Distribuição prepara-se para nova era de exigência e regulação!

Num contexto de profunda transformação do setor automóvel, a distribuição de pneus enfrenta novos desafios ligados à sustentabilidade, digitalização, logística e qualificação dos recursos humanos. A CEDP – Comissão Especializada de Distribuidores de Pneus da DPAI/ACAP, acompanha esta evolução de perto e defende uma adaptação estratégica das empresas para responder às crescentes exigências do mercado e da regulamentação europeia
A Comissão Especializada de Distribuidores de Pneus (CEDP) considera que 2025 foi um ano de consolidação do trabalho desenvolvido junto das empresas do setor, num contexto marcado por profundas transformações ao nível da logística, da regulação, da sustentabilidade e da evolução dos canais de venda. Ao longo do último ano, a Comissão concentrou a sua atividade no acompanhamento permanente do mercado, reforçando o seu papel enquanto plataforma de reflexão, representação e partilha de informação relevante para os operadores da distribuição de pneus. Entre os principais temas acompanhados pela CEDP estiveram os desafios relacionados com a logística, a qualificação dos recursos humanos, a sustentabilidade e a crescente exigência regulatória europeia. A Comissão acompanhou ainda a evolução dos canais de venda e o impacto da transformação digital no setor, procurando sensibilizar as empresas para a necessidade de adaptação a um mercado cada vez mais competitivo e tecnicamente exigente. Um dos destaques do trabalho desenvolvido em 2025 foi a preparação de um plano de formação orientado para a segurança na operação em armazéns de pneus. A iniciativa pretende promover boas práticas, reduzir riscos operacionais e reforçar a qualificação dos profissionais que trabalham diariamente na área da distribuição. Segundo a CEDP, a aposta na formação e na prevenção é hoje um fator essencial para melhorar a eficiência das operações e valorizar os recursos humanos. Ao mesmo tempo, a Comissão manteve uma atenção permanente às iniciativas legislativas e regulamentares europeias com impacto previsível no setor. A monitorização da evolução regulatória foi considerada prioritária, sobretudo numa altura em que as empresas terão de responder a novas exigências em matéria de sustentabilidade, rastreabilidade e transparência ao longo da cadeia de valor.
Qualificação e digitalização como prioridades para o setor
Para 2026, a CEDP pretende dar continuidade às linhas de atuação já desenvolvidas, reforçando a divulgação de informação relevante e promovendo uma maior sensibilização das empresas para os desafios emergentes. Entre as prioridades para este ano destacam-se o acompanhamento das novas exigências europeias em matéria de sustentabilidade e rastreabilidade, o aprofundamento da análise sobre o futuro da distribuição de pneus e a promoção de boas práticas ao nível da gestão, da logística e da qualificação dos recursos humanos. A Comissão pretende igualmente fomentar o diálogo entre os diferentes agentes do setor, promovendo uma reflexão conjunta sobre temas como a digitalização, a cibersegurança, a eficiência operacional e a evolução do mercado. A crescente dependência de sistemas digitais e de plataformas de gestão coloca novos desafios às empresas, tornando essencial reforçar a preparação das equipas e garantir níveis adequados de segurança informática. A questão dos recursos humanos continua, aliás, a ser apontada como um dos maiores desafios para o setor. A escassez de profissionais qualificados, quer ao nível operacional quer ao nível da gestão, tem vindo a condicionar a capacidade de resposta das empresas e exige, segundo a CEDP, uma abordagem estruturada e de médio prazo. Ao nível operacional, a Comissão defende um maior reforço da ligação entre o setor e as áreas da mecânica e da mecatrónica, valorizando a componente técnica associada à atividade e tornando-a mais atrativa para novos profissionais. A modernização dos veículos, a crescente incorporação tecnológica e as exigências de segurança tornam indispensável a existência de equipas mais preparadas tecnicamente. No domínio da gestão, a CEDP considera igualmente necessário investir na formação dos quadros das empresas. Os atuais desafios do mercado exigem competências cada vez mais abrangentes em áreas como planeamento, controlo de custos, gestão logística, digitalização e gestão de pessoas. A capacidade de adaptação das empresas dependerá, em grande medida, da qualificação das suas equipas e da valorização do capital humano.
