Solidariedade (ou a falta dela…), Nuno Reis, RedeInnov

12 - NunoReisSemanas antes de ser registado o primeiro caso de infeção em Portugal, já os media enchiam as suas primeiras páginas com a incessante procura do primeiro caso, como se de um troféu se tratasse, ainda sem a menor noção de como o vírus impactaria as nossas vidas.

Não demorou até que se tornasse uma penosa rotina a (des)informação diária, inundando os cidadãos com os números galopantes da pandemia. Números que dizem tudo e não dizem nada. Informação incompleta, errónea e até incoerente que, ao ser usada como base para tomada de decisões e de comunicação, só poderia levar a mais desinformação e, pior, a mais incompreensão.

Continuamos sem saber, e possivelmente só daqui por muito anos saberemos, as causas da pandemia e as suas consequências a nível de saúde a curto, médio e longo prazo. Mas já ninguém parece ter dúvidas que a curto prazo o impacto económico será devastador. Ainda há pouco tempo, as grandes dissertações sobre a recuperação da nossa economia eram como iríamos recuperar, se em “V”, se em “U”, depois seria um “U” muito aberto, e agora, fala-se do “W”, que não me parece mais do que uma recuperação económica aos trambolhões…

É imperioso que a mensagem da solidariedade passe, para que possamos fazer parte da recuperação que mais importa. Das pessoas e das suas vidas

Tem sido notório nas últimas crises económicas a dificuldade dos economistas em acertar nas previsões a curto/médio prazo porque, justificam, têm muitas variáveis desconhecidas. Não são poucos os que, embrenhados nas suas folhas de Excel altamente evoluídas, se esquecem da maior e mais importante variável de todas: as pessoas.

E as pessoas reais têm sido as grandes esquecidas desta pandemia. Debate-se até à exaustão a saúde pública e os seus efeitos económicos como se de realidade virtual se tratasse, e fica sempre a sensação de que as pessoas reais não existem. São números, numa qualquer fórmula… E continua por ser lançada uma mensagem, alto e bom som, sobre a necessidade de sermos solidários em tempos de crise de dimensão avassaladora!

No início da pandemia, escreveu-se muito sobre a necessária “solidariedade empresarial”, em que se apelava às empresas que continuassem a cumprir os seus compromissos, de forma a que não se assistisse a uma rutura em cadeia. Apesar de achar a mensagem algo cândida, não poderia esta mais de acordo.

Mas sinto que falta a mesma mensagem ainda mais assertiva em relação às pessoas. É imperioso que a mensagem da Solidariedade passe, para que num momento em que a fome (sim, a fome) alastra a tantas famílias nossas vizinhas, na nossa comunidade, possamos fazer parte da recuperação que mais importa. Das pessoas e das suas vidas!
Boas Festas!

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João Vieira

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