“É um orgulho ver de onde partimos e onde estamos hoje”, Autozitânia

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A celebrar 40 anos de atividade, a Autozitânia olha para um percurso marcado pelo crescimento, proximidade ao cliente e capacidade de adaptação às mudanças do aftermarket. Para Ricardo Venâncio e Miguel Venâncio, administradores da empresa, o aniversário é sobretudo uma oportunidade para reconhecer o percurso realizado e todos aqueles que contribuíram para ele

Quatro décadas depois de ter iniciado atividade com uma loja em Odivelas, a Autozitânia chega aos 40 anos como uma das empresas de referência do aftermarket em Portugal. A dimensão alcançada, com uma equipa de cerca de 300 pessoas, uma oferta que ultrapassa as 120 mil referências em stock e uma presença alargada no mercado nacional, contrasta com a pequena estrutura que esteve na origem do projeto. “É um orgulho ver o que se conseguiu, de onde se partiu e onde estamos hoje. Para o nosso pai e para os sócios foram 40 anos de uma vida de trabalho”, afirmam Ricardo Venâncio e Miguel Venâncio. Mas fazem questão de sublinhar que o crescimento nunca foi um percurso individual: “Ninguém alcança isto sozinho. Nunca é mérito de uma só pessoa, é mérito de uma equipa. Temos de agradecer aos colaboradores, clientes, fornecedores e a todos os parceiros que fizeram parte desta história.”

Entre os vários momentos que marcaram a evolução da Autozitânia, Ricardo Venâncio destaca a expansão da atividade a nível nacional e a criação de estruturas logísticas em diferentes pontos do país. Mas atribui particular importância à mudança, em 2016, para as atuais instalações da sede da empresa. Construído de raiz e pensado especificamente para responder às necessidades do aftermarket, o novo armazém representou uma mudança de escala e de filosofia operacional. “A vinda para este armazém, há dez anos, foi realmente marcante porque deu início a uma nova era. Tivemos a oportunidade de fazer um edifício de raiz, pensado para este negócio”, recorda. Outro momento determinante foi a entrada, em 2020, no universo AD. “Foi também um momento que nos define hoje. Somos uma empresa diferente pelo facto de pertencermos ao grupo AD. Temos um conjunto de novas oportunidades que, de outra forma, provavelmente nos passariam ao lado.” A este percurso juntaram-se operações de aquisição e integração de outras empresas, que permitiram aumentar a cobertura territorial e aprofundar a relação com diferentes segmentos do mercado.

Ser o parceiro global do cliente

A estratégia da Autozitânia está assente num conceito que Ricardo Venâncio sintetiza numa expressão: “one-stop-shop”. O objetivo é disponibilizar uma oferta suficientemente abrangente para que o cliente encontre num único parceiro resposta para grande parte das suas necessidades. “A ideia é o cliente só precisar de um fornecedor para todas as suas funções. Claro que é sempre mais fácil dizer do que fazer, porque ninguém consegue ter tudo. Mas queremos estar o mais próximo possível do cliente, ter apoio técnico relevante, formação, proximidade e uma diversidade e disponibilidade de stock acima da média.” No centro desta relação encontra-se um ativo que a administração considera fundamental: a confiança. “Queremos levar o cliente a pensar: ‘nem vale a pena procurar noutro lado’. É a confiança de saber que, connosco, está bem.” Esta filosofia é também uma das principais formas de diferenciação num mercado cada vez mais competitivo. Embora Ricardo Venâncio reconheça que outros operadores têm vindo a aproximar-se deste modelo, considera que a oferta global, a proximidade e a capacidade de resposta continuam a constituir pontos fortes da Autozitânia.

