Transição Energética – Combustíveis limpos para todos

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Os combustíveis líquidos de baixo carbono são compatíveis com a atual tecnologia de motores, garantindo que em 2050 o parque automóvel europeu será composto por um misto de veículos com motores de combustão interna extremamente eficientes e veículos elétricos.

As duas soluções viverão lado a lado, pois não há uma tecnologia única capaz de enfrentar o desafio de descarbonizar todo o setor de transporte

 A redução das emissões de carbono é um assunto inevitável da ordem do dia. A consciencialização de que é uma necessidade premente a nível global está cada vez mais firme entre todos nós e num contexto de transição já ninguém quer ficar para trás. Ou melhor, ninguém pode ficar para trás.São agora as grandes petrolíferas a dar o passo no sentido da descarbonização, pelo peso que sabem ter no impacto ambiental e que leva acionistas, ativistas e os próprios governos a pressionar para a criação de medidas efetivas para a redução das emissões poluentes. Para já, 2050 é apontado como o ano em que se atingirá a neutralidade climática, resultado de investimentos multimilionários no setor.

A meta é exequível, mas, pondo as cartas em cima da mesa, depende do alinhamento de muitos fatores: é imprescindível a concertação de vontades, políticas de descarbonização e ainda a aposta em tecnologias mais limpas. E isso custará dinheiro, não só às petrolíferas, mas a cada um de nós, utilizadores de automóveis. Este ano, a FuelsEurope, associação que representa a indústria de refinação da União Europeia, apresentou aquilo a que chamou “uma via possível” para alcançar a descarbonização do transporte aéreo, marítimo e rodoviário. Esta transformação passa, essencialmente, pelas refinarias do futuro, unidades de produção de uma nova geração de combustíveis líquidos de baixo carbono (LCLF – Low Carbon Liquid Fuel, no original em inglês). São combustíveis de origem não petrolífera que, durante a sua produção, têm emissões de CO2 muito limitadas. A ideia é que venham a substituir progressivamente os combustíveis convencionais e que possam ser utilizados em todos os veículos que já circulam nas estradas, incluindo os que ainda são movidos a gasóleo e que já tiveram a sua morte anunciada a curto prazo pelo Governo português.

Impacto ambiental
Apesar de ser uma temática atual, o impacto ambiental dos combustíveis fósseis é do conhecimento dos líderes da indústria e dos políticos desde 1965. As 20 maiores petrolíferas do mundo contribuíram com 480 mil milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (GtCO2e) nos últimos 55 anos. É o correspondente a mais de 35% das emissões totais de CO2 e metano no mundo em meio século. A conclusão é da análise conduzida por Richard Heed, do Climate Accountability Institute dos EUA, a principal autoridade mundial no papel das grandes petrolíferas na crescente emergência climática. O estudo foi publicado em 2019 pelo jornal britânico The Guardian. Entre as empresas privadas, é a Chevron que se destaca, seguindo-se a Exxon Mobil, a BP e a Royal Dutch Shell. As quatro, em conjunto, são responsáveis por 10% das emissões de carbono no mundo desde 1965 (Ver gráfico das 20 maiores petrolíferas).

A utilização mais responsável dos recursos é, face às alterações climáticas que a nossa geração já está a viver, absolutamente imperativa. Com a base energética da economia mundial assente há demasiado tempo nas energias fósseis (carvão, petróleo, gás natural), o impacto ambiental é sentido no globo com as elevadas emissões de gases com efeitos de estufa ao nível dos ecossistemas. Hoje, a qualidade do ar no planeta e a herança que pretendemos deixar para as próximas gerações exigem soluções urgentes.Por outro lado, também os bancos já começam a dar sinais da pressão do público e dos ativistas ambientais. O financiamento de projetos com combustíveis fósseis é altamente criticado e, só no ano passado, 130 bancos – que representam aproximadamente um terço do total mundial – comprometeram-se a alinhar os seus negócios com o Acordo Climático de Paris.

Numa estratégia de fuga ao risco, alguns dos bancos já fizeram saber que vão deixar de financiar especificamente projetos para centrais a carvão ou para exploração de areias petrolíferas e petróleo no Ártico e, mais recentemente, o Morgan Stanley tornou-se no primeiro banco norte-americano a medir as emissões geradas pelas empresas às quais concede empréstimos e nas quais investe.

Assim, é consensual a necessidade de estabelecer objetivos mais apertados de redução de emissões de carbono. E como? É preciso o contributo de todos os setores de atividade, sabendo-se, de antemão, que é o setor da energia que tem a fatia mais determinante nesta área e a quem cabe pôr rapidamente mãos à obra.

A transição inevitável
Dos combustíveis fósseis à energia obtida a partir de fontes renováveis vai um pequeno (grande) desafio tecnológico. Já em julho deste ano, a Oil and Gas Climate Initiative (OGCI), uma iniciativa voluntária liderada por diretores executivos de algumas das maiores empresas de energia do mundo – da qual fazem parte a BP, a Chevron, CNPC, Eni, Equinor, Exxon Mobil, Occidental, Petrobras, Repsol, Saudi Aramco, Shell e Total, representantes de mais de 30% da produção mundial de petróleo e gás – anunciou o objetivo de reduzir, até 2025, a intensidade média de carbono do total das operações das empresas associadas, para entre 20 a 21 kg de dióxido de carbono por barril de óleo equivalente (CO2e/boe).

Sejam elas metas coletivas ou individuais, as grandes empresas do chamado grupo «Big Oil» tem tratado de fixar os seus próprios objetivos, com as gigantes norte-americanas a ficar bastante aquém das concorrentes europeias. A Exxon Mobil, por exemplo, avançou que irá reduzir em 10% as emissões na operação de areias petrolíferas até 2023 e a Chevron prometeu uma redução de 5 a 10% na intensidade de carbono nas operações petrolíferas.

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