Baterias auto: à procura da carga máxima

Baterias auto: à procura da carga máxima

As baterias automóvel continuam a demonstrar enorme energia no competitivo mercado nacional. O Jornal das Oficinas foi ouvir o que pensam diversos players sobre o presente e o futuro deste setor.

O mercado nacional das baterias para automóveis tem sofrido, ao longo dos anos, períodos de “carga máxima” e outros com um pouco menos de “energia”.

A pandemia provocada pela Covid-19 que o país e o mundo enfrentam apanhou este setor numa fase dinâmica, com as marcas a apostarem forte na inovação e nos produtos destinados aos veículos equipados com sistema start&stop.

O Jornal das Oficinas foi ouvir o que pensam muitas marcas deste importante setor do aftermarket luso.

Na opinião das Auto Energia e Vipiemme, distribuídas pela Auto Duas e Quatro Rodas, o mercado “tem sofrido as evoluções que os próprios fabricantes de automóveis têm apresentado aos seus potenciais clientes com técnicas inovadoras. Há mercado para as chamadas baterias convencionais, cada vez mais baterias start&stop e baterias específicas, como as de apoio e outras”, revela. “Há espaço para todos os tipos de baterias, sendo que, num futuro não muito distante, as necessidades das baterias convencionais serão menores, fruto do desenvolvimento do parque automóvel, quer seja de ligeiros, pesados ou agrícolas”, explica.

Já o Grupo TRUSTAUTO, que representa, em exclusivo, a marca polaca AUTOPART, considera que se trata de um “mercado de venda com um crescimento estável, com a sua típica sazonalidade”, não tendo dúvidas de que a “bateria é um produto importante para as vendas”. Sobre o futuro, a mesma fonte acredita que o “aumento do parque circulante de veículos híbridos e elétricos será, naturalmente, uma oportunidade em termos de mercado de baterias, não da forma como o conhecemos, mas com necessidades de especialização e conhecimento bastante maiores”.

Já a Bosch, afirma que o mercado das baterias tem- -se “mostrado bastante relevante na manutenção dos veículos”. Apesar do seu “notório desenvolvimento, notamos que ainda existem fatores que condicionam a sua reposição, como as condições meteorológicas e a idade do parque automóvel em Portugal”, acrescenta o fabricante. Segundo explica, os veículos “híbridos e elétricos vão trazer novidades muito importantes para as baterias”. Porquê? “Este tipo de componentes é completamente diferente na tecnologia utilizada. Os veículos convencionais têm baterias de chumbo-ácido, os micro híbridos (start&stop) têm baterias com tecnologia AGM (Absorbent Glass Mat) ou EFB (Enhanced Flooded Batteries) para resistir aos múltiplos arranques/paragens e, por último, os veículos híbridos e elétricos precisam de baterias de hidretos metálicos de níquel e iões de lítio”, esclarece.

Segundo a Exide Technologies, o negócio corre “bem e continuará estável por mais alguns anos” devido à “idade do parque”, embora a mesma fonte reconheça que, em termos de preços, “continua a existir muita pressão”. Mais: “O cliente final prefere marcas de baterias instantaneamente reconhecidas e fiáveis. O facto de os veículos mais recentes serem, tecnicamente, mais evoluídos e com maior oferta, veio criar um desafio aos clientes para estes selecionarem o produto certo. Quando todos os blocos de baterias aparecem lado a lado, a marca é a única garantia real da qualidade interna. A Exide Technologies mantém a reputação das suas marcas.”, acrescenta o fabricante.

Por outro lado, a euroPARTNER, marca da rede de lojas de peças independentes com o mesmo nome dinamizada pela EuroMais, defende que o “atual” mercado se encontra numa “alta pressão” de preço. Com a agravante de “não ter em conta a qualidade de produto”. De tal maneira, que “qualquer distribuidor importa baterias com um único objetivo: conseguir o melhor preço do mercado. Mas como o preço não tem fim, começam novamente a surgir as marcas premium”, explica. A euroPARTNER acredita que “o grande desafio do mercado, no último meio século, é a comercialização de baterias para veículos equipados com sistema start&stop, com tecnologia AGM”.

