Vai ficar “quase” tudo bem

Vai ficar “quase” tudo bem

Há cerca de 42 anos, quando comecei como empregado numa loja de peças em Braga, o meu avô, que tinha um estabelecimento de peças para automóveis no Porto desde 1929, deu-me um conselho que ainda hoje é a minha máxima.

“Se queres, um dia, ter uma empresa de peças para automóveis, esforça-te para que nunca percas o crédito nos teus fornecedores. Eles serão sempre tão importantes como os teus clientes. Ambos serão os teus parceiros. Sem eles, não terás mercadoria a tempo e horas. Sem eles, não terás opções de escolha de compra. E, assim, não poderás ter os melhores produtos aos melhores preços”, disse-me.

Nesta inédita situação em que nos encontramos, que irá durar mais do que o que esperamos e que será pior para Portugal do que foi a Segunda Guerra Mundial, na qual o meu avô perdeu alguns dos seus fornecedores alemães e ingleses, temos de ser unidos. Vamos, obviamente, ser atingidos por uma crise sem precedentes, mas só unidos escaparemos ao pior.

Se não nos unirmos, se não ganharmos todos, vamos todos perder e ser derrotados

Quero, com isto, alertar que aproveitemos, desde já, algumas das ajudas do Estado. Façamos o possível e até mesmo o impossível para não quebrar a cadeia de confiança e de crédito existente no nosso ramo, pois isso desencadearia uma reação em cadeia e potenciaria prejuízos e até insolvências no setor onde desenvolvemos a nossa atividade.

Há quem goste da ideia e defenda que só os mais fortes sobrevirão. Pessoalmente, gosto mais da ideia de sobrevivermos todos, com um mínimo de “feridos de guerra”, mas sem baixas.

Os mais fortes terão capacidade para dar aqui e ali um apoio a alguns parceiros em dificuldade (mas não a muitos), pelo que, novamente, alerto para que todos nós, desde já, trabalhemos para garantir o apoio dos Bancos e do Estado, de forma a que todos os pagamentos entre players prossigam sem ser afetados.

A história diz-nos uma coisa muito simples: se não nos unirmos, se não ganharmos todos, vamos todos perder e ser derrotados. Vai ficar “quase” tudo bem.

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Do mesmo Autor: Bruno Castanheira

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