ARAN alerta para dificuldades nas empresas pronto-socorro

As empresas de pronto-socorro atravessam um dos períodos mais desafiantes das últimas décadas, com a sua sustentabilidade económica seriamente ameaçada devido ao aumento contínuo do preço dos combustíveis
Segundo a ARAN, o aumento contínuo dos preços dos combustíveis tem vindo a agravar significativamente os custos operacionais, num setor que já opera com margens historicamente reduzidas. Esta realidade torna-se ainda mais crítica pela incapacidade generalizada das empresas em repercutir esses custos nos clientes.
Segundo Rodrigo Ferreira da Silva, presidente da ARAN “A pressão financeira crescente está a comprometer não só a viabilidade económica das empresas, mas também a sua capacidade de resposta e a qualidade dos serviços prestados. O setor reivindica um apoio idêntico ao concedido em 2022, de 40 cêntimos por litro até um máximo de 150,00 euros. Apenas queremos um tratamento igual ao que está a ser dado às restantes empresas de transportes”.
“Trata-se de um serviço essencial para a mobilidade e segurança rodoviária, que assegura apoio imediato em situações de avaria ou acidente. No entanto, sem um equilíbrio entre custos e receitas, a continuidade deste serviço fica em risco. A associação alerta mesmo para a possibilidade de rutura no setor caso não sejam adotadas medidas urgentes e eficazes”, acrescenta.
Perante este cenário, a ARAN alerta para o enorme risco de perturbações significativas na circulação rodoviária durante o período da Páscoa. Na verdade, as empresas que prestam serviços de pronto-socorro rodoviários, comunicaram que, a partir do dia 02 de Abril de 2026, quinta-feira Santa, vão deixar de prestar serviços de longo curso e fora das localidades, designadamente nas autoestradas, SCUTS e vias rápidas por esses serviços serem mais dispendiosos e aqueles em que o consumo e gasto de combustível é maior.
Desta forma prevê-se que fiquem nas bermas das autoestradas, SCUTS ou vias rápidas cerca de 3.000 carros parados por falta de assistência rodoviária através de veículos de pronto-socorro.
Com efeito, nas últimas três semanas, o preço do gasóleo registou uma subida superior a 40 cêntimos, colocando as empresas de assistência em estrada — responsáveis pelo reboque de veículos avariados ou acidentados — numa situação financeira extremamente difícil. Este aumento abrupto dos custos operacionais está a comprometer a sustentabilidade da atividade destas empresas, que desempenham um papel essencial na segurança rodoviária e no normal funcionamento do trânsito.
Além disso, também de acordo com informações recolhidas pela ARAN, várias empresas do setor consideram já insustentável manter os níveis de operação atuais.
Perante este cenário, prevê-se a redução de frotas e de trabalhadores, o que resultará num aumento significativo dos tempos de resposta nos serviços de pronto-socorro.
A diminuição da capacidade de intervenção terá por consequências atrasos na remoção de veículos avariados ou sinistrados da via pública, com impacto direto na fluidez do trânsito e no agravamento do risco de acidentes, sobretudo numa altura de elevada mobilidade como a Páscoa.
A ARAN sublinha que estas empresas são frequentemente as primeiras a chegar ao local de acidentes, desempenhando um papel crucial na assistência às vítimas e na reposição das condições de circulação.
A sua fragilização poderá, por isso, ter consequências sérias para a segurança rodoviária. Face a esta situação, a ARAN apela à atenção das autoridades competentes para a urgência de medidas que mitiguem o impacto do aumento dos combustíveis neste setor, garantindo a continuidade de um serviço essencial para os cidadãos.