“À semelhança do que é o aftermarket nacional, o mercado das baterias para automóveis, em Portugal, é maduro, contando com a presença dos principais players internacionais”, adianta fonte da Auto Delta, a empresa que dinamiza a marca (e a rede oficinal com o mesmo nome) CGA. “Na distribuição, verifica-se a presença de entidades especializadas neste tipo de produto, que se fazem valer da sua especificidade técnica para manter uma presença assinalável”, frisa. “Os players generalistas também apostam forte num produto que ganha cada vez maior importância no aftermarket”, reforça a Auto Delta, que não esconde a sua visão otimista do setor. E completa: “A necessidade de produtos de maior qualidade para responder às exigências elétricas dos veículos modernos e o combate, por parte dos fabricantes, à falsificação dos seus produtos, levam-nos a assumir que apenas as marcas que disponibilizam artigos de qualidade reconhecida terão um futuro sustentável no mercado”.

A Eurobaterias, empresa que distribui a marca Fulmen, também concorda que o mercado ainda se pauta “muito pelo preço e não pela qualidade”, diz. “As principais ameaças para empresas como a Eurobaterias, que ‘respiram’ baterias e vivem, exclusivamente, delas, é o constante estreitar de margem por parte de grandes empresas de distribuição automóvel, em que o negócio das baterias apenas serve para alcançar rappéis e números”, adianta a mesma fonte, que continua, ainda assim, a acreditar que o futuro do mercado será “risonho”.

Já a Soarauto, que distribui a Midac, assegura que o mercado “se encontra totalmente satisfeito pelos grandes distribuidores exclusivos de baterias e por todas as empresas de retalho aftermarket em geral”, diz. “Pela tipologia do produto e pela margem reduzida, o importador fica em desvantagem caso não faça venda direta ao cliente final”, explica a Soarauto, que acredita existirem “demasiadas marcas no mercado português, sendo o fabricante o mesmo e rotulando à medida do cliente, acabando por confundir o setor”. Frisando que “a oportunidade passa por estarmos ligados a um fabricante de qualidade e de tecnologia de fabrico inovadora”.

Por seu turno, a AleCarPeças, que distribui a marca Open Parts, da Exo Automotive, destaca que, no nosso país, “a gama da OP será otimizada com base na frota nacional de automóveis específica, selecionando os modelos e especificações mais necessários”. E acrescenta: “Acreditamos que o futuro da bateria de arranque, em Portugal, se baseará a nível duplo: um para obter uma bateria com melhor densidade de carga para veículos novos, Diesel e gasolina, micro e híbridos suaves; outra para implementação das de estado sólido para veículos elétricos”, explica.

Já a Rodapeças, distribuidor da PADOR, refere que “existe excesso de oferta de produto no mercado, o que leva a uma depreciação dos preços. Produtos premium chegam ao mercado com preços muito baixos, o que gera confusão na opção do consumidor final relativamente ao valor da marca”, afirma. E antecipa o cenário: “Com a crise forte que se vislumbra, irá existir uma redução na venda de viaturas novas, um aumento da tendência em manter a viatura atual em circulação e um aumento do prazo médio de abate de viaturas. O que equivale a dizer que o mercado de reposição poderá crescer nos próximos meses”.

Na mesma linha de raciocínio, a TRW Automotive Portugal, responsável pela marca Lucas, descreve o mercado de baterias como “saturado”, incluindo “marcas próprias e ‘brancas’, onde a constante flutuação da cotação do chumbo faz com que os preços sejam muito voláteis”. A maior ameaça ao mercado destas baterias tradicionais? “A eletrificação em curso do parque automóvel, pois os veículos elétricos utilizam outro tipo de baterias e não necessitam das tradicionais baterias de chumbo-ácido, mas sim de baterias à base de iões de lítio”, acrescenta.

