O copo meio-cheio do pós-venda

O copo meio-cheio do pós-vendaA primeira é muito humana, mas muito pouco construtiva. Trata-se de ver o copo meio-vazio. O medo da incerteza apodera-se de nós, bloqueamos, não fazemos nada para dar a volta, adiamos a tomada de decisões e entramos na queixa permanente.

A segunda forma é muito mais construtiva, vendo o copo meio cheio, pois permite-nos crescer como pessoas e como profissionais. Em tempos de crise, tudo se desestabiliza, mas podemos propor novas situações e cenários. Vamos olhar neste momento para a mudança como uma oportunidade real de melhoria e progresso. No meu caso, gosto de ver o copo meio cheio e procuro oportunidades de mudança e crescimento. Se analisarmos a situação que vivemos com a COVID, podemos concluir que somos um setor privilegiado. Podemos olhar para o setor de hotelaria, turismo, aeronáutica, venda de automóveis… E o setor pós-venda é um dos menos prejudicados. Após semanas sem atividade, esperávamos que a quilometragem anual caísse entre 15% e 20%. No entanto, essa diminuição na quilometragem não será tão drástica devido a:

l O uso do carro particular, que foi incentivado pelo Governo como um meio de transporte mais seguro para evitar a propagação do Covid-19.
l As revisões pendentes para as inspeções periódicas que estavam acumuladas e as respetivas manutenções que contribuem para o aumento da atividade.
l O aumento da atividade nas oficinas devido à chegada de muitos veículos que estiveram totalmente parados durante as semanas de confinamento.
l A diminuição mais do que previsível de matrículas, ocasionando um maior número de entradas nas oficinas independentes.
l O aumento das viagens internas durante o verão.

Gosto de ver o copo meio cheio e procuro oportunidades de mudança e crescimento. Se analisarmos a situação que vivemos com a covid, podemos concluir que somos um setor privilegiado

Todos esses aspetos fizeram com que, nos meses de junho, julho, agosto e setembro, tenhamos um aumento de vendas em relação ao ano anterior de cerca 15%. Por que damos apenas os dados acumulados de queda quando tivemos dois meses com a atividade encerrada? Porque gostamos de ver o copo meio vazio. E a recuperação após o confinamento não é uma realidade? Bem, digamos também o crescimento acumulado dos últimos quatro meses.

A crise ainda não acabou e continuamos com grandes incertezas? Claro, e também com grandes oportunidades.
Nesse aspeto temos que aproveitar o momento, temos que aprender com o que aconteceu e procurar a mudança. Assim, gostaria de compartilhar várias reflexões destes meses de confinamento e COVID.

A nível pessoal
l Temos que querer mais e sentir-nos amados.
l Temos que aprender a parar, pensar e valorizar o que é importante.
l Temos que valorizar as pequenas coisas e os pequenos detalhes.
l Temos que aprender a viver e ser felizes com os outros.
l Temos que reclamar menos e fazer mais.

A nível profissional
l Temos que construir empresas com uma situação financeira saudável e com força suficiente para enfrentar tempos difíceis.
l Temos que acelerar a transformação digital.
l Temos que procurar novas linhas e oportunidades de negócios.
l Temos que colocar foco, foco e foco no cliente.
l Temos que estar atentos aos “ladrões” da liquidez e rentabilidade que são nosso stock, serviço e margens.
l Temos que evitar a erosão dos PVP’s e não vender por preço. Quem vende por preço, morre por preço.
l Temos que compreender que as empresas são feitas por pessoas.

A COVID, a pandemia ou a crise está a fazer com que a mudança estrutural que a economia estava enfrentando devido à transformação digital se acelere de forma vertiginosa. É hora de acelerar e fazer acontecer essas mudanças nas nossas empresas, pois este setor deve ser gerador de empregos, riquezas e motor da economia. Quero transmitir esta mensagem positiva para nós pararmos e pensarmos sobre todas essas pequenas coisas que no final são as que realmente importam. Perante esta situação, temos que esquecer de ver o copo meio vazio e quando olhamos para trás possamos perguntar: Tenho participado ativamente da mudança? l

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João Vieira

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