Adaptação será decisiva para o futuro da distribuição
No entendimento da Comissão, os distribuidores desempenham um papel central na cadeia de valor do setor dos pneus. São estes operadores que asseguram a disponibilidade de produto, a diversidade de referências e a capacidade de resposta às necessidades das oficinas e dos retalhistas. Num mercado caracterizado por uma crescente complexidade, os distribuidores assumem uma função essencial de proximidade e suporte ao cliente profissional. O futuro da distribuição dependerá, segundo a CEDP, da capacidade das empresas para se adaptarem a um mercado mais exigente, investindo em eficiência logística, digitalização, qualidade de serviço e qualificação das equipas. A rapidez na entrega, a capacidade de gestão de stocks e a qualidade do apoio técnico serão fatores cada vez mais diferenciadores. Entre os temas que mais preocupam atualmente o setor está a implementação da política europeia de prevenção da desflorestação (EUDR) e a crescente digitalização da informação associada aos produtos, incluindo soluções de identificação e rastreamento através de tecnologias como RFID. A CEDP considera que a evolução do enquadramento regulatório europeu aponta claramente para um aumento das exigências ao nível da rastreabilidade, da transparência e da sustentabilidade ao longo de toda a cadeia de valor. No caso específico da EUDR, cuja aplicação está prevista para finais de 2026, as empresas terão de reforçar os mecanismos de controlo da origem das matérias-primas, com implicações relevantes ao nível dos processos internos e da articulação com fornecedores. Ao mesmo tempo, a crescente digitalização da informação exigirá uma adaptação progressiva dos sistemas e procedimentos utilizados pelas empresas de distribuição. Para responder a estas exigências, será necessário investir na organização da informação, na integração de sistemas, na formação das equipas e na cooperação entre os diferentes agentes da cadeia de valor. A evolução dos canais de venda é outro dos temas em análise pela Comissão. A tendência aponta para uma maior integração de serviços e para uma crescente orientação dos operadores para soluções completas dirigidas ao cliente. As oficinas independentes e multimarca deverão manter um papel relevante, beneficiando da proximidade e da flexibilidade, enquanto as redes organizadas tenderão a ganhar maior expressão através da padronização de processos e do reforço da confiança junto do consumidor. Num mercado cada vez mais competitivo, a qualidade do serviço, a capacidade técnica, a eficiência e a proximidade ao cliente serão fatores decisivos para o sucesso dos diferentes operadores.
Maior segmentação da procura
Questionada sobre o crescimento das marcas Budget, a CEDP reconhece que, num contexto de maior sensibilidade ao preço, é natural que alguns consumidores procurem soluções mais económicas. Ainda assim, a Comissão sublinha que a decisão de compra continua a depender de múltiplos fatores, incluindo o tipo de utilização do veículo, a confiança no ponto de venda e a qualidade do aconselhamento prestado. Mais do que uma tendência uniforme, a CEDP identifica atualmente uma maior segmentação da procura, o que obriga as empresas a disponibilizarem uma oferta diversificada e uma maior capacidade de orientação do cliente.
Relativamente ao cenário para 2026, a Comissão considera que o setor poderá ser condicionado por fatores de natureza económica, regulatória e operacional. Entre os fatores positivos destacam-se a eventual estabilização das cadeias de abastecimento e a melhoria da eficiência e da qualidade de serviço por parte das empresas. Por outro lado, persistem fatores de pressão relevantes, como a evolução dos custos, o reforço das exigências regulatórias, a escassez de recursos humanos qualificados e a necessidade de adaptação a novos modelos de negócio. Ainda assim, a CEDP transmite uma mensagem de confiança aos profissionais do setor, defendendo que a capacidade de adaptação continuará a ser determinante para enfrentar os desafios dos próximos anos. A Comissão acredita que as empresas que conseguirem antecipar tendências, investir na qualificação dos recursos humanos, modernizar processos e reforçar a qualidade do serviço estarão mais bem posicionadas para aproveitar as oportunidades futuras.
Num período de transformação acelerada, marcado pela digitalização, pela sustentabilidade e pela crescente exigência regulatória, o setor da distribuição de pneus prepara-se para uma nova fase de evolução. E, para a CEDP, essa evolução passará inevitavelmente pela capacidade das empresas em conjugar eficiência operacional, inovação e valorização das pessoas.
O presente artigo está disponível no Anuário da Revista dos Pneus, aceda aqui.