“Temos um mercado muito maduro, com um nível de oferta muito alargado, onde, resumidamente, coabitam muitas marcas de baterias, mas relativamente poucos fabricantes OEM”, realça fonte da KRAUTLI Portugal, que distribui a marca Yuasa no canal automóvel (veículos ligeiros e pesados). “Verifica-se ainda uma elevada presença de marcas privadas, sendo que, alguns operadores, para tornar o seu produto competitivo, falseiam os valores nas etiquetas das baterias. Estas práticas estão, obviamente, a desaparecer devido aos elevados requisitos elétricos e tecnológicos dos veículos, o que torna o mercado mais profissional e sensível à qualidade do produto em causa”, acrescenta. Afirmando que “devido a gerar volumes de faturação muito interessantes, incentiva muitos operadores à sua comercialização. Todavia, a bateria não é uma peça convencional. É, sim, um produto químico e muito complexo. Logo, carece de um nível de conhecimento e tratamento diferenciado dos restantes componentes do automóvel”, explica fonte da KRAUTLI Portugal. O futuro? “O setor tem muitas abordagens e teorias quanto ao futuro das baterias, designadamente a eletrificação e as células de hidrogénio, entre outras. Contudo, a indústria automóvel continua na constante procura da evolução em termos de tecnologia de baterias. O derradeiro objetivo consiste em inventar uma bateria capaz de armazenar grandes quantidades de energia elétrica, mas que exija um período de tempo relativamente curto para a sua recarga completa”, refere.

A Polibaterias, distribuidor da marca italiana FIAMM (e da EUROCELL), também considera que o mercado é “competitivo, em que a oferta, neste momento, supera largamente a procura por parte dos principais retalhistas e instaladores, onde se assiste, muitas vezes, à presença de operadores sem quaisquer bases técnicas e de duvidosa postura comercial”, adianta. “No entanto, é um mercado que está muito dependente das capacidades económicas do nosso país. Daí que ainda se baseie muito nas chamadas linhas brancas, onde proliferam e nascem marcas quase diariamente”, alerta a Polibaterias.

Pelo mesmo diapasão afina a RedeInnov, que dispõe da marca InnovParts. “É um mercado bastante concorrencial, inundado de ofertas, algumas mesmo duvidosas, sem nenhum controlo por parte de qualquer tipo de entidade, permitindo que qualquer um afirme o que entender sobre a performance das baterias que comercializa”, acusa. “Há poucos fabricantes de baterias com dimensão mundial que garantam a qualidade e a estabilidade da oferta necessária para estar no mercado, de forma séria, durante muitos anos. A RedeInnov só aposta em baterias de qualidade original. A nossa marca própria, InnovParts, é, exclusivamente, fabricada pela Exide Technologies e tem a sua qualidade comprovada. Os resultados obtidos demonstram que as oficinas valorizam, cada vez mais, a qualidade e a consistência da oferta em detrimento de baterias a preços inferiores, que acabam por sair mais caras tendo em conta a insatisfação dos clientes”, explica.

A Create Business, que distribui a marca Indieparts, assina por baixo a opinião acima transcrita. E defende que, no caso específico da sua marca, a oportunidade passa por “entrar num novo segmento de mercado”. As ameaças? “Aparecimento de novos concorrentes com produtos semelhantes e preços competitivos, fazendo com que o segmento das baterias para automóveis se torne menos atraente para potencial desenvolvimento de negócio”, reconhece. Ainda assim, “nos próximos tempos, será um mercado de grande volume de negócio, onde a Create Business quer estar presente nos segmentos “better” e “best” com as marcas IndieParts, VARTA e Bosch”, enfatiza o distribuidor.

