Baterias Tudor completam 100 anos

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São 100 anos de atividade em Portugal. Um marco que não pode passar despercebido e que merece comemoração. Amílcar Nascimento, key account e marketing manager da Exide em Portugal explica tudo nesta conversa com o Jornal das Oficinas.

Amílcar Nascimento já é um velho conhecido no Jornal das Oficinas. São muito anos na Exide Tudor Portugal, mais propriamente 32, e para ele este mercado não tem segredos. Para comemorar os 100 anos da marca em Portugal voltamos a entrevistá-lo. Abordamos, para além do centenário da empresa, outros temas da atualidade com especial incidência na pandemia da Covid-19, mas não só.

Entrou para a empresa a 1 de junho de 1988. Até essa data trabalhou na Standard Eléctrica/Alcatel Portugal durante onze anos. De seguida foi trabalhar para a área industrial. Foi aqui que recebeu formação na área das baterias de tração elétrica e das baterias de estacionário. Pouco tempo depois foi convidado para o departamento de exportação da empresa onde esteve sete anos. Andou por toda a Europa em empresas do grupo Tudor, foi ainda responsável pelas vendas da empresa em Inglaterra, e em 1995, quando o grupo Tudor foi adquirido pela Exide Technologies, a exportação deixou de fazer sentido, pois o grupo tinha filiais em praticamente todos os países. Foi a partir daqui que se dedicou apenas ao mercado português. Depois do responsável de marketing sair da empresa, Amílcar Nascimento foi convidado para ficar como marketing manager, cargo que mantém desde 1995.

Exportação foi uma escola
O negócio da exportação acabou por se tornar uma escola para Amílcar Nascimento. “Quando se vende baterias num país estrangeiro, na América do Sul ou na Europa, seja onde for, é preciso falar de tudo, até do produtor, pois não temos qualquer apoio técnico. Aqui é tudo mais fácil. Se tiver um problema, chamo um técnico e ele automaticamente dá-me todo o apoio que eu preciso. Na exportação era preciso dominar minimamente o assunto para poder falar com os técnicos, porque sempre que falamos de baterias, falamos de um produto muito técnico. Gostei de vender baterias na América do Sul, mas aqui é melhor ainda, conheci muita gente no mercado e tenho-me adaptado bem e respondido às exigências da empresa.”

 A Tudor e o mercado português
A Tudor tem um papel preponderante na evolução do setor automóvel em Portugal. Envolveu-se com marcas, teve uma ação ao nível do mercado muito positiva por ter sido sempre um dos principais fabricantes de primeiro equipamento, logo, esteve desde o início com as marcas e ligada às marcas no fornecimento de baterias para equipamento original.
Quando apareceu a Autoeuropa perspectivava-se um grande volume de faturação e a fábrica da Exide não tinha capacidade nem condições para abastecer todos os modelos. Por isso o negócio acabou por ser feito por Espanha de onde vinham as baterias. A fábrica da Exide aqui em Portugal, o máximo que produziu foi 1 milhão e 500 mil baterias, o que é pouco. Apesar de ser Espanha a dominar, o mercado em Portugal continuou a trabalhar com todos os fabricantes automóveis para ver o que eles precisavam e que baterias se podiam desenvolver para acompanhar a evolução da indústria automóvel. A Exide ainda hoje é um dos principais fabricantes de primeiro equipamento.

A integração na Exide Technologies
E como foi a integração da Tudor na Exide Technologies? Como é constituído atualmente o grupo, a empresa, quando pessoas estão ligadas a ela e o que se passa ao nível da fábrica…. Amílcar Nascimento começou por dizer que atualmente a empresa tem cerca de 500 colaboradores, entre a fábrica da Castanheira e a Exide Recycling (antiga Sonalur). Têm um departamento de recursos humanos e dependem da Alemanha.

E a pandemia, como tem a Exide reagido a esta nova realidade? A fábrica da empresa nunca parou, esteve sempre a laborar. Como a Exide trabalha com um produto que requer muitos cuidados e onde todas as pessoas têm de ter controlo no que fazem, já era obrigatório todos andarem de máscara e de óculos. Nunca houve sobressaltos, pois havia uma equipa que fazia a monitorização e sempre que havia alerta, essa equipa ia para casa e entrava outra a laborar. Por todos estes cuidados que foram tomados na unidade portuguesa, os problemas foram praticamente inexistentes, aqui e nas outras fábricas na Europa. Amílcar Nascimento reforça os vários cuidados tidos em conta para que a infeção não se espalhasse pelas unidades fabris do grupo e se ultrapassasse a situação.

