O que esperar de 2021?

Se para alguns negócios a pandemia da Covid-19 trouxe novas oportunidades imediatas de aumento de vendas, para outros, manter a atividade rentável, tem sido uma prova de esforço e resiliência.
Para tomar o pulso ao mercado, durante os primeiros meses do ano recolhemos diversos testemunhos para uma melhor compreensão do mercado e dos desafios que se colocam às empresas.
Apesar da distribuição de peças e oficinas se terem mantido sempre em funcionamento, foi notória a descida de atividade devido ao confinamento nos primeiros meses da pandemia e durante este início de ano 2021 em que o país esteve novamente “parado”. A expansão do coronavírus desencadeou uma série de mudanças e transformações que, naturalmente, também tiveram impacto no aftermarket, que foi forçado a adaptar-se à nova realidade que enfrentamos.
Muito menos carros na estrada significa também muito menos carros nas oficinas e, por consequência, uma redução dos serviços de manutenção e reparação, e da venda de peças. Com menos carros, há menos colisões e acidentes o que significa menos negócio de reparação. No entanto, também se verifica um aumento do uso do carro particular pela relutância em usar transportes públicos o que pode contrariar algumas dificuldades de negócio observadas. Por outro lado, as circunstâncias da pandemia também trazem receio de que capacidade produtiva se veja repentinamente reduzida, no caso de um membro da equipa de trabalho testar positivo, afetando assim o negócio. Também se verifica que em situações de crise a manutenção preventiva sofre um decréscimo. Como ponto positivo temos de recordar que a atividade manteve-se aberta para todo o tipo de clientes e não apenas para os veículos afetos às atividades de emergência e combate ao Covid-19.
Durante o ano que passou, os resultados das oficinas foram díspares e diferentes da zona e do tipo de serviço prestado. As que apresentaram melhores resultados, foram aquelas que têm maior oferta em termos de serviços (Pneus e Mecânica) e da oferta de linhas de negócio (Veículos Ligeiros, Pesados, Agrícolas e Industriais). As oficinas que enfrentaram maiores dificuldades nesta pandemia foram os centros de oferta Mono-Serviço e Mono-Produto.
Durante o período de confinamento, muitas oficinas aproveitaram para introduzir melhorias no funcionamento do negócio. A primeira preocupação foi a saúde dos colaboradores e dos seus clientes, tendo sido criados protocolos específicos de medidas de Prevenção e Contenção da COVID-19, sempre suportado pelas informações das entidades de saúde oficiais.
Certos setores de negócio poderão ter diminuído devido a mudanças de hábitos causados pela pandemia. Mas, uma série de novas oportunidades de negócio e procedimentos começam a surgir, tais como: recolha e entrega de veículos no domicílio, digitalização de serviços, métodos de pagamento alternativos, novos serviços como por exemplo a higienização dos veículos com ozono e levar o carro à inspeção, que representa numa grande parte dos casos um momento de algum receio pela possibilidade de reprovação ou de alguma anomalia que possa ser detetada. Para que o cliente não tenha que se preocupar mais, a oficina realiza um diagnóstico Pré-ITV, para certificar de que o veículo está apto para passar na inspeção, e levamos o carro à inspeção.
Adaptar para sobreviver
Neste período, a oficina que melhor se adaptar aos novos conceitos que esta crise trouxe, será a que sobreviverá. Devemos estar atentos a todas as novas tendências que surjam no caminho, sobretudo devido à transformação no comportamento dos consumidores. É preciso complementar os negócios, sabendo fazer mais e oferecer novos produtos e serviços no setor.
Perante a situação que vivemos as oficinas têm que redefinir a estratégia, tentando reagir e responder às solicitações do mercado e às exigências dos clientes. Para além da disponibilização de equipamentos e materiais de segurança individual (álcool gel, máscaras de proteção individual, luvas, capas para banco do veículo, película de volante, tapetes, máquina de ozono), a oficina deve fazer uma grande aposta na definição, clarificação e difusão dos procedimentos de segurança a seguir, procurando com isto criar um ambiente seguro, adotando os procedimentos “Clean & Safe”.
Novos modelos de negócio
Os novos modelos de negócio, neste e em qualquer setor, passam pela evolução e desenvolvimentos dos próprios produtos/serviços. Assim sendo, necessariamente que a evolução do negócio das oficinas terá de acompanhar a evolução de um dos setores mais dinâmicos e inovadores, como é o setor automóvel. Imperativamente, até por estratégia e aposta em valores como a sustentabilidade e digitalização, as oficinas terão de acompanhar (ou mesmo antecipar) a evolução do híbrido, do elétrico e da condução autónoma. Desta forma, toda a atividade terá de estar sempre assente em muita formação e antecipação das necessidades e requisitos do cliente.
A digitalização dos negócios é uma inevitabilidade e cada vez mais transversal a todos os setores económicos e áreas de negócio. No caso das oficinas, não foi a pandemia que nos trouxe esta noção e orientação. Na realidade, a maioria das oficinas já estavam a trabalhar na mudança de alguns processos, mas aceleraram a rapidez com que o fizeram.
Tempos excecionais
Vivemos, sem dúvida, tempos excecionais. A necessidade de contenção da pandemia Covid-19 levou à imposição de medidas de confinamento radicais a nível global, com o desígnio de conter a crise de saúde pública e achatar a curva epidemiológica. No entanto, ao encerrar as economias para conter a crise de saúde pública, autoinfligimos uma crise económica de proporções históricas.
A maioria das empresas que navega nesta crise foi apanhada de surpresa. Afinal de contas ninguém conseguia prever que iríamos fechar o país e entrar em confinamento. Tudo isso fugiu ao controlo dos empresários. Como vamos responder vai ditar se iremos sobreviver ou abrir bancarrota nesta crise.
Para navegarmos neste mar turbulento precisamos de clareza. Clareza para nos dar a confiança e a certeza que necessitamos para tomar decisões difíceis e perceber o real impacto que as mesmas têm nos nossos negócios. Vivemos um momento crítico, de grande incerteza, com impactos que neste momento não conseguimos prever, com a rápida disseminação do COVID-19.
Reforçar o espírito de equipa
Uma vez que a situação é incerta e difícil de gerir, o mais importante é reforçar o espírito de equipa, encorajarmo-nos mutuamente, mantermo-nos unidos e enfrentarmos juntos esta situação. O setor não perdeu a sua capacidade de reação e as empresas estão a reorganizar-se e a adaptar-se à nova realidade. É um momento terrível e todos nós esperamos que passe o mais rápido possível. Vamos aproveitar o tempo para reunir energias e ideias para recomeçarmos ainda mais fortes e competitivos. Esta situação de emergência dá-nos a possibilidade de pensar no futuro e ser criativos, embora neste momento, a prioridade absoluta seja a segurança das pessoas, continuando a seguir escrupulosamente as diretrizes governamentais para minimizar os riscos.
Devemos colocar o valor da vida humana acima de tudo, e adotar um conjunto de medidas para minimizar os riscos de contágio tanto para a nossa família como para os colegas de trabalho e parceiros de negócio, diga-se clientes.
Nunca a sociedade portuguesa se uniu tanto para ajudar e cumprir com as recomendações do Governo e autoridades. Mas ficar em casa significa ter necessidade de receber mais e melhor informação. Um trabalho fundamental que o Jornal das Oficinas tem vindo a desempenhar transmitindo as opiniões dos players do setor sobre este período atípico que o mercado está a viver.
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