Também as empresas MCoutinho Peças e AZ Auto, que distribuem a marca MÄKTIG, dão conta da competitividade do setor. “Falamos de um mercado saturado de players, onde as marcas com mais nome continuam a ter aceitação sem o mercado levantar questões. Esta ‘superpopulação’ de baterias, no mercado português, leva a que, muitas vezes, a maior fatia seja alcançada através do preço mais baixo. Essa procura faz com que exista uma diminuição da qualidade do produto, o que vai afetar o utilizador final, abalando a sua confiança na marca ou no prestador do serviço. É, por isso, importante que tanto retalhistas como oficinas apostem em produtos de qualidade”, defendem, a uma só voz, MCoutinho Peças e AZ Auto.

A Magneti Marelli, distribuída em Portugal pela Bombóleo, acredita que o mercado de baterias “exige tanto a solução de problemas para os clientes como as solicitações de competitividade e rentabilidade”. E defende a teoria de que a “oportunidade para as marcas de primeira qualidade é o poder de remover uma ampla gama de soluções para um parque mais antigo, oferecendo soluções de muitos concorrentes e uma grande relação de preço, como para o parque mais inovador, como a gama mais apropriada e que assegura rentabilidade”, destaca. Para a marca italiana, o mais importante é o futuro, “tanto do fabricante como do componente fabricado, em conjunto com o projeto do produto”.

A Autozitânia, que distribui a marca Nostop, adianta que a “tecnologia da bateria tem vindo a sofrer alterações para se adaptar às novas necessidades dos automóveis”. E vai mais longe: “As marcas que melhor acompanharem esta evolução, estarão, certamente, melhor posicionadas para conquistar mercado. O custo de produção pode vir a afetar, negativamente, o preço final destas novas baterias, podendo levar a que o mesmo para o aftermarket fique perigosamente próximo do preço OE”, diz. “O futuro deste mercado estará cada vez mais condicionado pelas tendências dos fabricantes de automóveis na questão das motorizações dos modelos lançados. Soluções de combustão interna, soluções híbridas ou soluções 100% elétricas vão moldar o futuro das baterias no automóvel”, adverte a Autozitânia.

Na visão da Atlantic Parts, que dispõe da marca RecOficial, existe “um número crescente e diversificado de marcas no mercado, com índices de qualidade igualmente distintos”. Por isso, a empresa “escolheu posicionar-se no nível de qualidade superior, em que as baterias dispõem de uma durabilidade de ciclos maior. Baterias com bons índices de potência de arranque a frio, boa fiabilidade e robustez e com maior resistência aos ciclos de descarga são sinónimo de garantia e confiança. E confiança é a palavra chave no nosso negócio”, reforça a Atlantic Parts. Sobre o futuro do mercado, a empresa está convicta de que “continuará competitivo e continuará a existir espaço para todos os players”, diz. “Até porque a bateria é um elemento elétrico vital que, independentemente da sua tecnologia, equipa todos os automóveis”, conclui.

A TAB Spain, que dispõe da TAB Batteries, não discorda. “É um mercado muito competitivo, devido à grande oferta de casas, que atendem um cliente de proximidade de cada vez. Mas competem com grandes empresas, que dispõem da sua própria rede em todo o país”, refere. Ao olhar para o horizonte, a TAB Spain vê um mercado português na mesma linha do europeu: “Mais profissional e preparado para um parque automóvel mais sofisticado e para um consumidor mais exigente”, sublinha.

Por fim, a Clarios, fabricante da marca VARTA, também caracteriza o mercado luso de baterias como “muito dinâmico e competitivo”. Mais: “É muito maduro na lista completa de distribuição de papéis determinantes e cada vez tem menos diferenças em relação a outros países”. E remata: “O mercado de baterias EFB e AGM está a movimentar-se a um ritmo muito elevado. Cada vez mais, o mercado procura baterias específicas, tendência que seguirá em alta durante os próximos anos”.

Pode ler o artigo completo na edição de maio de 2020 do Jornal das Oficinas

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João Vieira

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