As baterias na Exide
A fábrica de Castanheira do Ribatejo é 100% industrial. É uma fábrica network de baterias industriais estacionárias e não uma motive power. As baterias para os empilhadores de tração elétrica não se produzem aqui, são produzidas em Espanha. A fábrica portuguesa é uma das mais modernas para network, para produção de baterias estacionárias e para a alimentação de equipamentos. Nesta fábrica, a única linha de produção que existe está ligada às baterias de arranque para as motos da BMW.

A gama de oferta da Exide está bem segmentada. Tem o “good, o better e o best”. Depois foram introduzidas baterias micro híbridas, por causa das exigências do mercado. Continua a ser a gama mais simples de vender e a de maior sucesso. Mas há ainda baterias para camiões, baterias CV, sendo que as primeiras tiveram de ser adaptadas para poderem ser instaladas no meio do chassis traseiro dos novos veículos Euro 6. A gama Exide está segmentada por Professional Pro, Power Pro e Strong Pro e assim respondem às várias exigências dos veículos que são inúmeras. Nos automóveis ligeiros a evolução foi no sentido do “start-stop”. O número de veículos com Start-Stop, aumenta drasticamente ano após ano e, para todos eles, são necessárias baterias AGM e EFB, compatíveis com as instaladas pelo OE. Ainda que em 2020 o parque em circulação, seja maioritariamente com motores convencionais, a percentagem de veículos com Start-Stop vai aumentar rapidamente. Nos camiões, além do “start-stop” existe muito mais equipamentos e as baterias têm que poder responder e estar prontas para funcionar, porque um camião parado é um prejuízo muito grande para toda a gente.

A liderança
A Tudor já foi líder de mercado, até porque a empresa já tem 100 anos e já passou por inúmeros estágios. O mercado português era um mercado fechado, as importações eram poucas tal como os volumes. A Exide esteve sempre estruturada e preparada para responder a todos os segmentos de mercado: “É lógico que temos que estar, nós começámos há 100 anos e o mercado não era como é hoje. O que havia eram pequenas oficinas que faziam reparações, era a esses que nós vendíamos baterias. Esses foram crescendo, e nós também fomos crescendo, assim como o mercado. Apareceram novos desafios e nós tivemos de responder às oportunidades. A Tudor está presente em todos os segmentos do mercado…”, frisou Amílcar Nascimento. Até ao 25 de abril, só existia no mercado a Tudor e a Autosil, não haviam mais marcas. Depois veio a Deta que mais tarde acabou comprada pelo grupo Tudor. Antigamente o mercado português era na ordem das 300 mil baterias por ano, hoje em dia é de um milhão e 300 mil baterias, uma diferença abismal. Hoje, a Exide divide o mercado com a Clarius, “cerca de 33% para cada um e o restante é das outras marcas”.

O pós-venda
A conversa segue na direção do pós-venda e o tipo de apoio disponibilizado aos distribuidores e às oficinas clientes desses distribuidores. Segundo o responsável, nem sempre foi fácil, já houve tempos em que era difícil convencer as oficinas de que precisavam de ter uma formação para mudar uma bateria. “Hoje em dia já não, com o evoluir dos veículos, as oficinas sentem necessidade de falar connosco e de que nós lhes expliquemos algumas situações sobre as novas tecnologias das baterias. O que é uma bateria AGM, o que é uma bateria EFB, quando é que deve aplicar uma bateria AGM, quando é que deve aplicar uma EFB, o que é que se pode fazer, como é que se deve fazer para mudar a bateria e por aí fora…”, explica.

A Exide prefere fazer ações individuais, porque assim consegue estar mais próximo do revendedor. Também faz ações de formação sempre que são solicitadas. A procura de informação tem vindo a aumentar e há mais pessoas a quererem saber mais. “Antigamente tudo era problema da bateria, hoje em dia é preciso sensibilizar as pessoas de que já temos equipamentos de teste mais evoluídos, que disponibilizamos, que veem a situação da bateria, que informam… e isso tem ajudado muito. Oferecemos uma gama abrangente de acessórios e suporte. Ajudamos os mecânicos a: testar, carregar, selecionar, substituir e reciclar as baterias – tudo o que as oficinas precisam para manter o trabalho em casa, fornecer serviços de qualidade e aumentar a sua margem de lucro.”

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João Vieira

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