Empresas mais lean e ecológicas: o “Verde” é economia!

Alertada por cientistas e investigadores de todo o Mundo, a opinião pública está a dar crescente atenção aos problemas ambientais, tentando informar-se melhor e defender o que resta dos recursos naturais
A primeira mensagem que é necessário generalizar é que a defesa do ambiente não é mais um custo, mas será quando muito um investimento inteligente no amanhã. Do mesmo modo que deixar de ser obeso não implica custos superiores, pelo contrário, baixa as despesas na despensa e na saúde ao mesmo tempo, ser ambientalmente compatível pode também representar economias, tanto a nível de recursos e energia, como em termos económicos simplesmente.
Exemplos de esforços que resultam existem às centenas, mas, para citar apenas alguns mais emblemáticos e evidentes, podemos referir o apagar a iluminação quando não é necessária ou excessiva, o reciclar materiais e objectos (papel, vidros, metais, plásticos, tinteiros de impressoras, peças, óleos, pneus, etc., etc.), o economizar a água, o regular correctamente os sistemas de climatização e muito mais.
Formas mais sofisticadas de economizar podem ser o uso de navegadores GPS e planificação de deslocações, assim como a anulação dessas mesmas deslocações, sem falhar a comunicação e o contacto que se pretende levar a efeito. Isso é possível através das novas tecnologias de comunicação e informação, que permitem efectuar encomendas e pagamentos através da Net (e-business), realizar acções de formação virtuais (e-learning), organizar vídeo conferências, etc.
Quanto maiores e mais activas forem as empresas e organizações, mais poderão economizar, ao apostarem numa política “Verde” de medidas e procedimentos concretos. Em orçamentos anuais de muitos zeros, uma pequena percentagem obtida significará certamente milhares ou mesmo milhões de Euros na gaveta.
Empresas mais lean e ecológicas
Agora, vamos encarar com atenção dez maneiras de dar a mão ao ambiente, sem prejudicar as contas da empresa, pelo contrário, melhorando-as.
Iluminação artificial – A iluminação chega a representar 44% da factura de electricidade de certas empresas. Para além de edifícios e instalações onde a iluminação natural possa contribuir de forma mais efectiva para satisfazer as necessidades básicas, as empresas devem escolher os horários em que essa iluminação solar está disponível. Além disso. Nos sistemas de iluminação artificial, devem ser escolhidas as soluções energeticamente mais eficientes. Luzes que desligam automaticamente quando os compartimentos estão vazios, regulação automática da intensidade da luz, fontes de luz não incandescentes, etc.. Há também um detalhe importante no que se refere à iluminação, tanto natural, como artificial: os vidros por onde passa a luz devem estar totalmente limpos, para que a iluminação possa ser eficiente, não omitindo o interesse estético da limpeza.
Computadores eficientes – Os computadores foram pensados para aumentar de forma exponencial a produtividade e a economia das empresas, mas podem gerar consumos desnecessários, caso sejam mal utilizados. Computadores com hardware e sistemas operativos actualizados, activam-se e desactivam-se muito rapidamente, sendo desperdício mantê-los ligados quando não estão a trabalhar. Os monitores também devem ser energeticamente eficientes (LCD), o mesmo se passando com os sistemas periféricos. No final do dia, os transformadores devem ser desligados da rede, para não criarem resistências inúteis. Além disso, os computadores necessitam de manutenção, pois podem tornar-se lentos ou apresentar mesmo falhas, se não forem revistos periodicamente. Por outro lado, a empresa deve apostar numa política de substituição de equipamentos desactualizados, investindo em tecnologias da última geração.
Imprimir com critério – Muita da informação actualmente recebida pelas empresas está disponível em formato virtual, podendo ser manipulada nesse formato, existindo uma minoria de situações em que efectivamente se torna necessário imprimir dos dados. Outra forma de minimizar a utilização de papel consiste em imprimir dos dois lados da folha, bem como aproveitar as folhas já impressas de um só lado para receber faxes, fazer contas, desenhos ou apontamentos. A impressão a cores deve ser evitada quando não for indispensável e o modo de impressão “draft” deve ser usado para economizar tinta. Por falar em tinta, os tinteiros usados das impressoras devem ser encaminhados para a reciclagem e comprados novamente depois de reciclados. Ficam mais baratos, e economizam-se muitos materiais e energia. Segundo as estatísticas, um tinteiro de impressora reciclado permite economizar cerca de 115g de metal e plástico, assim como quase dois litros de petróleo. É também boa política preferir comprar papel branqueado sem utilizar cloro e papel com elevado teor de papéis reciclados. A compra de papel mais fino é outra boa ideia.
