“Antecipamos problemas para garantir soluções”, Escape Forte

Pioneira na reparação de filtros de partículas, a empresa Escape Forte continua a apostar na investigação e desenvolvimento de novos métodos e sistemas nesta área, oferecendo um serviço completo ao cliente. Recentemente iniciou a comercialização de turbocompressores, um complemento de negócio à atividade principal da empresa, que esteve em destaque na expoMECÂNICA, onde estivemos à conversa com o diretor-geral, Rui Lopes

A Escape Forte nasceu do sonho do falecido pai de Rui Lopes, corria o ano de 1975. “O meu pai era chefe da oficina do concessionário da Citroen e teve sempre a ambição de trabalhar por conta própria. Abriu a oficina na Maia, e dedicou-se apenas a chapa e pintura. Com o avançar da idade, começou a perceber que não queria crescer mais. Eu, na altura, estava a trabalhar com ele na parte dos pneus, e surgiu a possibilidade de aumentarmos a oferta para a parte dos serviços mecânicos”, conta o atual diretor-geral, Rui Lopes, lembrando que foi aí que se deu a viragem na empresa. Por volta de 2010, com o desinvestimento na área de chapa e pintura, a Escape Forte focou-se cada vez mais na parte da mecânica e «surge» o primeiro filtro de partículas para reparar, transformando-se rapidamente no atual core business da empresa.

“Fomos obrigados a crescer”

“Com a primeira peça que nos apareceu, tive inúmeras reclamações. Não havia solução, os parceiros que se intitulavam como reparadores, apenas limpavam ou lavavam. O serviço que nós hoje disponibilizamos aos clientes, que é o apoio pós-venda, não existia, então eu percebi que havia ali um nicho de mercado. Nós reparamos a peça e seguimos um caminho de apoio ao cliente, explicando o que tem de fazer antes e o que tem de fazer após a montagem”, explica o responsável, que não esquece a reportagem no Jornal das Oficinas que alavancou o crescimento da empresa da Maia. “Saiu a notícia de que havia uma empresa familiar na Maia que fazia reparação de filtros de partículas e isso difundiu-se. Fomos obrigados a crescer e a dar resposta, pois não estávamos preparados para tanta procura, nem sequer embalagens ou logística tínhamos, era quase tudo entregue em mãos”, recorda Rui Lopes. O ADN, esse, nunca se perdeu, pois o diretor-geral faz questão de seguir os ensinamentos do pai, que foram a base da fundação da empresa, há mais de cinquenta anos: “a seriedade e o trabalho. Somos uma empresa bastante humilde, recorremos a muitos parceiros para evoluir e fazemos um trabalho interno de tentativa e erro para perceber qual é o caminho mais correto. Destaco o empenho e dedicação de todos os colaboradores da empresa, que absorveram o ADN e o transmitem em cada setor da empresa,  comercial, técnico e logístico.”

“O segredo está no pós-venda”

Na Escape Forte não há truques na manga e Rui Lopes não hesita em explicar que o que os diferencia da concorrência é o acompanhamento ao cliente: “O segredo está no pós-venda, nas horas que passamos a explicar ao cliente, ao mecânico e muitas vezes até ao particular diretamente, qual é o problema, porque às vezes o problema não está no filtro de partículas ou na peça que nós comercializamos, está a montante, que é a parte da mecânica. Efetivamente, há muitos a fazer, mas poucos sabem fazer ou dar resposta ao problema”, entende o nosso interlocutor, que afirma ter “a felicidade de ter uma equipa capaz, que estuda a matéria e tenta perceber, caso a caso, o problema de cada peça. Consideramos que o filtro de partículas é o fígado do carro e, com a peça na mão, conseguimos perceber quais são os problemas mais graves que a viatura tem. Isso é o que nos diferencia daqueles que fazem muito, mas às vezes não sabem muito bem aquilo que estão a fazer”, aponta. Não se trata de falta de conhecimento, diz, “porque hoje já há mais formação, e quem não sabe ou não quer saber é por preguiça”, atira, notando que “muitas das vezes é o mecânico quase que se coloca no lugar do cliente, porque a conta vai ser elevada. E então, a partir daí, o negócio está perdido. Não se trata só do problema da peça que se vai reparar, é tudo o que está para trás. E nós temos que dizer ao nosso cliente, ‘atenção, que tem que ver os componentes, injetores, turbo, radiador, gás, escape, EGR’, ou seja, nós quase que somos os portadores da má notícia”. Na opinião de Rui Lopes, face à colocação de “uma peça que não é barata, tem de haver rigor, dizemos o que tem de ser feito antes da intervenção e após a reparação. Se não se resolverem os problemas que estão por detrás, a peça reparada vai voltar a ficar danificada, porém há clientes que acham que é uma perda de tempo, pois o que interessa é fazer a fatura e vender a peça”, lamenta.

