóvel. Medidas estas que permitirão às empresas não só atenuar esta crise, mas também, manter a sua competitividade após este período, logo que se verifique a retoma gradual da economia.

As associações signatárias, solicitam, assim, ao Governo que sejam tomadas medidas urgentes, que passam, entre outras, pela criação de uma linha de crédito específica para as empresas deste setor, o que não foi considerado, surpreendentemente, na apresentação de hoje efetuada por Mário Centeno.

ACAP (Associação Automóvel de Portugal), AFIA (Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel), ANECRA (Associação Nacional das Empresas do Comércio e da Reparação Automóvel) e ARAN (Associação Nacional do Ramo Automóvel) solicitam a alteração do regime de lay-off, de modo a permitir o acesso imediato a ele para as empresas que tenham tido uma quebra de faturação superior a 40% nos últimos 30 dias ou comparativamente com a do mês homólogo do ano anterior. E deveria, ainda, resultar claro deste regime a possibilidade de lay-off parcial e a alteração do regime de férias de modo a permitir, desde já, a sua marcação.

“Por outro lado, tal como aconteceu na recessão que vivemos em 2009, deverá ser implementado um plano de incentivo ao abate de veículos em fim de vida, com o objetivo de renovar o parque automóvel e permitir às empresas uma saída gradual da crise”, pode ler-se no comunicado conjunto enviado à nossa redação.

“Por fim, com a possível declaração do Estado de Emergência, pedimos que a atividade de prestação de serviços através de veículos de pronto-socorro e o setor de assistência e reparação automóvel sejam considerados essenciais, dado que são imprescindíveis para a manutenção da segurança dos cidadãos”, acrescenta o mesmo documento.

“Em Portugal, o setor automóvel está presente na nossa economia e na nossa sociedade há mais de um século e, desde sempre, assumiu o seu compromisso para com a sociedade, pelo que, neste momento particularmente difícil, iremos, também, contribuir para que esta pandemia seja ultrapassada rapidamente, esperando, da parte do Governo, a maior atenção para as propostas que apresentamos”, conclui a nota de imprensa.

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Do mesmo Autor: Bruno Castanheira

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