A capacidade logística é outra das bases da estratégia. Atualmente, a Autozitânia dispõe de mais de 120 mil referências em stock, reflexo de um parque automóvel cada vez mais diversificado e da necessidade de responder rapidamente às oficinas e restantes clientes. Miguel Venâncio resume a importância desta disponibilidade através de uma máxima simples: “Quem tem, vende. Quem não tem, passa ao lado de uma venda.” Mais do que o número absoluto de referências, é decisivo garantir que a peça está efetivamente disponível quando o mercado precisa dela. “É importante ter profundidade e disponibilidade de stock. Essas 120 mil referências têm de estar cá, porque, se não estiverem, não conseguimos vender.” A idade e heterogeneidade do parque automóvel português reforçam esta necessidade. Para o administrador, a disponibilidade imediata continua a ser uma das vantagens históricas do aftermarket independente, num contexto em que a concorrência não se limita aos restantes distribuidores e inclui cada vez mais os próprios canais das marcas automóveis.

Uma oferta para diferentes clientes

A amplitude do portefólio não se traduz apenas no número de referências. A empresa procura também trabalhar diferentes níveis de posicionamento, desde marcas premium e produtos equivalentes ao equipamento original até gamas quality e budget. “A conclusão a que chegámos é que há clientes para tudo. Se quiséssemos apenas maximizar o nosso proveito, provavelmente faria sentido concentrarmo-nos num número menor de marcas. Mas, quando queremos ser um fornecedor global, somos obrigados a ter mais marcas e faz sentido que assim seja”, explica Ricardo Venâncio. A escolha dos fabricantes tem hoje também em consideração a integração no grupo AD, privilegiando fornecedores referenciados pela organização e marcas reconhecidas internacionalmente, incluindo fabricantes presentes no equipamento original e grandes especialistas do mercado de reposição.

O objetivo é oferecer escolha ao cliente sem abdicar dos critérios de qualidade. “Damos estas armas aos nossos clientes para poderem desenvolver o seu negócio em qualquer parte do país. Se o cliente chega e pede determinada marca, queremos conseguir responder.”

A crescente eletrificação do parque automóvel coloca novos desafios a distribuidores e oficinas. Para a Autozitânia, a resposta começa pela análise do parque circulante e pela aproximação aos fabricantes capazes de fornecer soluções para as novas motorizações. “A preparação passa primeiro por uma análise cuidada do parque automóvel, por perceber o que anda a circular e por nos aproximarmos dos fornecedores que têm soluções para esses veículos”, explica. Ricardo Venâncio considera que distribuidores e fabricantes partilham o mesmo desafio. “Estamos todos no mesmo barco. Os nossos fornecedores também têm de encontrar peças e soluções para estes carros. Nós temos de nos ir adaptando a esta nova realidade.” A formação volta, por isso, a assumir um papel decisivo à medida que a eletrónica, o software, a programação e os sistemas de alta tensão ganham espaço nas oficinas.

Crescer sem perder o ADN

Depois de quatro décadas, a Autozitânia quer continuar a crescer, quer organicamente, quer através de novas oportunidades de aquisição e consolidação. Mas Ricardo Venâncio insiste que essa evolução deve preservar os princípios que acompanharam a empresa desde a fundação. “É manter os mesmos valores: a confiança com o cliente, o rigor no serviço, o compromisso com as pessoas e estar lá quando precisam de nós. É levar para o futuro os valores do passado, porque acho que continuam totalmente atuais.” Num setor em rápida transformação, fazer previsões para os próximos cinco ou dez anos tornou-se, admite, particularmente difícil. A direção prefere, por isso, concentrar-se em pilares que considera duradouros: confiança, formação, capacidade logística, digitalização, adaptação tecnológica e proximidade. “Temos de continuar a acreditar nos outros, trabalhar o melhor que conseguirmos e fazer com que as pessoas continuem a acreditar e a apostar em nós”, conclui Ricardo Venâncio.

Quarenta anos depois de uma pequena loja em Odivelas ter dado origem ao projeto, é precisamente essa combinação entre continuidade e transformação que a Autozitânia pretende transportar para a próxima etapa: preservar a confiança construída ao longo de quatro décadas enquanto prepara clientes, equipas e oficinas para um aftermarket cada vez mais tecnológico, digital e exigente.

A presente entrevista também pode ser lida na edição impressa e online do Jornal das Oficinas nº231, consulte aqui.

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