“O que nos distingue é que não quebramos a cadeia de distribuição”, José Carvalho, Romafe

03 - Jose Carvalho Romafe

A Romafe decidiu investir forte em novas marcas e num novo armazém, tudo a pensar no setor automóvel, de forma a que o cliente olhe para a empresa como um fornecedor global, em crescimento contínuo

José Carvalho, administrador, salienta a parceria com a GlobalOne, “uma aliada que nos permitiu chegarmos às melhores marcas e obter uma rede de relacionamentos e conhecimentos muito valiosa, permitindo-nos também ganhar competitividade e ter mais argumentos no setor”.

Em 2021, a Romafe anunciou a comercialização da marca TRW, com produtos de travagem e, posteriormente, a Valeo, tendo criado ainda uma parceria com a TAB, de soluções de baterias. A empresa é ainda distribuidora exclusiva da marca de óleos Rowe, um desafio que o responsável classifica como “difícil. Estamos a falar de um mercado onde existe uma panóplia grande de opções e, por isso, é necessário que tenhamos fortes argumentos para obtermos quota de mercado. Acreditamos no potencial da marca e conhecemos a sua qualidade, ainda estamos só no início”, garante.

A Romafe tem vindo a diversificar o seu portfólio de marcas para o aftermarket. Quais as mais recentes incorporações e novidades na vossa oferta de produtos?
Em 2021, anunciamos a comercialização da marca TRW com uma vasta gama de produtos de travagem e, posteriormente, a Valeo. Inicialmente, começamos por introduzir as embraiagens e sistemas de limpa para bisas e depois motores de arranque e alternadores. Mais recentemente, criamos parceria com a TAB, marca líder em soluções de baterias. Inicialmente, vamos apostar nas gamas para automóveis e veículos comerciais.

 Quais os grandes ensinamentos que a pandemia trouxe para a Romafe? A empresa saiu reforçada?
A pandemia foi quase como uma jornada que não sabíamos quando acabava, nem como. Quem conseguiu resistir e chegar ao fim “vivo”, saiu reforçado. Em momentos como este, é fulcral ter flexibilidade e agilidade financeira, aplicar uma liderança que proteja todos e, ainda mais importante, é preciso um propósito que nos faça superar todos os desafios com motivação. A Romafe tem uma estrutura sólida e que é difícil de abalar. Foram meses de incerteza, mas hoje olhamos para o futuro com uma grande ambição.

Decorrente de toda esta situação pandémica, os fornecedores estão a ter falhas de stock com alguma relevância. Que efeitos estão a sentir e que medidas foram tomadas para colmatar essas falhas?
Mesmo tendo um stock muito diversificado e extenso, não ficamos de fora dessas limitações. Foi importante analisar que hipóteses e alternativas tínhamos, como conseguíamos agir sem prejudicar o cliente. Preservamos muito a ligação fabricante – distribuidor – revendedor e isso sente-se nestes momentos. Felizmente, sempre tivemos e teremos fornecedores muito capazes que nos respondem eficientemente nessas situações.

Conseguir ter acesso a produtos premium a preços aceitáveis é um dos principais receios para o futuro. Considera que os preços das peças vão aumentar nos próximos tempos?
Lutamos todos contra a inflação e aumento de preços das matérias-primas que criam uma bola de neve e afetam todos. Contudo, A Romafe tem lutado contra o aumento de preços e não prevê aumentos. Contudo, é um fator que não está nas nossas mãos. Entregaremos a competitividade de sempre com as nossas soluções premium.

