Feiras: dor em 2020, recuperação à vista para 2021

Feiras: dor em 2020, recuperação à vista para 2021O impacto do novo coronavírus na vida dos cidadãos implicou uma mudança radical em termos de comportamento. Tem sido dramático. A sociedade viu-se tomada pelo medo, que é a doença mais contagiosa que se pode imaginar. Faz, por vezes, o vírus parecer “um menino”. E, contra isso, não existe uma fortaleza imune. Apanhou-nos a todos de surpresa.

São poucas as áreas da sociedade que não saíram afetadas pela crise que vivemos. Os eventos são um dos setores económicos em que a pandemia está a ter consequências mais imediatas, com grandes mudanças a nível de calendarização, com iniciativas adiadas e canceladas. Preparávamos a 7.ª edição da expoMECÂNICA quando nos vimos obrigados a adiar, uma e outra vez, a data da sua realização. A decisão resultou num avultado prejuízo, mas foi tomada de forma ponderada, de acordo com o interesse do setor e tendo a segurança como prioridade. Em paralelo, o novo coronavírus funcionou como um gatilho para acelerar tendências, que foram impulsionadas pela crise: o crescimento das experiências e relações virtuais. Assim, há eventos que já se tornaram digitais. O que a pandemia nos ensinou, é que há benefícios com o uso do streaming, a colaboração online e, isso, acelerará o recurso a estas tecnologias.

Há algo sobre a natureza pessoal de ir a uma feira que um Webinar não pode replicar. Muitas vezes, a parte mais importante do evento são as conversas informais realizadas nos corredores, no almoço ou apenas a tomar um café

Porém, enquanto pequenas reuniões para um punhado de pessoas geograficamente dispersas poderão estar comprometidas, as feiras atendem a uma necessidade diferente. As feiras são “táteis” e oferecem oportunidades que, simplesmente, não podem ser reproduzidas eletronicamente, mesmo no mundo da realidade virtual. Qualquer pessoa que tenha estado numa feira, num festival ou num jogo de futebol, conhece a emoção visceral de participar num evento ao vivo. Há algo sobre a natureza pessoal de ir a uma feira que um Webinar não pode replicar. Muitas vezes, a parte mais importante do evento são as conversas informais realizadas nos corredores, no almoço ou apenas a tomar um café. As feiras são fontes de geração de negócios para toda a economia, o que representa criação de receita, de empregos e, isso, não vai parar. A curto prazo, enfrentaremos uma redução de investimentos, mas não de participação. Confiamos que, quando esta crise terminar, as feiras serão uma ferramenta chave para reativar a economia.

Primeiro e depois do tempo vivido em distanciamento social, as empresas precisarão de encontrar-se cara a cara com os clientes e recuperar a proximidade pessoal perdida para realizar, num curtíssimo espaço de tempo, um volume de contactos e negócios que nenhum outro meio proporciona. Por outro lado, a confiança (fundamental para fechar negócios, ainda mais em épocas de crises, nas quais ninguém quer correr riscos) que a empresa irá transmitir aos clientes, mostrando que está firme e que a crise não foi capaz de derrubá-la. Quando se retomarem as feiras, as empresas estarão com as finanças debilitadas e ávidas por gerar receitas. Portanto, foque-se nisso. Não encha o seu stand de produtos que não representem oportunidades imediatas. Pense em vender. Foque-se em vender. Aja para vender.

Agir para vender significa ter o produto certo para o momento do cliente, com as condições comerciais ideais para o atual momento. A vida, como a conhecemos, está a mudar. Os beijinhos ou o aperto de mão podem perder-se a favor das cotoveladas de saudação. Não sabemos e esperemos que não, pois a vida é sobre pessoas, sobre relações, sobre encarar o outro nos olhos. E, isso, esperemos que nunca mude, pelo bem da humanidade. No meio de tantas ambiguidades e incertezas, desejamos a todos uma terrível contaminação por “coragemvírus”.

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João Vieira

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