Mercado maduro e estabilizado, com tendência a decrescer

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Apesar de se tratar de um mercado maduro e muito estabilizado, Luís Alves considera que o negócio da repintura automóvel em Portugal tem tendência a decrescer.

As razões para o decréscimo são óbvias: Novos produtos tecnologicamente mais evoluídos que permitem aumentar a rentabilidade em termos de consumo; Carros mais evoluídos em termos de segurança, melhores estradas, leis mais severas, etc. que se traduzem em menos acidentes; e também motivos económicos.

“O mercado de repintura em Portugal é caraterizado ainda por um número elevado de oficinas em relação ao parque automóvel, comparativamente com outros mercados europeus, traduzindo-se num potencial em valor por oficina baixo, com uma média de 1,7 pintores/oficina o que implica dificuldades no retorno do investimento. Atualmente, para além do equipamento habitual e stock, temos de considerar o equipamento de medição de cor (Espectrofotómetro) com custo de vários milhares de euros”, refere Luís Alves.

Em termos de players fornecedores “As principais marcas do segmento premium pertencentes aos maiores grupos mundiais de tintas estão presentes no nosso mercado, sendo evidente o aumento da concorrência e procura de aumento de quota de mercado, por exemplo no segmento dos concessionários de marca que se vão reduzindo pela via de integração/criação de grupos.

No segmento médio/baixo temos também cada vez mais marcas disponíveis o que se traduz numa pressão muito grande sobre os preços provocando diminuição das rentabilidades num sector que exige investimentos significativos em termos de equipamentos e recursos humanos”, refere Luís Alves.

Apesar de ainda existir um conjunto significativo de oficinas em que o fator principal de decisão é o preço, para as restantes, concessionários de marca e oficinas multimarca individuais ou organizadas em redes oficinais, o serviço pós-venda dos players posicionados no segmento premium do mercado baseado em produtos de alta tecnologia, em formação técnica e de gestão (consultoria e orçamentação), assistência técnica e logística é determinante para os bons resultados daquelas empresas.

No segmento médio/baixo temos também cada vez mais marcas disponíveis o que se traduz numa pressão muito grande sobre os preços provocando diminuição das rentabilidades

Atrair jovens para a profissão
Tal como noutros setores, a falta de recursos humanos nas oficinas de colisão são um desafio global da sociedade a todos os níveis, na divulgação e promoção dos benefícios e mais valias a nível profissional e pessoal de uma indústria que trabalha com produtos e equipamentos de alta tecnologia.

“A repintura automóvel continuará por muitos anos a ser uma atividade que podemos considerar ‘artesanal’ no sentido de que têm de existir pessoas para aplicar os produtos e o maior desafio será a capacidade das diferentes entidades em atrair jovens para esta profissão. É urgente divulgar e promover os benefícios e mais valias a nível profissional e pessoal de uma indústria que trabalha com produtos e equipamentos de alta tecnologia. Atualmente a maioria das oficinas já trabalham com programas on-line e equipamentos digitais da cor. Assim, a digitalização será uma questão menos crítica comparada com a escassez de novos pintores”, afirma Luís Alves.

Considerando que a situação da pandemia será ultrapassada este responsável alerta para vários e diferentes desafios:
– Concentração dos concessionários de marca em grupos com os seguintes constrangimentos: Aumento da concorrência para conquista de quota de mercado por parte das marcas; Forte posição negocial com implicação a nível de condições comerciais e redução do número de anos dos respetivos acordos.

– Aumento do número de concorrentes no segmento médio/baixo com fortes implicações nos preços de produtos com peso nos esquemas de pintura (por exemplo: os Vernizes).

Não havendo solução ou soluções específicas, a estratégia passa pela capacidade de estar próximo dos clientes, perceber e antecipar as necessidades e apresentar as soluções adequadas, no sentido de garantir que as reparações sejam feitas à primeira, única condição para garantir a rentabilidade das oficinas de pintura.