As 12 causas ASER – agosto, mês da embraiagem

As 12 causas ASER – agosto, mês da embraiagem

Embora a procura por carros automáticos tenha crescido, as caixas de velocidades manuais ainda são as mais vendidas. Com transmissão manual ou automática, os veículos precisam de um elemento que permita transmitir ou interromper o movimento entre o motor e a caixa de velocidades, ou entre o motor e as rodas, em determinados momentos, como quando mudamos de marcha.

Enquanto num veículo automático esta tarefa recai sobre o conversor de torque e é realizada sem intervenção direta do motorista, num veículo manual ela recai sobre a embraiagem, que é controlada diretamente pelo motorista acionando o pedal correspondente.

Mas o número de veículos que equipam transmissões semiautomáticas ou pilotadas também tem crescido nos últimos anos em que, embora o pedal da embraiagem desapareça e isso possa nos levar a pensar que o mecanismo da embraiagem também desaparece (como numa caixa automática), na realidade, o que é «automatizado» é a ação do motorista sobre o sistema de embraiagem e este continua existindo como um elemento de conexão / desconexão entre o motor e a caixa de velocidades, mas com um sistema de acionamento mais complexo em que o pedal é substituído e o cabo da embraiagem por um sistema eletrónico e hidráulico que automatiza a ação do motorista.

Que elementos compõem o sistema de embraiagem?
Volante – Fixado à cambota, gira nas mesmas rotações do motor ao qual está acoplado e do qual recebe o movimento. Os veículos mais modernos integram a substituição dessa parte “rígida” pelo chamado “Volante Dual Mass”, que tanto tem dado para falar nos últimos anos.

Prato de pressão – Aparafusado ao volante, gira sempre junto com ele. Também é frequentemente chamado de cubo de embraiagem. No seu interior é constituído por uma placa denominada “diafragma” que funciona como uma mola, comprimindo e libertando o disco da embraiagem e fazendo com que o movimento entre o motor e a caixa de velocidades seja transmitido ou interrompido dependendo da sua posição. É a parte que “pressiona” o disco da embraiagem contra o volante para que haja transmissão do movimento, desde que não pisemos no pedal da embraiagem. O diafragma tem a forma de um chapéu chinês, de modo que em certo sentido exerce pressão e, se invertermos sua conicidade, graças à ação de empurrar do rolamento, ele o libera.

Disco de embraiagem – É um disco com duas faces revestidas por um material de fricção semelhante ao das pastilhas de travão. É acoplado ao eixo primário da caixa de engrenagens graças a uma ranhura. Ele gira em solidariedade com as duas partes anteriores, volante e cubo, quando soltamos o pedal da embraiagem, ou se solta quando pisamos no pedal.

Mecanismo de acionamento – O rolamento da embraiagem repousa no diafragma e é a parte que empurra as suas lâminas para liberar ou pressionar o disco. Este rolamento é montado sobre um garfo, que é aquele que movimentamos ao pisar no pedal da embraiagem, seja por meio de um sistema hidráulico ou por cabo. Quando o pedal da embraiagem está totalmente solto, não há muito desgaste ou esforço, o problema é quando pisamos totalmente no pedal e, principalmente, quando pisamos na metade, pois o disco desliza contra o volante e o cubo, que produz alta temperatura e desgaste, prejudicando também as pistas dos mancais de escora e as pontas do diafragma (isso acontece, por exemplo, quando sempre colocamos o pé no pedal da embraiagem).

Do volante, o movimento do motor vem e é transmitido para o disco de embraiagem, graças à pressão exercida pelo cubo da embraiagem e, a partir daqui, através da ranhura do eixo primário da caixa de velocidades para a caixa engrenagens e rodas. Quando pisamos no pedal, o rolamento empurra o diafragma do cubo e faz com que ele liberte a pressão que exerce no disco da embraiagem, interrompendo assim a transmissão do movimento.

Existem maus hábitos que fazem com que a embraiagem tenha uma vida anormalmente curta. Quando pressionamos totalmente o pedal e o disco desengata do mecanismo de pressão, o mancal de impulso está usando muita força e desgasta-se, mas o que mais danifica a embraiagem é quando pisamos no pedal até metade ou colocamos os pés no pedal.

Alguns maus hábitos que encurtam a vioda útil da embraiagem:
– Pé esquerdo apoiado no pedal – Isso causa forte desgaste do disco e do rolamento de impulso. O pé esquerdo nunca deve estar apoiado no pedal, exceto quando estamos mudando de marcha ou manobrando.
– Cortar a embraiagem – Devemos evitar acelerar demais o motor enquanto pressiona o pedal. Se o motor está a rodar a 4.000 rpm e as rodas praticamente paradas, estamos a sujeitar o mecanismo da embraiagem a um desgaste 4 vezes maior do que se o motor estivesse a 1.000 rpm.
– Não use o ponto morto quando parado – Outro mau hábito é estar num semáforo com a primeira marcha engatada e a embraiagem totalmente pressionada até que fique verde. O correto é colocar o neutro e soltar o pedal.

A embraiagem geralmente nunca está incluída na garantia do carro. Uma embraiagem nova e perfeita pode ser destruída completamente em apenas 5 minutos se não a usarmos corretamente. Ao evitar alguns erros, prolongaremos sua vida útil.

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João Vieira

Do mesmo Autor: João Vieira

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