“Conseguimos manter a tradição familiar da empresa”, Pedro Lebre, Motorbus

“Conseguimos manter a tradição familiar da empresa”, Pedro Lebre, Motorbus

Este ano a Motorbus comemora o 25º aniversário e a Revista dos Pneus entrevistou Pedro Lebre para fazer o balanço destas duas décadas e meia de atividade sempre ligadas ao comércio de peças para veículos pesados.

Ao longo de 25 anos já foram algumas as datas com um significado importante na vida da empresa. Sem dúvida que a mudança de instalações para a Zona Industrial de Canelas em 2006, foi uma delas, porque permitiu alargar horizontes e ganhar um dinamismo diferente. Assim como o alargamento destas mesmas instalações, em 2008 e 2013. Outra data importante foi a criação da filial em Castanheira do Ribatejo, porque apesar de já cobrir a zona sul anteriormente, o facto de ter uma loja e um armazém solidificou o estatuto de empresa de dimensão nacional.

Contando atualmente com 30 colaboradores e uma carteira de 1.500 clientes, a Motorbus dispõe de uma área de armazenagem (Vila Nova de Gaia e Castanheira do Ribatejo) de 5200 m2 e mais de 45.000 referências em stock.

Que balanço faz destes 25 anos de atividade da Motorbus?
Foram vinte e cinco anos extremamente positivos em que conseguimos evoluir de uma forma sustentada, mas mantendo sempre a tradição familiar da empresa.

O que os clientes mais valorizam na Motorbus?
Sem dúvida a disponibilidade de stock, em conjunto com o profissionalismo da nossa equipa e a facilidade de entregar a peça em tempo recorde.

Como estão a conseguir fidelizar os vossos clientes numa altura em que a concorrência é cada vez maior?
A concorrência é sempre saudável. Neste mercado sempre soubemos lidar com a concorrência. É importante ter uma concorrência forte para nos obrigar a ser cada vez melhores e competitivos.

 Vão continuar a aumentar o vosso portfólio de marcas?
Não estão previstas novas adições, porque achamos que já temos as melhores marcas. No entanto, não fechamos portas a produtos que possam enriquecer o nosso portfólio, desde que devidamente enquadrados na qualidade que propomos aos nossos clientes. A última marca a ser incorporada foi a OSRAM.

Passaram a dispor de pneus e jantes no vosso portfólio. Considera que são produtos com potencial de crescimento?
É uma área de negócio que queríamos ter no nosso portfólio, porque queremos disponibilizar tudo que uma viatura pesada necessita, mas não é primordial para nós. No sentido que é um produto muito específico, com players especializados no produto.

Os equipamentos de diagnóstico são fundamentais para o bom desempenho das oficinas e a Motorbus já comercializa uma marca de referência. Que importância têm estes equipamentos na atualidade?
É uma área em crescimento e com cada vez maior importância para os nossos clientes. A parceria com a Jaltest foi e é importante, pela experiência e conhecimento numa área também nova para nós. Neste momento, temos um profissional com a formação dada pela Jaltest e dedicado a fazer a apresentação do produto a potenciais novos clientes.

Recentemente adicionaram mais um número de WhatsApp. Considera que estas novas ferramentas digitais contribuem para o desenvolvimento do negócio?
Sem dúvida. Não esquecendo como é óbvio os canais tradicionais, mas tendo uma casa aberta e tendo um publico tão diversificado como o nosso, temos que estar atento a todas as novas formas de comunicar e chegar ao cliente.

As devoluções de peças são um problema para a Motorbus, ou têm a situação controlada?
As devoluções são uma consequência inevitável da comercialização de peças. A nossa intenção é sempre que todos os clientes fiquem satisfeitos a 100%, mas sabemos que isso é utópico. Tentamos sim, reduzir ao máximo a percentagem de devoluções.

A Motorbus tem realizado ações de formação para clientes e colaboradores? Vai apostar nesta área da formação?
Todos os anos, em parceria com os nossos fornecedores, realizamos uma ou duas formações no mínimo. Este ano, pelas razões conhecidas, não o fizemos e não deveremos fazer.

E a nível da comunicação, como tem evoluído o diálogo com os clientes e comunicação social?
A comunicação de uma forma geral está em constante evolução. As formas de chegar aos clientes são hoje em dia variadas e sempre em inovação. Temos que estar atentos a todas elas e conseguir avaliar aquelas que se adequam melhor ao nosso publico.

Considera que a Motorbus já é uma empresa digitalizada?
Já temos alguns processos digitalizados, mas ainda teremos que dar alguns passos para podermos classificarmo-nos como tal. Grande parte da documentação interna e mesmo alguma parte da faturação já é feito de forma digitalizada. Recentemente criamos uma plataforma digital de apoio aos comerciais de forma a terem acesso ao ERP da empresa e assim oferecer ao cliente uma resposta mais rápida. Esta iniciativa servirá também de teste para no futuro este serviço ser disponibilizado diretamente ao cliente e assim facilitar a comunicação, eliminando papelada e burocracia, permitindo também o acesso rápido ao histórico de cada cliente.

