Economia circular nas oficinas

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São muito poucos os setores que estão sujeitos a tanta regulamentação como as oficinas de reparação automóvel. Para além das emissões de ruído, a saúde e segurança no trabalho, prevenção de incêndios, emissão de fumos, garantias, manuseamento de certos equipamentos e produtos, armazenamento e tratamento de resíduos… Um sem fim de obrigações fiscais e legais que colocam as oficinas no topo das empresas mais sustentáveis, e que foi tema no último podcast do JO. Poucos automobilistas estão conscientes do que significa o cumprimento destas obrigações legais e fiscais em termos administrativos, bem como em termos económicos, assim como poucos estão conscientes do que a oficina traz para a sociedade em termos de economia circular

Está na altura de começar uma viagem de consciencialização para um novo modelo de negócio em que a sustentabilidade é integrada na estratégia empresarial de forma transversal. As oficinas têm de promover e divulgar o seu importante contributo para a economia circular, pois os utilizadores cada vez mais estão a valorizar este compromisso e empenho nas empresas com as quais interagem. Numa altura de tantas mudanças, em que é tão importante escolher os parceiros certos, vale a pena a oficina associar-se a parceiros que não só estão determinados a fazer parte desta nova forma de entender o negócio, mas que compreendam a profunda mudança que ela implica e que podem ajudar os seus colaboradores a aderir, para que, para além de contribuírem para o ambiente, possam assegurar a sua viabilidade económica no futuro.

Os empresários do setor não são apenas garantes da segurança rodoviária, são também garantes da mobilidade das pessoas. Num parque automóvel tão antigo como o nosso, que já tem mais de catorze anos e continua a aumentar, a atividade das oficinas torna-se fundamental como garante da sustentabilidade. Se a economia circular não garantir o carácter duradouro dos veículos, com base na sua capacidade de reparação, estamos perante um problema de enorme gravidade. Porque não é só a venda de veículos novos com propulsores elétricos que contribui para o objetivo de reduzir as emissões. A reparação e reutilização de peças, é também uma medida de estímulo à economia circular.

A importante tarefa de reparação e manutenção, permite veículos mais duradouros e fiáveis, salvaguardando, ao mesmo tempo, a segurança rodoviária. O princípio da reutilização engloba o recondicionamento de peças usadas, a reparação de peças defeituosas e a remanufatura de componentes.

Para os veículos que estiveram envolvidos num acidente, muitas vezes não é economicamente viável substituir todas as peças defeituosas por novas. No entanto, as peças usadas (mais económicas) podem tornar as reparações uma opção sensata, resultando na continuação da utilização de veículos. O princípio da reutilização é também importante nos veículos elétricos, especialmente no que diz respeito às baterias de iões de lítio. A eliminação prematura das baterias não faz sentido nem do ponto de vista ecológico nem económico, uma vez que as baterias de alta tensão podem continuar a ser utilizadas mesmo após anos de utilização na estrada.

A sustentabilidade é cada vez mais importante, e tendo em conta que na generalidade das oficinas não é um valor que seja demasiado explorado, é também um possível elemento diferenciador em relação à concorrência. A questão não deve ser se a oficina deve tirar partido do que já faz a este respeito, que é muito mais do que por vezes parece fazer, para se diferenciar; a questão deve ser antes… qual é a razão para não o fazer? Marketing, redes sociais e a imagem corporativa da oficina são armas muito poderosas para divulgar as práticas sustentáveis da oficina, que têm como principal objetivo contribuir para um mundo melhor e para garantir um futuro em que haja recursos disponíveis para as futuras gerações.

Fique a par do artigo completo na edição impressa do Jornal das Oficinas de agosto/setembro, aqui.