“Há que oferecer à oficina uma solução completa”, David Zapata, Delphi

Na Delphi, o grande interesse do momento são os “produtos eletrónicos, os sistemas eletrificados e produtos reconstruídos, que permitem dar uma segunda vida a muitas peças”. Segundo David Zapata, diretor da Delphi para Espanha e Portugal, a tendência de procura dos clientes tem-se focado em soluções “economicamente competitiva e ambientalmente sustentável”
Com os veículos a ter cada vez mais componentes elétricos e eletrónicos, “esta tecnologia avançada requer uma boa base de conhecimento para as poder gerir bem e oferecer um bom serviço ao cliente. À parte das peças, há que oferecer à oficina uma solução completa que lhe permita garantir serviço para o veículo desde que entra, até que sai, passando, por exemplo, por um bom diagnóstico do automóvel.
O conhecimento que implica a gestão de operações tecnologicamente mais avançadas tem um custo”. Na sua opinião, as empresas de distribuição têm seguido estratégias diferentes para se destacar no mercado, sendo importante “ter uma visão clara e fazer um processo contínuo de revisão de stocks. Ter o stock mal gerido pode causar um lastro económico muito pesado para a empresa”, alerta. Face à perda de rentabilidade consequente do envelhecimento do parque automóvel, Zapata recorda que “se olharmos um pouco para trás e compararmos a situação atual, já se nota uma tendência para rever alguns custos que podem comprometer a rentabilidade, como o caso das entregas. O imediatismo das entregas está a ser regulado há anos e estas entregas menos planificadas já não são uma percentagem tão elevada quanto antes. Também se vê uma clara tendência por parte dos distribuidores de dar mais importância a este assunto e elaborar políticas para o melhorar”, declara.
Sendo certo que o setor do aftermarket não foi um dos mais prejudicados com a pandemia, “conseguiu rapidamente voltar aos números anteriores. Agora mais do que um clima de euforia, há um crescimento positivo no mercado e nota-se que o setor está muito ativo, ainda que as circunstâncias sociais e económicas atuais deixem latente um clima de incerteza”, diz o diretor ibérico da Delphi.
Se a estabilidade vai durar, “é muito complicado de saber. Os últimos anos não foram de todo estáveis a nível económico e o próprio setor também está a fazer mudanças, mas as previsões em geral continuam a ser de crescimento tanto a curto como a médio prazo”, antevê. É determinante que os distribuidores “vigiem a margem do produto, mas ainda mais a rentabilidade final, sem descurar os custos de distribuição, gastos gerais e amortizações”.
Relativamente ao fenómeno da concentração, David Zapata comenta que “o mercado ibérico carateriza-se historicamente por estar muito segmentado. Esta concentração está a potenciar gran- des plataformas distribuidoras. É uma tendência que tem a sua lógica neste mundo cada vez mais globalizado onde tudo está cada vez mais conectado a nível internacional”, opina.
O responsável considera que estas alterações vão acontecer “de forma paulatina e durante muito tempo vão conviver várias tecnologias de propulsão e mobilidade. Não vai ser uma mudança do dia para a noite, mas pouco a pouco iremos vendo mudanças em diferentes aspetos”, finaliza.




