FIGIEFA pede inclusão do pós-venda no pacote automóvel da UE

A FIGIEFA considera que o novo Pacote Automóvel da Comissão Europeia representa um avanço na abordagem à descarbonização, mas alerta que o mercado independente do pós-venda continua a não estar devidamente contemplado
A Federação Europeia de Distribuidores do Mercado de Reposição Automóvel (FIGIEFA) saudou a publicação do Pacote Automóvel da Comissão Europeia, apresentado a 16 de dezembro em Estrasburgo, destacando a maior flexibilidade nas metas de CO2 e a abertura à neutralidade tecnológica para além de 2035. Ainda assim, a organização defende que são necessárias disposições adicionais que tenham em conta o papel do mercado independente de pós-venda.
Num contexto de forte debate sobre o futuro da indústria automóvel europeia, a FIGIEFA considera positiva a possibilidade de coexistência de diferentes tecnologias veiculares, sublinhando, no entanto, que esta diversidade implica custos e desafios acrescidos para os distribuidores de peças. Atualmente, os operadores independentes gerem portefólios entre 50 mil e 250 mil componentes, destinados a dezenas de milhares de modelos, assegurando diariamente o abastecimento de cerca de 300 mil oficinas responsáveis pela manutenção de 285 milhões de veículos na União Europeia.
A federação apoia igualmente a iniciativa da Comissão para promover veículos elétricos pequenos e acessíveis, mas defende que estes devem continuar sujeitos às mesmas regras de reparabilidade e de acesso à informação técnica de reparação previstas no Regulamento de Homologação. Para a FIGIEFA, este acesso é essencial para garantir reparações seguras, competitivas e economicamente acessíveis ao longo de todo o ciclo de vida dos veículos.
Outro ponto destacado é a avaliação anunciada do Regulamento (UE) 2018/858, que inclui disposições sobre o acesso à informação técnica. A FIGIEFA espera que esta revisão colmate lacunas deixadas pelo “Automotive Omnibus proposal” e assegure condições equitativas para todos os intervenientes da cadeia de valor, em particular para o mercado independente do pós-venda, considerado um pilar da segurança, sustentabilidade e acessibilidade da mobilidade rodoviária.
Relativamente à estratégia europeia de reforço da produção de baterias, a federação reconhece o valor da iniciativa Battery Booster, mas lamenta que o pacote não aborde a reparabilidade das baterias. Segundo a FIGIEFA, a reparação é um elemento central da cadeia de valor e um fator determinante para a confiança dos consumidores e para a adoção dos veículos elétricos a bateria.
Por fim, a federação manifesta reservas quanto à proposta de regulamento sobre “Veículos Corporativos Limpos”, que impõe quotas obrigatórias de veículos de emissões zero ou reduzidas nas frotas empresariais a partir de 2030. A FIGIEFA alerta que estas exigências podem afetar a competitividade dos grossistas independentes de peças, que operam frotas essenciais para garantir reparações rápidas e a continuidade da mobilidade.
A FIGIEFA apela, assim, aos co-legisladores europeus para que reforcem o Pacote Automóvel com medidas específicas para o mercado do pós-venda, defendendo que só dessa forma será possível assegurar uma mobilidade sustentável, competitiva e acessível para empresas e consumidores em toda a União Europeia.




