O Futuro sem balões de oxigénio?

03 - Manuel-Felix-Euromais

A estrutura do tecido empresarial do aftermarket é, como todos sabemos, constituída, na sua maioria, por microempresas, que, como é normal, têm uma estrutura financeira muito débil. Isso traz, como é obvio, um risco acrescido para os seus fornecedores. Com a pandemia houve um incremento claro da quota de mercado dos distribuidores em desfavor dos fabricantes. Uma disponibilidade “imediata” de stock, um preço claro na fatura e uma ausência de compromissos para obter determinado bónus extra, levam a que isto aconteça. Até aqui nada de novo.

E o futuro? Bom, o futuro, penso eu, para aqueles que tiverem uma gestão rigorosa, um controle efetivo dos seus negócios a todos os níveis, vai trazer algumas dificuldades, vai fazê-los sofrer, mas não desaparecer.
Nesta, como em qualquer outra área, o futuro vai, na minha opinião, ser negro para aqueles que, trabalhando por conta de outrem no passado, criaram empresas, apoiadas pelos bancos que todos ajudámos a salvar, andaram a comprar equipamentos a crédito (algumas vezes os bancos até ofereciam mais dinheiro no crédito para comprar um carro topo de gama porque “agora era um empresário/a e por isso precisava de ter uma certa imagem”) e a alugar armazéns para montar oficinas (ou outros negócios) sem terem a menor noção do que é gerir uma empresa, tendo agora que pagar todos os encargos daí resultantes, não sendo capazes de gerar cash flow suficiente para pagar essas dívidas.

Enquanto andarmos a oferecer “oxigénio” a determinadas empresas não vamos ter uma estrutura empresarial forte, com capacidade de investimento e modernização

Este é o grande problema do futuro. É o grande problema porque andam, como se costuma dizer, a “balões de oxigénio“, oxigénio esse fornecido pelas empresas do aftermarket, que deveriam “fechar a torneira”! Vejam se os fabricantes pactuam com este tipo de situação?

Precisamos todos de ter um controle muito apertado sobre o crédito em geral, mas muito em particular com empresas deste tipo. Deste modo, como somos todos mais espertos uns do que os outros, não achamos estranho que um cliente que de repente começou a comprar mais do que o normal o possa ter feito porque, se calhar, não tem crédito noutros fornecedores. Claro que também pode acontecer que tenha começado a comprar mais, porque nós decidimos, mal, na minha opinião, andar a dar descontos extra, reduzindo a nossa margem, para que comece a comprar, mesmo que seja um cliente com pouca expressão, normalmente quando não temos outros argumentos além do preço.

O futuro continuará a existir para empresas com um bom nível de gestão.

As empresas têm hoje, com a adesão a algumas redes por exemplo, verdadeiras oportunidades de se transformarem. No entanto, até aqui há que ter muito cuidado. A proliferação de “supostas” “redes de oficinas“ em Portugal tem levado a que qualquer empresa / pessoa forme uma rede só porque conhece meia dúzia de donos de oficinas ou de lojas de peças. Juntam-se para comprar melhor e vender mais barato. Fórmula que, normalmente, não acrescenta nenhum valor.

São muito raras as redes que têm como principal foco atrair clientes para os membros das suas redes, aumentando assim o tráfego dentro da oficina ou loja de peças.
Enfim, enquanto todos andarmos a oferecer “oxigénio” a determinadas empresas não vamos ter uma estrutura empresarial forte, com capacidade de investimento e modernização, simplesmente porque as empresas não ganham dinheiro suficiente nos trabalhos que prestam devido ao excesso de oferta do mercado! l

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Redação JO

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