A crise da Covid-19 vai reforçar ainda mais as marcas premium

A crise da Covid-19  vai reforçar ainda mais  as marcas <em>premium</em>

O clima no aftermarket nacional – e em todo o mundo – é de grande “incerteza”, reconhece Ricardo Caldas, sales manager para Portugal da DAYCO, em entrevista ao Jornal das Oficinas. Mas o diretor comercial acredita que, nesta crise pandémica, transversal a todos os setores de atividade, o pós-venda automóvel “não será dos mais endividados”.

É possível fazer já um balanço da sua atividade enquanto sales manager para Portugal da DAYCO? 
No meu primeiro ano comercial completo na DAYCO, fizemos o melhor resultado de sempre da marca em Portugal, o que, por si só, não é nada de especial. Não podemos esquecer-nos que 2018/2019 pode ter sido o melhor período do aftermarket em Portugal por alguns anos, mas se pensarmos que foi preciso dar uma enorme volta na distribuição em Portugal, sim, é um bom resultado.

A pandemia atingiu em cheio o aftermarket. Tal obrigou a DAYCO a mudar alguma estratégia pensada para antes da crise?
A pandemia não atingiu em cheio apenas o aftermarket. Atingiu em cheio o mundo inteiro. E todas as suas atividades económicas. Todas as medidas que podiam ter sido tomadas, foram-no no início, com uma capacidade de reação notável por parte da companhia, o que me leva a acreditar que estamos bem preparados para o que poderá vir a seguir.

Como descreveria, atualmente, o mercado português?
Até há dois meses, conseguia dizer como estava o mercado português. Hoje, já não consigo. Há uma incerteza enorme. Tenho muitas dúvidas que alguém saiba. A capacidade atual e futura das empresas, grandes ou pequenas, dependerá muito do nível de exposição que cada player tem, hoje, na banca e nos clientes. E, isso, só o tempo dirá. De qualquer forma, confio totalmente no nosso mercado. Não acho que o aftermarket português se encontre tão endividado como outros setores de atividade.

Pouco depois de assumir funções, disse que tinha como objetivo aproximar-se, cada vez mais, das oficinas. Pensa que será esse o caminho entre o fabricante e a oficina? Qual o papel dos grossistas?
O cliente final é a oficina. O decisor de compra e de aplicação é a oficina. As oficinas têm feito esse percurso muito bem, aderindo às redes, que continuam a crescer e a proliferar. É um caminho irreversível de procura de apoio e de conhecimento, que são os fabricantes que têm. Por outro lado, os grossistas, hoje, já não são grossistas, mas grossistas/retalhistas.

A formação ministrada pelo próprio fabricante assume um papel essencial para as oficinas?
Sem dúvida. Uma das coisas que fizemos nos últimos meses e que, do meu ponto de vista, foi o mais importante, foram as várias dezenas de horas de formação que demos junto das oficinas em todo o país. O feedback que tenho é excelente, a formação é técnica e prática. Todos os mecânicos têm gostado muito da formação técnica da DAYCO.

Como está a rede de distribuição em Portugal? Como era antes da pandemia e como está a superar a crise?
A rede de distribuição é a adequada. Nesta altura, temos os melhores clientes e distribuidores em Portugal. Naturalmente, nestes últimos dois meses, com um abrandamento do negócio.

A DAYCO está presente nos setores de ligeiros e pesados. Qual destes tem mais expressão para a empresa? E qual o que se encontra mais saudável no mercado nacional?
Este é um dos fatores críticos de sucesso da DAYCO. Presença e know-how em equipamento original em ligeiros e pesados. Proporcionalmente, o volume de ligeiros é maior do que o de pesados. São dois mercados distintos, mas o princípio de gestão é o mesmo. Mas a DAYCO é líder mundial no fabrico de componentes de distribuição de potência, com uma excelente quota de mercado original em ligeiros e pesados.

A DAYCO tem investido muito na área digital. Pensa que os seus parceiros, tanto a distribuição, como as oficinas, estão preparados para esta evolução em curso acelerado?
Cada vez mais, todos nos encontramos mais sensíveis e mais abertos ao mundo digital. Naturalmente que o aftermarket e as oficinas também. O digital assume, hoje, prioridade de investimento na generalidade dos negócios.

O que podemos esperar da empresa, em Portugal, nos próximos tempos?
Os clientes da DAYCO podem esperar confiança, trabalho, apoio, qualidade de produto e dedicação. Somos um especialista em distribuição, fabricamos o que vendemos e essa é a nossa grande linha de orientação.

Diria que os tempos correm a favor das marcas premium? Ou crises como a atual podem convidar mais a optar por outro tipo de produtos?
O nosso mercado é de marcas premium e muito bem. Acho que esta crise vai reforçar isso ainda mais. As marcas premium têm, hoje, uma relação qualidade/preço imbatível e esse continuará a ser o melhor caminho para o aftermarket.

Como encara a DAYCO o futuro, nomeadamente a questão dos veículos elétricos, partilhados e conectados?
A DAYCO está na linha da frente, a nível mundial, a desenvolver com os construtores de motores e de unidades de potência, componentes de transmissão para veículos híbridos, com um potencial ainda maior de negócio para todos, na cadeia de distribuição DAYCO. Este tipo de veículos será o que vai crescer significativamente na Europa nos próximos 10 anos. Por isso, é a nossa prioridade. Pensarmos, hoje, num prazo maior do que este, é futurologia e pode não ser uma visão realista.

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João Vieira

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