Lisboa recebeu líderes mundiais da mobilidade

Lisboa recebeu líderes mundiais da mobilidade

A Belron Conference 2026 reuniu em Lisboa mais de 2.000 participantes, entre líderes empresariais, fabricantes automóveis, seguradoras e especialistas internacionais, para debater os principais desafios e tendências que estão a transformar a mobilidade, a tecnologia e o futuro

A edição deste ano, mais do que uma competição pela excelência técnica, destacou-se pelo debate em torno das transformações profundas que estão a redesenhar a indústria automóvel e os modelos de negócio associados à mobilidade, tecnologia e Inteligência artificial, bem como as tendências de mercado atuais e as oportunidades num futuro próximo.

Carlos Brito, CEO da Belron, a quem coube abrir o ciclo de conferências, deixou clara a necessidade das “organizações responderem simultaneamente à aceleração tecnológica e à crescente exigência dos consumidores. A evolução da experiência do cliente, a digitalização dos serviços e a capacidade de adaptação surgiram como prioridades para os próximos anos”, enquanto Jorge Cardoso, diretor-geral da Carglass Portugal sublinhou as mensagens principais destes oradores de renome mundial, pelas palavras: “as mensagens que ficaram desta conferência são claras: a inteligência artificial, a transformação tecnológica dos veículos, a evolução das expectativas dos consumidores e o futuro do trabalho vão redefinir profundamente o setor automóvel nos próximos anos. Reunir em Lisboa especialistas de referência mundial para debater estes temas reforça o compromisso da Carglass e da Belron com a inovação e com a antecipação das tendências que irão moldar o futuro da mobilidade.”

A primeira conferência teve como orador o Futurista e Humanista, Autor e Diretor Executivo da The Futures Agency Gerd Leonhard, que abordou o impacto da inteligência artificial na sociedade e nos negócios. O especialista defendeu ainda que a próxima década será marcada pela convergência entre capacidades humanas e tecnologia avançada, e deixou o alerta para a importância de garantir que a inovação tecnológica continue orientada por princípios humanos e éticos.

Também o futuro do trabalho esteve em destaque com Heather E. McGowan, Futurista e Especialista em Tendências para o Futuro do Trabalho, que analisou o impacto da automação e da transformação digital nas competências profissionais. A futurista defende que a capacidade de aprendizagem contínua será um dos principais fatores diferenciadores das organizações mais competitivas. A necessidade de desenvolver talento adaptável e resiliente é ainda apontada como um desafio transversal a todos os setores económicos.

Quanto ao setor económico e panorama geopolítico, para Sven Smit, Senior Partner da McKinsey & Company, sublinhou que o mundo está a entrar numa nova era económica marcada pelo enfraquecimento dos tradicionais motores de crescimento que dominaram as últimas décadas, desde a globalização, às vantagens demográficas. Num contexto de crescente incerteza geopolítica e de transformação tecnológica constante, Sven Smit, defendeu que existem razões para otimismo. Através da Inteligência Artificial (IA), vão ser impulsionados a inovação e ganhos na produtividade que abre as portas parta uma nova fase de prosperidade global, desde que empresas, governos e sociedade consigam transformar os atuais desafios em oportunidades de crescimentos sustentável e inclusivo.

O futuro da mobilidade esteve igualmente no centro do debate. Bill Russo, Fundador e CEO da Automobility Limited, destacou que a indústria automóvel está a viver uma transformação sem precedentes, impulsionada não apenas pela eletrificação, mas também pela crescente importância do software, da Inteligência Artificial e das tecnologias de condução autónoma. Deixou ainda o alerta para o impacto crescente das questões geopolíticas no setor, defendendo que o futuro da mobilidade dependerá da capacidade das empresas desenvolverem parcerias globais que conciliem inovação, competitividade e segurança.

A perspetiva, e dados, da indústria seguradora foi trazida por Seth Ingall, ex-vice-presidente sénior, diretor de sinistros e administrador da GEICO, e por Christian Sahr, Managing Director da Allianz Centre for Technology (AZT). Numa altura em que os veículos se tornam cada vez mais conectados e autónomos, ambos destacaram que os dados e a tecnologia estão a transformar profundamente a gestão de risco e de sinistros. Christian Sahr alertou para o impacto crescente dos sistemas avançados de assistência à condução (ADAS) na prevenção de acidentes, mas também os novos desafios que estas tecnologias colocam em termos de reparação, custos e seguros. Já para Seth Ingall, é importante realçar a importância de combinar inovação tecnológica, conhecimento técnico e processos de gestão de sinistros cada vez mais suportados por dados, de forma a responder à crescente complexidade do ecossistema automóvel.

Houve ainda espaço para aprofundar o impacto da inteligência artificial na mobilidade, nos serviços e no setor segurador. Didem Ün Ateş, CEO da LotusAI, abordou a influência crescente da IA nos veículos atualmente em circulação, destacando a forma como esta tecnologia está a acelerar a evolução dos sistemas automóveis, da conectividade e da autonomia, com implicações diretas para fabricantes, reparadores e seguradoras. A perspetiva foi complementada pela Dra. Poppy Crum, neurocientista e tecnóloga internacionalmente reconhecida, que analisou a relação entre inteligência artificial, neurociência e tomada de decisão, ao explicar como os avanços tecnológicos estão a transformar a interação entre pessoas e máquinas. Em conjunto, as intervenções evidenciaram que a IA está já a redefinir a forma como conduzimos, trabalhamos, aprendemos e consumimos serviços, enquanto cria desafios em matéria de segurança, confiança e adaptação dos modelos de negócio.

A visão dos fabricantes automóveis ficou representada por Alberto de Aza, diretor-geral da BYD para Espanha e Portugal, que abordou a aceleração da adoção de veículos elétricos e as mudanças estruturais que estão a redefinir a competitividade da indústria automóvel mundial.

No âmbito dos consumidores, a evolução dos seus comportamentos foi outro dos temas centrais. Ken Hughes, Especialista em Comportamento do Consumidor e Comportamento Cibernético e Estratega de Experiência do Cliente apresentou uma visão sobre as novas expectativas das gerações digitais, sublinhando a importância crescente da personalização, conveniência e confiança nas relações entre marcas e clientes.

Já Carsten Kopp, Vice-Presidente e Diretor de Negócios da Bosch Mobility Aftermarket, analisou como a crescente sofisticação tecnológica dos veículos está a transformar o mercado de pós-venda automóvel, criando novas exigências ao nível da qualificação técnica, formação e utilização de ferramentas digitais.

Esta conferência decorreu em paralelo com a 13.ª edição do Best of Belron, a competição internacional que reuniu 30 dos melhores técnicos de vidro automóvel do mundo para demonstrarem competências em reparação, substituição de vidro e recalibração de sistemas ADAS. Entre inteligência artificial, novas plataformas tecnológicas, veículos cada vez mais conectados e um contexto geopolítico em transformação, a principal conclusão da Belron Global Client Conference foi clara: o futuro da mobilidade já deixou de ser uma tendência distante para se tornar uma realidade em construção. E, durante dois dias, Lisboa esteve no centro dessa conversa global.