ACAP, AFIA e MOBINOV debatem estudo da OIT

ACAP, AFIA e MOBINOV realizaram conferência de imprensa para divulgação do estudo apresentado pela OIT. Crescimento acima da média europeia, mais inovação, postos de trabalho estáveis e remunerações acima da média, foram alguns dos dados destacados
No seguimento do estudo apresentado pela OIT (Organização Internacional do Trabalho) a MOBINOV, Associação do Cluster Automóvel, a ACAP (Associação Automóvel de Portugal) e a AFIA (Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel) realizaram uma Conferência de Imprensa conjunta, terça-feira dia 21 de junho, na sede da ACAP, em Lisboa.
De acordo com Jorge Rosa, presidente da MOBINOV, que presidiu a esta conferência, é “importante reiterar o enorme respeito que temos pela OIT mas isso não nos pode impedir de mostrar o nosso desacordo” em relação ao conteúdo do relatório apresentado no passado dia 14 de junho, uma vez que “do nosso ponto de vista não apresenta o retrato real daquele que é um dos setores industriais mais relevantes para o país”.
O cluster da indústria automóvel em Portugal é um setor vital para a economia portuguesa, tendo representado em 2019, cerca de 17% do valor acrescentado bruto (VAB) total da indústria transformadora. De acordo com José Couto, presidente da AFIA, “o seu impacto é crucial para a economia nacional e reflete-se também na criação de emprego, sendo responsável por mais de 90 mil postos de trabalho em 2019 e 28% das exportações de bens transacionáveis a nível nacional.”
No âmbito da Conferência de Imprensa realizada ontem, José Couto destaca ainda que a indústria nacional de componentes automóveis registou entre o ano de 2015 e 2019 um crescimento anual de 8%, bem acima da produção automóvel europeia que se ficou por um aumento de apenas 0,3%.
Atendendo aos efeitos da pandemia de COVID-19 a performance deste setor em 2020 ainda que com o decréscimo de 13,6% e uma recuperação de 4% em 2021 continuou a evidenciar a competitividade e resiliência desta indústria. É importante referir que a produção automóvel europeia apresentou uma queda de 22% em 2020 e um recuo de 3,5% no ano passado.
Também no que se refere ao número de empresas existentes, importa destacar que o setor automóvel nacional agrega mais de 1.100 empresas, 350 das quais correspondem à indústria de componentes automóveis.
Outro dado que mereceu atenção estava relacionado com os postos de trabalho, uma vez que o setor apresenta um volume de emprego direto na ordem das 90.000 pessoas, sendo que a indústria de componentes automóveis emprega 61.000 pessoas, faturando 10,7 mil milhões de euros (2021), com uma quota de exportação superior a 80%.
É importante reter que a indústria automóvel cria empregos estáveis, qualificados e com remuneração de 13% acima da média verificada na indústria transformadora. E, em termos de investimentos, entre 2015 e 2020, a indústria de componentes para automóveis investiu 4,3 mil milhões de euros, ou seja, 16,8% do total de investimento da mesma indústria transformadora.
Também por tudo isto importa reter que este é um cluster estratégico para a economia portuguesa e que um estudo desta dimensão e realizado por uma entidade como a OIT tem um impacto muito significativo em termos nacionais e internacionais no que se refere à imagem do setor.
Ainda na conferência de imprensa, e de acordo com Hélder Pedro, secretário-geral da ACAP, “Portugal tem todas as condições para investir na eletrificação dos veículos, uma vez que tem toda a fileira para a produção de baterias». Aliás, segundo o representante da ACAP, o «problema não se coloca da parte da indústria mas sim, dos consumidores estarem preparados ou terem capacidade financeira para fazer esta mudança para os motores eletrificados”. Também por isto, é importante que o Governo tenha aqui uma intervenção.
Os representantes da MOBINOV, ACAP e AFIA referem que o estudo apresentado pela OIT está focado, exclusivamente, no CAE 29 daí que, avaliar a indústria automóvel apenas baseada no código da atividade económica é muito redutor e não representativa do setor, deixando de fora uma parte muito significativa das empresas.




