Reta aponta tendências na gestão de frotas em 2026

01 - Reta aponta tendencias na gestao de frotas em 2026

Num contexto de transição energética, escassez de recursos humanos e crescente digitalização, a Reta identifica três tendências-chave que deverão marcar a gestão de frotas em 2026, destacando os desafios tecnológicos, operacionais e de eficiência que o setor terá de enfrentar

A gestão de frotas vai enfrentar em 2026 um contexto marcado por maior complexidade tecnológica, escassez de recursos humanos e uma dependência crescente dos dados. A análise é da Reta, fornecedora de serviços técnicos e rent-a-cargo, que identifica três tendências estruturantes com impacto direto na operação das frotas.

A primeira tendência prende-se com o que a empresa designa por “pragmatismo energético”. Segundo a Reta, a discussão já não passa por saber se o setor vai descarbonizar, mas sim por “qual a tecnologia adequada para cada rota”. A gestão de frotas tenderá a basear-se numa combinação de soluções energéticas, o que introduz maior complexidade operacional.

Em ambientes urbanos ou regionais, como distribuição ou transporte escolar, o veículo elétrico a baterias já apresenta um custo total de propriedade competitivo. Já no transporte internacional de longo curso, o hidrogénio surge como uma aposta segura a médio prazo, mantendo-se o diesel mais eficiente como tecnologia de transição.

Neste contexto, a Reta alerta que oficinas e equipas técnicas terão de estar preparadas para trabalhar, em simultâneo, com diesel, elétrico e hidrogénio nos próximos anos. A empresa destaca ainda que a sustentabilidade passa também por dar uma segunda vida às frotas existentes, através do recondicionamento ou retrofit, uma abordagem evidenciada no espaço “Univers V&R” apresentado na última edição da Solutrans.

A segunda tendência identificada pela Reta está relacionada com os recursos humanos, apontados como uma das principais ameaças ao setor. Segundo a empresa, “pode ter o camião mais eficiente do mundo, mas se ele ficar parado no parque porque não há quem o conduza ou quem o repare, o prejuízo é total”.

Os eventos recentes do setor mostram que o salário, por si só, já não é suficiente para reter talento. A valorização profissional e a formação contínua tornaram-se fatores determinantes, tanto para motoristas como para mecânicos. A Reta sublinha que o investimento em formação técnica avançada, nomeadamente em eletrónica e telemática, será essencial para que as empresas não fiquem dependentes exclusivamente das marcas para a manutenção das suas frotas.

A terceira tendência diz respeito ao papel central dos dados na rentabilidade das operações. De acordo com a Reta, “quem não tiver dados, não tem margem”, num cenário em que a eficiência milimétrica passou a determinar a diferença entre lucro e prejuízo. A manutenção preditiva e a otimização de rotas através de inteligência artificial deixaram de ser vistas como soluções opcionais e passaram a ser ferramentas básicas de sobrevivência.

A empresa alerta ainda para as preocupações das oficinas independentes, que receiam perder acesso técnico à medida que os veículos se tornam cada vez mais conectados diretamente aos fabricantes, um tema destacado recentemente na Convenção da ANECRA. Neste contexto, a Reta considera que a digitalização da gestão de frotas é urgente, sobretudo para permitir a integração em tempo real com carregadores, oficinas e clientes.