Investigação própria

Para se destacar no mercado da reparação dos filtros de partículas, a empresa tem investido em investigação própria, trabalhando “com componentes nossos”, refere Rui Lopes, que não tem negado apoio a quem precisa. Por outro lado, antecipar a chegada dos filtros de partículas dos motores de gasolina permitiu à Escape Forte evitar qualquer tipo de transtorno e capacitar-se para resolver também esse problema, “falamos com os fornecedores e com os fabricantes e questionamos o que iria surgir. Quando saiu o primeiro filtro de partículas que deu problema, nós já tínhamos outro para substituir, pois fizemos previamente um estudo de diagnóstico para perceber o que causa o dano a esta peça que, no caso dos carros a gasolina, é uma abordagem completamente diferente”, esclarece. Na empresa trabalham 17 pessoas, das quais nove estão no departamento técnico para dar assistência aos clientes, sendo o conhecimento partilhado por todos: “Aquilo que eu sei, todos, mesmo da parte da oficina, sabem. As nossas oficinas não são incubadoras, mas passam por lá muitos problemas, em que nós ajudamos a identificar o que se passa. E 90% das vezes vai ao encontro aquilo que nós diagnosticamos, nem sempre é a peça em si. Isto é como o fígado, que quando está mal, se eu não deixar de beber álcool e de comer comidas gordas, até posso meter um fígado novo, mas se continuar com a má vida, vai voltar ao mesmo”, alerta. A Escape Forte ainda não oferece apoio remoto às oficinas, mas trabalha com parceiros que o fazem “e explicamos que nem têm que fazer esse serviço connosco, pois não faltam aí máquinas de diagnóstico devidamente capacitadas para tal. Lá está, assim como há um investimento nosso, da parte da oficina, quem está do outro lado também tem de fazer um investimento. E se o fizer bem, rapidamente vai recuperá-lo”, garante.

Aposta nos turbocompressores

Na expoMECÂNICA esteve em destaque a mais recente aposta da Escape Forte, que passa pela comercialização de turbocompressores. “É um complemento e nunca será o nosso core business, porque já há muitos players a fazer esse serviço, com muitos anos no mercado, que sabem perfeitamente o que fazer. Para nós é como anteciparmos problemas que são fáceis de resolver. Nós oferecemos o teste ao turbo no envio do filtro de partículas, ou do catalisador, e depois compete ao cliente se quer ou não fazer o serviço, ou seja, não é um negócio que nós procuremos alavancar, é mais uma forma de protegermos o nosso serviço”, explica Rui Lopes que vai levantando o véu sobre outros possíveis negócios na calha: “se nós conseguíssemos juntar o turbo aos injetores, às válvulas EGR e a tudo o que está a montante do filtro de partículas, seria o ideal, mas nós somos fiéis ao filtro de partículas”. Esta nova área de negócio foi, para o responsável, difícil de desbloquear, dado que não queria fazer concorrência a outras empresas, mas “cheguei à conclusão de que serei um 0,5% do mercado do turbo, pelo que, não será pela Escape Forte que os outros irão perder negócio. O investimento, para o volume de negócio de empresa não é muito elevado, é apenas um complemento ao nosso negócio”, afirma. Irão trabalhar com material original, “de qualidade e com garantia”, assegura. A Escape Forte também repara e comercializa depósitos de AdBlue e diversos componentes, sendo uma área complicada, onde o diagnóstico é peça fundamental para o processo. A empresa dispõe de pessoas capazes que impulsionam e dão todo o apoio técnico e comercial, dentro do possível, nesta área.

“A eletrificação não me assusta”

O futuro do setor automóvel não intimida Rui Lopes, que se mantém … leia a entrevista completa na edição impressa ou online do Jornal das Oficinas nº229, aqui.