Peças para veículos pesados – Mercado competitivo

O mercado de distribuição de peças aftermarket para veículos pesados continua a ser muito competitivo, com players importantes e crescimentos acima da média o que dá um sinal de extrema vitalidade do sector, embora as peças originais ocupem sem dúvida um espaço muito importante e vão continuar a ter preponderância.
O mercado de distribuição de peças para veículos pesados em Portugal é um mercado maduro com muitos players, muita experiência e competitividade, sendo muito exigente para os players, porque a esta realidade estão associados alguns problemas de fundo, desde logo o inevitável esmagamento das margens comerciais assim como a falta de rigor no controle de crédito. Estas são duas áreas que não podem ser usadas como argumento comercial.
A continua proliferação de pontos de venda de casa de peças, essencialmente no mercado multimarca, trouxe enorme pressão sobre os preços, descurando muitas vezes a qualidade, assessoria e garantias aos clientes. O mercado encontra‑se numa fase de grande saturação. A maior especialização e conhecimento técnico, associadas ao continuo investimento em novas tecnologias, no domínio do digital, em detrimento do negócio mais tradicional, passará a ser determinante neste sector.
Com a competitividade existente no negócio do aftermarket, e no sentido de alguém se poder diferenciar, a continua aposta na formação das equipas, tecnologia, capacidade logística e sua gestão eficaz, a par da assessoria e qualidade no produto, são fatores que determinam o continuo investimento. Fatores como o preço, deixaram há algum tempo de ser o mais determinante na decisão do cliente. A qualidade e garantia do produto vendido passarão a ser decisivas. O cliente hoje é profissional a 100%, efetua o diagnóstico das avarias de forma muito célere e quer ver o seu problema resolvido no mais curto espaço de tempo. A forma assertiva como a oficina resolve o problema, determina a sua rentabilidade, o que obriga todos os players de mercado a constantes investimentos em produtos de qualidade, tecnologia e apresentação de soluções integradas.
No que se refere ao aumento do preço das peças, é um processo inevitável, que já está a acontecer. Depois do efeito da crise pandémica, tem sido extramente difícil para todos os mercados e setores de atividade ajustarem‑se à disrupção que aconteceu em todo o setor produtivo do comércio de peças. O custo de transporte internacional, que na maioria dos casos mais que duplicou, o aumento da energia e combustíveis, associado ao facto da enorme transformação que o sector do emprego sofreu e ajustamentos a que as empresas foram sujeitas, está a inflacionar de forma considerável o preço das mercadorias. O condicionamento gerado pela disponibilidade do produto junto dos fabricantes, os quais lutam desesperadamente pela reposição de stocks a nível mundial, gerando também o efeito inflacionista que assistimos, conduz a um continuo e desafiante esforço de não passar esse efeito diretamente no preço de venda aos clientes. O que as empresas podem e devem fazer é estancar a margem nos níveis em que estão para que os seus negócios se mantenham viáveis. Para além disso têm que ser muito rigorosos na atribuição e controlo do crédito.




