Ventos de mudança

Ventos de mudança

O modelo de negócio da venda e reparação automóvel está a passar por mudanças naturais de ajustamento a novas realidades tecnológicas, de custos e de rentabilidade

A diferença para fases semelhantes já vividas é a duração em que ocorrem, acontecendo, na atualidade, de forma mais acelerada, o que acentua o desafio colocado a gestores, quadros de direção e técnicos. Temos vindo a constatar a propensão que tem a distribuição automóvel ao ser protagonizada, tendencialmente, por grandes grupos, com representação multimarca. Esta é uma das formas de se conseguirem sinergias que se traduzam na otimização de custos, indispensável para se obter alguma rentabilidade global. Poderá, no entanto, não ser suficiente a médio prazo, o que implicará novas formas de servir o consumidor.

No âmbito da reparação automóvel, o mecânico tradicional está a ser substituído por técnicos com competências académicas nos domínios da mecânica e da eletrónica

A recente reestruturação da rede de concessionários da Renault, com o objetivo de cortar dois mil milhões de euros até 2024, poderá servir de referência para outras reestruturações de outras marcas ou grupos empresariais. Esta reestruturação baseia-se na transferência do modelo comercial tradicional para um modelo baseado em vendas online (fonte: https://observador.pt/2020/03/02/renault-vende-concessionarios-para-abracar-vendas-online/).

Esta trajetória surge como óbvia e sensata, uma vez que vai ao encontro das necessidades das empresas concessionárias e dos interesses dos consumidores, considerando que as plataformas online acrescentam múltiplas vantagens para o consumidor face ao concessionário convencional. A única limitação será a de não proporcionar a experiência da condução, pelo que terá de existir sempre uma entidade local com essa responsabilidade. No entanto, mesmo essa experiência poderá ser substituída por vídeos, cenários e avaliações realizados por especialistas independentes e de competência reconhecida.

No âmbito da reparação automóvel, as mudanças em curso também são evidentes. O mecânico tradicional está a ser substituído por técnicos com competências académicas nos domínios da mecânica e da eletrónica. Os custos de diagnóstico e intervenção num órgão são elevadíssimos, pelo que a intervenção tende a resumir-se ao diagnóstico eletrónico e à substituição do órgão em causa, sendo, em princípio, o custo e o tempo de reparação menores e o resultado final mais fiável.

O consumidor não iria compreender por que razão teria de pagar mais pela reparação de um componente, com garantia limitada, tendo como alternativa mais célere e barata a substituição. Este cenário poderá não ser, a priori, do agrado do consumidor, mas é incontornável para a continuidade do negócio da oficina. Esta tendência coloca uma responsabilidade acrescida ao fabricante, de criar as condições de recolha e recondicionamento, por razões relevantes, nomeadamente de ordem ambiental.

Os gestores devem, hoje, mais do nunca, estar atentos às novas tendências, interpretar os dados estatísticos de consumo e identificar as necessidades e expectativas dos consumidores. Com base nesse múltiplo conhecimento, deverão refletir sobre as suas organizações, os processos instituídos e implementar as mudanças que se impõem no seu marketing mix, com ênfase na componente de marketing de serviços.

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Do mesmo Autor: Bruno Castanheira

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