Portugueses preferem carros de cores discretas

Um novo estudo da carVertical confirma que os condutores portugueses continuam a privilegiar tons clássicos na escolha de veículos usados, optando maioritariamente por cores neutras como o cinzento, o preto e o branco
A carVertical, empresa de dados automóveis, realizou pela segunda vez uma análise ao mercado nacional que demonstra uma clara preferência por cores pouco chamativas. Em 2024, 44,6% dos veículos analisados eram cinzentos, 25,6% pretos e 17,3% brancos. Seguiram-se o azul, com 7,1%, e o vermelho, com apenas 2,3%.
A evolução das tendências ao longo das últimas décadas mostra algumas alterações: os carros cinzentos representavam 40,9% do mercado em 2000 e 38,6% em 2020; o preto manteve-se relativamente estável (26,1% em 2000 e 25,3% em 2020). Já o branco registou uma forte subida, passando de 6,2% em 2000 para 23,4% em 2020. Pelo contrário, o azul perdeu expressão, descendo de 16,5% para 6,8%, enquanto o vermelho se mantém estável, com uma presença entre 2% e 3%.
“A maioria dos condutores escolhe cores discretas, não quer sobressair. Há também uma razão prática: é mais fácil vender um carro cinzento ou preto do que um verde ou amarelo, já que a procura global por essas cores é maior”, referiu Matas Buzelis, especialista automóvel da carVertical.
Em 2024, o castanho foi a cor menos popular em Portugal, representando apenas 1,7% de todos os automóveis analisados pela carVertical.
Cores vivas e escuras exigem mais manutenção
Embora cada mercado automóvel europeu tenha as suas particularidades, a atitude face às cores é surpreendentemente semelhante em todo o continente. O cinzento, o preto e o branco dominam na maioria dos países analisados, enquanto as cores mais vivas são muito menos comuns. De um modo geral, os tons neutros são mais práticos e fáceis de manter.
“Com o tempo, os veículos de cores mais vivas, como vermelho, laranja ou amarelo, tendem a esbater com a exposição solar, pelo que não se recomenda deixá-los estacionados ao sol durante muito tempo. Este problema é particularmente evidente no sul da Europa, onde muitos veículos mais antigos apresentam a pintura desbotada”, explicou a CarVertical.
Ainda assim, as cores neutras também exigem cuidados. Os carros pretos são especialmente vulneráveis ao pó, aos dejetos de aves, a insetos e a folhas ou seiva das árvores, que podem deixar marcas na pintura e reduzir significativamente o valor do veículo.
“Cores como o cinzento e o branco disfarçam melhor o pó, os riscos e outros pequenos defeitos da carroçaria. Já num carro vermelho, até um ligeiro risco salta à vista. Quanto aos veículos pretos, exigem lavagens mais frequentes do que qualquer outro, e só parecem verdadeiramente limpos no próprio dia da lavagem”, afirmou.
A cor como elemento de identidade da marca
Segundo o especialista da carVertical, as cores escuras são frequentemente associadas a modelos de gama alta, por transmitirem uma sensação de luxo e exclusividade. No entanto, estes veículos são menos populares no sul da Europa, onde as temperaturas mais elevadas e o clima seco tornam esses tons menos práticos.
Os tons escuros são igualmente comuns em viaturas de transporte executivo, como transfers, limusinas e shuttles , porque passam uma imagem de elegância e correspondem às expectativas dos clientes mais exigentes.
“Os diferentes fabricantes de automóveis são associados a certas cores. Tradicionalmente, os italianos destacavam-se pelo vermelho, os franceses pelo azul, os britânicos pelo verde e os alemães pelo prateado. Essas tonalidades nasceram na era dourada do desporto motorizado e continuam a marcar presença em alguns modelos atuais”, finalizou.




