Automóvel continua a dominar a Grande Lisboa

Automóvel continua a dominar a Grande Lisboa

Um estudo do Automóvel Club de Portugal (ACP) revela que 59% dos residentes da Área Metropolitana de Lisboa utilizam o automóvel como principal meio de transporte. Ainda assim, quase metade dos inquiridos afirma que recorreria mais aos transportes públicos se existissem melhores horários e maior frequência

Como avaliam os cidadãos a mobilidade no concelho onde vivem? Quais são os principais problemas? O que valorizam e o que esperam das políticas públicas? Estas são algumas das questões a que responde o estudo “Tendências Urbanas de Mobilidade na Área Metropolitana de Lisboa”, apresentado hoje pelo Automóvel Club de Portugal (ACP), numa sessão que contou com a participação do presidente do ACP, Carlos Barbosa, e do presidente da Área Metropolitana de Lisboa e da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas.

Realizado junto de 1.850 residentes dos 18 concelhos da Área Metropolitana de Lisboa (AML), o estudo traça uma radiografia da mobilidade na região, analisando hábitos de deslocação, utilização dos diferentes modos de transporte, segurança rodoviária, avaliação das políticas municipais e desafios para o futuro.

O automóvel continua dominante, mas há abertura para mudar

O automóvel continua a ser o principal meio de transporte dos residentes da AML. O estudo mostra que 59% dos inquiridos utilizam o automóvel como principal meio de transporte e 67% consideram-no o seu modo de deslocação preferido, sobretudo pela rapidez, praticidade e flexibilidade.
No entanto, os resultados demonstram que existe disponibilidade para recorrer mais aos transportes públicos. Quase metade dos inquiridos (48%) afirma que utilizaria mais este modo de transporte se existissem mais frequência e melhores horários, enquanto 31% apontam a necessidade de ligações mais diretas e com menos transbordos. Apenas 17% consideram a redução do preço como o principal incentivo, evidenciando que a qualidade da oferta continua a ser mais determinante do que o custo.

Trânsito, estacionamento e fiscalização entre as maiores preocupações

O excesso de trânsito (46%), a falta de estacionamento (42%) e a insuficiente fiscalização e presença policial (33%) são apontados como os maiores problemas sentidos pelos residentes. Além disso, 34% afirmam não mudar a sua forma habitual de deslocação por falta de alternativas convenientes, enquanto 22% referem a necessidade de flexibilidade e a falta de tempo. Apenas um quarto considera estar plenamente satisfeito com o modo como atualmente se desloca.

Oeiras, Barreiro e Cascais lideram a avaliação da mobilidade

Na avaliação das políticas municipais de mobilidade, Oeiras, Barreiro e Cascais surgem como os concelhos melhor classificados pelos residentes, enquanto Setúbal é o único município a apresentar um saldo negativo na avaliação global.
De forma transversal, os cidadãos consideram que a principal prioridade das autarquias deve ser o aumento da frequência e da fiabilidade dos transportes públicos, seguindo-se a criação de ligações mais diretas e rápidas e a redução do congestionamento automóvel.

Segurança rodoviária continua a preocupar

No domínio da segurança rodoviária, os residentes identificam a condução distraída (48%) e o excesso de velocidade (46%) como os comportamentos mais perigosos nas estradas. A maioria considera igualmente insuficiente a presença das autoridades de fiscalização, sendo o reforço da presença policial (30%) a medida mais apontada para melhorar a segurança rodoviária.

Mobilidade mais sustentável depende de melhores alternativas

Os resultados revelam também uma crescente preocupação com a sustentabilidade. Existe interesse em soluções de mobilidade mais limpas, nomeadamente no reforço dos transportes públicos elétricos, embora bicicletas e trotinetes continuem a surgir entre os modos de transporte menos preferidos para utilização diária.

Cerca de 29% dos inquiridos já possuem ou ponderam adquirir um veículo elétrico, enquanto o teletrabalho surge como uma das medidas mais valorizadas para reduzir a necessidade de deslocações.

O estudo “Tendências Urbanas de Mobilidade na Área Metropolitana de Lisboa” integra o Observatório ACP, uma estrutura independente promovida pelo Automóvel Club de Portugal, cujo Conselho Consultivo reúne as principais entidades nacionais ligadas à mobilidade, transportes, segurança rodoviária e ambiente. Através de estudos e de um barómetro permanente, o Observatório acompanha a evolução da mobilidade em Portugal, ausculta os cidadãos e produz conhecimento que apoia uma melhor compreensão dos desafios do setor e das políticas que impactam a utilização do espaço viário.