“Vamos continuar a ser uma empresa familiar”, Pneus do Alcaide

Há 45 anos no mercado, a Pneus do Alcaide celebrou recentemente uma aliança estratégica com o Grupo espanhol Soledad, o maior distribuidor ibérico de pneus, para constituir a sociedade Alcaide & Soledad Pneus e Mecânica. A ideia é reforçar a capacidade do serviço e melhorar o apoio a empresas, frotas e particulares, sem nunca comprometer a génese familiar da empresa, mantendo os valores que sempre a regeram, como afirma o administrador, David Laureano

Em 1981 a Pneus do Alcaide era uma pequena loja de comércio de pneus, em Porto de Mós, que “evoluiu de uma realidade local, para regional e agora para um nível nacional. Hoje somos daquelas empresas que estão nos 5% que duram mais de 20 anos e, depois, naqueles 3% que duram mais de 40”, congratula-se David Laureano, administrador da casa que assinala 45 anos em 2026, num crescendo contínuo. Dez anos depois da fundação, em 1991, o foco “passou para a recauchutagem, porque acreditámos que seria uma mais valia dentro da organização e poderíamos, de certa forma, criar uma oferta completa, principalmente para o setor de transportes e construção, desde os pneus novos – de todo o tipo e dimensões – à recauchutagem, que só fazemos para camião, portanto, jantes de 17,5, 19,5, 22,5”, conta, explicando assim o aumento da expressão nacional da Pneus do Alcaide.

Desde 2019 que David e a irmã, Jânia Laureano, assumiram a gestão da organização, após a saída do pai, Augusto Laureano. “Temos vindo a trazer o nosso cunho de gestão e de liderança, umas vezes com mais sucesso, outras vezes com menos, é um desafio constante”, refere o nosso interlocutor, que assume que mantêm “uma proximidade muito grande” com as pessoas com quem trabalham: “não temos hierarquias, temos um organograma muito horizontal, sem grandes distâncias. Procuramos estar muito próximos quando há tomadas de decisão, mas temos as coisas delegadas. As lojas e todos os departamentos da fábrica são autónomos, mas somos e vamos continuar a ser uma empresa familiar. É essa a nossa génese e, independentemente de onde estamos agora, nunca podemos esquecer de onde vimos, pelo que não temos qualquer intuito de abandonar esta forma de gerir e de liderar, mantendo os princípios e valores que nos trouxeram até aqui”, sublinha.

Parceria estratégica

A empresa chegou a contar com quatro lojas, mas, em 2024 encerrou a do Porto, zona onde pretende agora voltar, graças à parceria realizada com o Grupo espanhol Soledad, constituindo a sociedade Alcaide & Soledad Pneus e Mecânica, uma aliança estratégica que visa reforçar a capacidade de serviço no mercado português e melhorar o apoio a empresas, frotas e utilizadores particulares. Segundo David Laureano, esta parceria nasce de “um objetivo comum de duas organizações que encontraram valores idênticos e, obviamente, um grande grupo económico que queria entrar no mercado de retalho em Portugal. Nós sempre gostámos de parcerias e achamos que é assim que crescemos e que podemos aprender mais”, destaca o administrador da Pneus do Alcaide, que olha para esta aliança como “uma oportunidade para ambos, que trará mais cobertura territorial, com uma oferta profissional, mas também diferente, continuando a trabalhar os produtos de sempre. Não há aqui qualquer mudança de identidade ou de objetividade daquilo que é a Pneus do Alcaide. Há sim, uma organização nova da qual também somos donos, com o objetivo de crescer noutras zonas do país, onde, sozinhos, teríamos dificuldade e demoraríamos muito tempo lá chegar, e assim provavelmente iremos chegar mais rápido”, acredita.

