Portugal sob crescente risco de ciberataques no setor automóvel

01 - Portugal sob crescente risco de ciberataques no setor automovel

Relatórios recentes da Microsoft e da Statista indicam um agravamento do cibercrime na Europa, com Portugal a destacar-se como um dos países onde o risco cresceu mais rapidamente

O risco de ciberataques em Portugal aumentou de forma significativa no último ano. Segundo o Microsoft Digital Defense Report, o país subiu do 34.º para o 12.º lugar no ranking global de risco, tornando-se um alvo cada vez mais relevante no panorama europeu. A própria Microsoft admite que projetos estratégicos, como a futura fábrica de inteligência artificial em Sines, poderão aumentar ainda mais essa exposição.

Esta tendência não é exclusiva de Portugal. Dados da Statista indicam que países como Alemanha, Reino Unido e França deverão registar um aumento significativo no volume e no custo do cibercrime até 2028. Em Portugal, a consultora Strategy estima que os prejuízos causados por ciberataques tenham atingido cerca de 10 mil milhões de euros em 2024, com perspetivas de agravamento caso não sejam adotadas medidas urgentes.

Apesar do aumento do risco, os investimentos em cibersegurança continuam a crescer a um ritmo limitado. Os orçamentos registaram um aumento médio anual de apenas 5,7%, um valor considerado insuficiente para setores críticos como a indústria transformadora, energia e transportes, que concentraram, respetivamente, 26%, 10% e 7% dos ataques registados em 2024.

De acordo com o relatório do Centro Nacional de Cibersegurança de 2025, as principais vulnerabilidades identificas são: senhas fracas, softwares desatualizados e falta de autenticação multifator que facilitam invasões.

A proteção de endpoints é fundamental

Um dos principais benefícios da transformação digital é o impacto que pode ter nas operações remotas no terreno. A digitalização de processos tradicionais baseados em caneta e papel, através da utilização de soluções de computação móvel robustas e poderosas, pode reduzir drasticamente o tempo necessário para obter insights, permitindo aos trabalhadores comunicar e partilhar informações em tempo real, diretamente a partir do terreno.

No entanto, em setores críticos, isto pode também introduzir desafios de segurança significativos que colocam em risco a infraestrutura essencial. Isto porque os trabalhadores remotos enfrentam uma combinação de ameaças cibernéticas intensificadas e supervisão informática limitada, o que pode rapidamente comprometer tanto a segurança dos endpoints como a continuidade operacional.

Nestes setores, muitas organizações utilizam tecnologia robusta para ajudar os trabalhadores a operar eficientemente em ambientes desafiantes. Os portáteis e tablets robustos são construídos com materiais resistentes a impactos e possuem certificações MIL-STD e IP que lhes permitem prosperar nestas condições. Além disso, muitos deles oferecem opções de conectividade avançadas, como 4G LTE e 5G, para garantir uma comunicação contínua em locais remotos onde as redes tradicionais podem ser instáveis.

No entanto, os riscos de cibersegurança nestes ambientes são tão críticos como a durabilidade física. Embora os dispositivos robustos sejam concebidos para resistir a condições adversas, a sua maior conectividade pode também introduzir novas vulnerabilidades. A perda de dados, a adulteração e os dispositivos roubados ou extraviados representam ameaças significativas, especialmente quando os dados operacionais confidenciais são armazenados localmente ou transmitidos através de redes não seguras.

“Para mitigar estas ameaças, as organizações devem implementar estratégias de dados robustas que combinem múltiplas camadas de segurança para manter os mais elevados níveis de proteção de endpoints possíveis. Isto começa com os próprios dispositivos, e um número crescente de organizações está a optar por portáteis robustos com tecnologia Microsoft Secured-Core, que integra firmware, hardware, software e proteção de identidade para oferecer segurança melhorada em cenários com dados sensíveis”, explicou Amanda Ward, EMEA Director Technology & Solutions da Getac.

Além disso, a Getac recomendou a implementação das seguintes quatro camadas para melhorar ainda mais a cibersegurança em dispositivos robustos:

1) Ativar a autenticação multifator (MFA) em todos os endpoints: A MFA acrescenta proteção ao exigir múltiplas formas de verificação para aceder a uma conta, tornando muito mais difícil para os utilizadores não autorizados obterem acesso, mesmo que utilizem uma palavra-passe válida.

2) Utilizar encriptação de ponta a ponta (E2EE) e ligações VPN seguras: A utilização de E2EE garante que apenas o remetente e o destinatário pretendido podem ler as mensagens, tornando-as seguras contra terceiros, incluindo o fornecedor de serviços.

3) Manter o firmware e o software sempre atualizados: A instalação de patches e atualizações de software assim que estão disponíveis garante que os utilizadores e dispositivos estão protegidos contra as vulnerabilidades mais recentes e ameaças de dia zero.

4) Estabelecer planos claros de resposta a incidentes e recuperação: Mesmo com planos robustos de proteção de dados em várias camadas, as violações ainda podem ocorrer. Ao ter planos de resposta e recuperação claros, as organizações podem agir de forma rápida e decisiva, caso o pior aconteça.

A cooperação com parceiros tecnológicos especializados surge como um fator decisivo para reforçar a resiliência digital. Soluções que integram proteção ao nível do hardware, firmware e software permitem manter controlo e visibilidade sobre dispositivos e dados, mesmo em cenários adversos.

Com o aumento da pressão regulatória e da sofisticação dos ataques, a cibersegurança deixou de ser uma opção para se tornar um requisito estratégico. No setor automóvel, proteger os sistemas digitais é hoje tão crítico quanto garantir a segurança física das operações.