Evitar papel quando possível – Muita informação e muitos conteúdos podem ser lidos e manipulados vantajosamente no formato digital, sendo preferível conservar essa informação em discos rígidos externos e outros dispositivos de armazenamento de dados. Muita coisa que aparece no computador e não interessa (publicidade, catálogos, newsletters, jornais, revistas, etc.) deve ser enviada para a reciclagem do computador e eliminada rapidamente, para não ocupar a memória deste. Todos os textos corporativos, como manuais, textos de apoio e outras informações devem ser conservados em formato digital, sendo mais simples de consultar e mais económicos. São também mais fáceis de actualizar.
Reciclar tudo por princípio – Tudo o que entra na empresa e se torna inútil deve ser reciclado, começando por todos os tipos de papéis que deixam de ter utilidade. Por outro lado, pilhas, lâmpadas, telemóveis sem uso, computadores e seus periféricos sem préstimo, móveis, embalagens vazias e outras inutilidades devem ser encaminhadas para a reciclagem, porque constituem uma forma de poluição perigosa, se forem abandonados de forma indiferenciada. Todos os vidros, latas e plásticos também devem ser colocados nos respectivos ecopontos.
Não deixar os ciclos abertos – O modelo ideal de produção é a Natureza, no qual os ciclos são mantidos fechados, porque tudo o que é produzido é transformado em novos materiais, no final do seu ciclo de vida, dando origem a novas formas. Nas actividades humanas esse modelo foi negligenciado durante muito tempo, promovendo o consumo desenfreado de recursos e energia, por um lado, assim como a poluição e o desperdício, por outro lado. A sustentabilidade das actividades humanas depende pois da reutilização dos materiais no final do ciclo de vida dos produtos e da minimização do consumo energético, uma vez que a energia não pode ser recuperada.
Economizar nas refeições – A permanente utilização indiscriminada de produtos descartáveis (copos, pratos, malgas, embalagens, talheres, etc.) representa um custo desnecessário, que deve ser evitado, sempre que possível. Embora esses materiais sejam recicláveis, a energia que foi utilizada para os produzir nunca mais é recuperada, contribuindo para o esgotamento dos recursos energéticos. Se forem utilizados talheres e utensílios de vidro, louça e metal, estes podem ser lavados e o seu custo é recuperado a longo prazo, devido ao seu largo ciclo de vida útil. Por outro lado, se forem utilizados alimentos e bebidas de origem orgânica e local, evita-se a poluição da terra por fertilizantes químicos e insecticidas tóxicos, cujo longo ciclo de decomposição inevitavelmente os conduz ao consumo humano. Outra forma de evitar consumo excessivo de água e desperdício é utilizar água filtrada, em vez de água mineral engarrafada.
Repensar a mobilidade – Actualmente, a mobilidade é um dos principais custos, tanto para empresas, como para os seus colaboradores e principalmente para o ambiente. Nesta lógica, tudo o que puder ser feito para tornar a mobilidade sustentável é uma forma de contribuir para o equilíbrio ecológico do planeta em que vivemos. Nos locais em que existem redes de transportes públicos, estes devem ser preferidos, sem esquecer que há situações em que as comunicações podem ser realizadas por via telefónica ou pela Internet, evitando deslocações desnecessárias. A frota da empresa, por seu turno, deve recorrer a viaturas híbridas ou eléctricas, dependendo das situações e da utilização dos veículos, pois isso permitir reduzir de forma significativa os custos da empresa e o impacto ambiental. Além disto, há muitos empregados que gostariam de ir de bicicleta ou a correr para a sua empresa, desde que esta facilitasse cacifos e duches para eles. Eles retribuiriam esse esforço com a vitalidade e energia dos desportistas, bem como na ausência de baixas por doença. Outra forma de cortar nas despesas e nas emissões desnecessárias é encorajar a partilha dos carros entre empregados (carpool). Uma forma prática de facilitar esse sistema de transporte é colocar um quadro na entrada da empresa, no qual os colaboradores com lugares nos seus carros (muitos viajam sozinhos) podiam indicar o nº de boleias e o seu destino. Inversamente, as pessoas que pretendessem boleias, indicariam o seu destino e eventuais formas de partilhar os custos da viagem.
Bom ambiente na empresa – A primeira coisa a fazer é evitar a utilização de produtos de limpeza com substâncias tóxicas. Por outro lado, as mobílias, alcatifas plásticos de revestimento e tintas devem estar isentas de COVs e outros produtos químicos que libertem emissões tóxicas. Outra forma de melhorar o ambiente nas empresas consiste em colocar plantas, tanto no seu interior, como no seu exterior (nos casos em que existam áreas descobertas). As plantas absorvem o CO2, pois retêm o carbono, libertando o oxigénio, graças à função da fotossíntese, que transforma o (dióxido) carbono da atmosfera em compostos de carbono e hidrogénio (biomassa). Isso é possível graças à luz solar e às transformações químicas que ocorrem na planta pela sua influência.