Toda a área e estratégia comercial foi delineada pela empresa portuguesa, que conhece o mercado e pretende manter a oferta já disponível: “serviços de assistência de 24 horas, serviços de assistência local, carrinhas de assistência móvel em vários pontos do país, com o objetivo de crescer para outras zonas e com a oferta de recauchutagem para o mercado nacional a sair da nossa fábrica”. A Pneus do Alcaide passará também a representar as marcas do grupo Soledad, além das que já trabalham que, de acordo com David Laureano, “serão as que vamos impulsionar e promover no mercado, mantendo sempre os nossos objetivos com as primeiras marcas. Isto dá-nos uma vantagem competitiva, de poder oferecer ao cliente continuidade e qualidade de produto, acompanhar as novas tendências e a evolução tecnológica de outros mercados para trazer para o nosso, sempre muito próximo dos nossos clientes, com disponibilidade 24 horas. No fundo, é o fortalecimento do que já fazíamos, começámos pela zona norte, onde já estamos desde janeiro deste ano e o objetivo, depois, é estender a outras regiões do país”.

Oferta homogeneizada

A fábrica de recauchutagem, situada na Tremoceira, tem capacidade para produzir cerca de 12 mil pneus e, para já, o responsável garante que ainda há “bastante capacidade disponível”. Depois de, em 2025, terem registado uma quebra significativa na venda de pneus recauchutados com a saída do mercado do Porto, onde perderam “uma fatia interessante do mercado, que este ano queremos recuperar. Temos capacidade na fábrica para absorver mais procura, e temos estado a fortalecer as lojas e os carros de assistência móvel, de forma a dar uma resposta mais próxima e mais rápida aos clientes”.

Neste momento, têm em stock entre 1000 e 1100 pneus de pesados, para vendas médias mensais deste tipo que rondam os 800/900 pneus. Graças às entregas planeadas, a Pneus do Alcaide recorre também à rapidez das marcas, o que permite “alguma tranquilidade a nível da capacidade de fornecimento de stock aos clientes”. David Laureano esclarece que “há muitos anos que homogeneizamos a nossa oferta, trabalhamos o grupo Goodyear e outras duas ou três marcas onde pomos o nosso esforço, das quais procuramos fazer stock. Trabalhamos com algumas marcas asiáticas, às quais queremos dar continuidade, pois não gostamos de ter hoje uma marca e amanhã outra, porque isso criar-nos-ia instabilidade a nível de stock e a oferta que nós fazemos aos clientes é contínua”.

“O mercado conhece-nos e nós conhecemos o mercado”

Atualmente a Pneus do Alcaide tem três lojas abertas ao público: a sede, junto ao IC2, um posto na Benedita e uma loja mais pequena em Porto de Mós, que abriram há quase três anos e que só está dedicada aos pneus de ligeiros e mecânica rápida. A equipa é constituída por cerca de 30 pessoas, mais duas na Alcaide & Soledade, tendo optado por não ter um call center a funcionar. “Temos três comerciais na rua, mais cinco carros de assistência móvel e estamos a preparar outro para o serviço de OTR. A rede de clientes já é bastante alargada e temos trabalho diariamente para os carros de assistência, quer seja programado como serviço que aparece de um dia para o outro. Ao fim e ao cabo, estamos nisto há 45 anos, o mercado conhece-nos, nós conhecemos o mercado. Nós vendemos pneus novos, recauchutados e serviços”, declara, considerando, ainda assim, que a idade não é um posto e obriga a um trabalho constante: “temos que ir sempre à procura da necessidade do cliente e fazer-lhe um fato à medida. É o que nós gostamos e onde somos especialistas: a analisar uma frota, uma tipologia de trabalho e de serviço e tentar criar mecanismos que permitam que esta frota tire o máximo rentabilidade aos pneus, porque o pneu não é um custo, é investimento e as carcaças têm um valor no fim, pois precisamos delas para recauchutar, um pneu usado não é lixo”, relembra.

Neste momento a Pneus do Alcaide só faz recauchutagem de pneus para pesados, e trabalha com três linhas; Goodyear, Marangoni e Vipal, com a fábrica preparada para o sistema em anel. “Cerca de 90% da nossa produção é assim, o piso é centrado e colocado automaticamente como uma peça única, como um anel, sobre a carcaça. Não tem aquele corte de pegamento, é uma peça única como um anel colocada de forma automática em cima. Sempre trabalhámos assim. Vamo-nos adaptando às necessidades do mercado e acabamos por ter três níveis de oferta de preço no recauchutado, assim como nos pneus novos, porque o mercado asiático assim nos veio obrigar a fazer”, conta.

Leia a entrevista completa na edição impressa e online do Jornal das Oficinas º229, aqui.