Quais os benefícios da digitalização?
No nosso caso, e por ser um problema que nos debatemos, é o aumento do espaço físico disponível. Mas claro que, a redução de custos, eliminação de burocracias e a facilidade de acesso à informação são vantagens a ter em conta na digitalização e cada vez mais importantes.

Qual é o vosso compromisso com os clientes?
O nosso compromisso continua assente na nossa política de qualidade onde se destacam três pilares: dedicação, qualidade e profissionalismo.

Que impacto a pandemia está a ter na atividade da Motorbus?
À exceção dos meses de Abril e Maio, o ano 2020 tem sido positivo.

Que medidas tomaram para manter a atividade em segurança para os vossos funcionários e clientes?
A Motorbus manteve-se sempre em funcionamento, no entanto tomamos algumas medidas. Numa primeira fase, implementamos o teletrabalho a todos os funcionários que era possível, reduzimos o número de funcionários no armazém e balcão através de um sistema de rotatividade e restringimos o acesso ao interior da loja, atendendo os clientes à porta da loja. Incentivamos o contacto através de telefone ou outros meios que não o presencial, criando para o efeito uma nova linha de telefone whatsapp.

Numa fase posterior, e com o desconfinamento geral, abrimos o acesso ao interior da loja mas limitado a 3 pessoas de cada vez mas sem acesso direto ao balcão.

De resto, todas as medidas gerais aplicadas a espaços abertos ao público foram naturalmente aplicadas por nós. (distanciamento social, uso obrigatório de máscara, recomendação de uso de álcool gel, etc,)

O que mudou na Motorbus com a pandemia Covid 19?
Tal como para todos nós de uma forma geral, mudou a forma de relacionamento com os clientes, fornecedores e mesmo entre nós (empresa). O contacto direto deixou de ser possível. O futuro é ainda uma incógnita. Esta situação irá manter-se muito mais tempo?! Tempo suficiente para alterar definitivamente a nossa forma de nos relacionarmos?! Ou voltaremos à situação anterior?! Tudo questões para as quais não temos respostas.

O setor tem vindo a sofrer uma transformação a vários níveis: modelo de distribuição, acesso a informação, consolidação de clientes e entrada de grupos de compra. Que análise faz da situação atual do mercado de distribuição de peças para pesados em Portugal?
A Motorbus já foi, por diversas vezes, “assediada” a entrar em grupos de compras, inclusivamente para formar. No entanto, o mercado de peças para pesados em Portugal ainda carece de muita informação a esse respeito. Somos cépticos quanto às vantagens que os grupos possam oferecer.

 Que solução para resolver o “esmagamento” das margens de comercialização das peças?
Este problema é cada vez mais frequente devido ao aparecimento de novos players e novas estratégias. A nossa forma de estar no mercado possibilita-nos todos os dias “reinventar” o que nos permite manter a rentabilidade.

A atual cadeia (fabricante, grossista, retalhista e oficina) continua a fazer sentido no negócio da distribuição de peças para pesados? Considera que vai manter-se ou vai haver alterações?
Penso que uma das nossas maiores apetências é sem dúvida respeitar todos os níveis na distribuição e saber distingui-los entre eles.

O parque circulante envelhecido (média de 14,7 anos)  é uma oportunidade de negócio para o aftermarket?
A média tem sido praticamente a mesma nos últimos anos, não tendo impacto nos nossos números. Temos que estar atentos e acompanhar a evolução destes dados.

 Disponibilizar serviços mais económicos ajustados à idade das viaturas, são uma opção. Oferecer linha de peças recondicionadas ou low coast?
Julgamos que no sector de pesados é precisamente ao contrário. Temos de oferecer o produto com qualidade.

Quanto vale o negócio de peças para veículos pesados em Portugal?
Segundo a nossa ideia, o valor de mercado são 100 milhões de Euros.

 E em termos de oficinas, qual o volume de negócio que o pós-venda de pesados gere para as oficinas?
Não possuímos informação precisa sobre esses números. No caso da Motorbus a oficina representa 25% da nossa clientela.

Considera que os profissionais que trabalham nas oficinas de pesados têm bons conhecimentos técnicos ou há falta de pessoal especializado?
Existe muita falta de conhecimento técnico, no entanto essa “falha” é cada vez menor devido às ações de formação de todos os players. Sem dúvida que é uma grande vantagem para uma oficina, a formação dos seus funcionários.

Quais são as perspetivas de volume de faturação para 2020? Considera que vai ser um ano positivo para a Motorbus?
A nossa perspetiva é sem dúvida continuar a crescer a dois dígitos, no entanto este ano não será fácil devido à questão COVID.

 

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João Vieira

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