Centros de abate: uma nova geração ao “serviço do ambiente”

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O surgimento dos Centros de Abate certificados, que vieram substituir as antigas sucatas automóveis, conferiu um novo estatuto às peças usadas, tornando-as mais fiáveis e credíveis aos olhos de consumidores e profissionais do setor

Com a entrada em vigor da legislação nacional e europeia sobre a gestão de Veículos em Fim de Vida (VFV), estes centros passaram a desmantelar os veículos de forma segura e ambientalmente responsável. Neste processo, são selecionados cuida- dosamente os componentes com potencial de reutilização, sendo hoje possível encontrar operadores com infraestruturas modernas e sistemas de gestão de stock bem organizados.

Os componentes mais procurados para reutilização são, sobretudo, os da área mecânica — como motores, alternadores ou caixas de veloci- dades — devido ao seu elevado nível de desgaste. No entanto, também há elevada procura por peças exteriores, resultantes de colisões, como para-choques, retrovisores, portas ou faróis. Tanto particulares como empresas podem adquirir peças usadas, geralmente a um custo significativamente mais baixo do que as peças novas de marca, o que se reflete diretamente no valor final da reparação. Do ponto de vista am- biental, a reutilização de peças automóveis evita a necessidade de transformar matérias-primas, reduzindo emissões e resíduos. Trata-se, assim, de uma forma eficaz de reciclagem sem processos poluentes, que contribui ativamente para a sustentabilidade no setor automóvel.

DESMANTELAMENTO DE VFV – PASSO A PASSO

Receção e verificação documental
O processo começa na área de receção do centro de abate. O proprietário entrega o veículo acompanhado da documentação obrigatória, como o Certificado de Matrícula e o seu documento de identificação. Após a validação, é emitido o Certificado de Destruição, que confirma o fim de vida do veículo e permite o cancelamento automático da matrícula e do registo no IMT, na Autoridade Tributária e na Conservatória do Registo Automóvel.

Armazenamento provisório
Antes do início do desmantelamento, os veículos são colocados numa zona de armazenamento temporário, ao ar livre, com piso impermeabili- zado. Esta área tem de ser ampla (mínimo 500 m2), organizada e preparada para a movimentação de empilhadores, podendo incluir estruturas metálicas para empilhamento de veículos.

Despoluição (descontaminação)
Nesta fase, o veículo é colocado numa área coberta e ventilada para a remoção de todos os fluidos perigosos e componentes contaminantes, nomeadamente: Combustível e óleos (motor, travões, direção assistida); líquido de refrigeração e de lavagem e gás do sistema de ar condicionado. Cada operação é realizada com atenção à segurança e ao cumprimento de requisitos ambientais.

Remoção das peças reutilizáveis
Com o veículo descontaminado, inicia-se a extração das peças reutilizáveis, que são separadas com base no seu estado e potencial de revenda. Exemplos: motores, caixas de velocidades, alternadores; catalisadores, baterias, airbags; e vidros, espelhos e painéis de carroçaria. As peças são depois encaminhadas para inspeção, limpeza e classificação.

Separação e armazenamento
Após a descontaminação e remoção das peças e componentes reutilizáveis, estes são encaminhados para zonas específicas de armazenamento. Os resíduos perigosos são armazenados em áreas com piso impermeável e sistema de retenção de derrames, devendo estar devidamente identificados e sinalizados, conforme exigido pela legislação em vigor.

Destino final da carcaça e resíduos
No fim do processo, o que resta do veículo (a carcaça) é encaminhado para operadores de fragmentação autorizados. As peças sem valor de reutilização são separadas para reciclagem ou valorização energética. A operação respeita os objetivos legais de reaproveitamento: pelo menos 85% do peso do veículo deve ser reutilizado ou reciclado e até 95% pode ser valorizado (reutilização + recuperação energética).