A perda de margem na comercialização das peças está a criar dificuldades às empresas de distribuição. Como se pode alterar esta situação?
Para que o mercado funcione, é necessário preservar e proteger todos os intervenientes. É necessário que todos apliquemos alguma ginástica financeira e contribuamos para que haja estabilidade. Só assim conseguiremos lutar contra as perdas de margem e impedir que alguém saia fragilizado. A preservação dos canais de vendas poderia ajudar a evitar a perda de margens. Contribuímos positivamente para isso porque vendemos exclusivamente à revenda, mas também temos sofrido com as políticas de outros distribuidores e marcas automóveis que ultrapassaram este canal e vendem diretamente às oficinas, esmagando as margens. Brevemente, poderão até mesmo ultrapassar as oficinas e atacar o cliente final. É preciso ter um cuidado redobrado com este tipo de políticas, pois não podemos passar por cima de todos, sem olhar a meios.

 Com o endurecimento da legislação em matéria da “segurança dos componentes”, a homologação de peças de substituição pode aumentar, designadamente para o sistema ADAS. Considera que esta situação pode condicionar a atividade dos distribuidores de peças aftermarket?
Não olhamos para a exigência na qualidade como um problema. Queremos ser um agente que coopera nesse sentido. Vivemos tempos em que se presta muita atenção à segurança e esse é o percurso certo. Se causará alterações? Provavelmente e não perderemos essa oportunidade. Teremos a capacidade de seguir o rumo do mercado.

A base do negócio pós-venda automóvel é o acesso à informação e aos dados. Como está a Romafe a adaptar-se e esta nova realidade?
Prestamos muita atenção aos dados e à informação, dando uso à que nos é fornecida e à que é gerada por nós. Neste caso, aplica-se ainda mais a expressão que diz que informação é poder, porque permite-nos analisar quais as soluções que melhor se aplicam a cada cliente.

A concentração do negócio da distribuição de peças é uma realidade. Considera que esta tendência vai continuar na Europa e em particular no nosso país? Quais as vantagens e inconvenientes da concentração do negócio de peças?
Uma concentração de negócio, seja em que setor for, obriga as empresas a diferenciarem-se. É necessário que haja uma proposta de valor que seja compreendido pelos nossos clientes. Esse tem sido o nosso objetivo: oferecer qualidade a preços competitivos, no tempo certo e respeitando as regras do mercado.

Estamos a assistir a uma polarização do parque, com um aumento dos veículos mais recentes (até 5 anos) e dos mais antigos (mais de 10 anos), enquanto o parque de veículos dos 5 a 9 anos está a diminuir. Que efeitos esta situação está a causar no comércio de peças?
Antes de pensarmos quais os efeitos causados por esta situação, devemos analisar os motivos por detrás. Consideramos que está a acontecer uma mudança de paradigma na comercialização e na propriedade dos veículos automóveis, que tem sido silenciosa, mas que já se reflete profundamente nos dados.

Os veículos elétricos requerem menos manutenção do que os veículos a combustão. Como a Romafe está a preparar-se para compensar as perdas de faturação que estes veículos vão originar?
Na última entrevista à Romafe, referi que esse seria precisamente um dos desafios do futuro. Essa é uma transição que demorará tempo e com uma perspetiva a médio-longo prazo, visto que os automóveis a combustão ainda estão para durar. Juntamente com os fabricantes de peças automóveis, conseguiremos adaptarmo-nos e servir o mercado consoante as suas necessidades.

Quais serão as maiores ameaças e, por outro lado, quais serão as maiores oportunidades de toda esta evolução do negócio aftermarket?
As alterações de mercado representam sempre uma oportunidade para quem for capaz de se adaptar e uma ameaça para quem, por outro lado, não acompanhar o setor. Ainda existem muitas incertezas, começando na dúvida sobre se os veículos elétricos serão mesmo o futuro.

Tendo em conta a sua experiência no setor da distribuição de peças, que análise faz do mercado de distribuição de peças automóvel em Portugal e como vê o futuro dos canais aftermarket e de peças originais?
Considero que estamos no momento de todos refletirmos o nosso posicionamento no mercado. Quando digo todos, estou a referir-me a fabricantes, distribuidores e casas de revenda, pois só em conjunto conseguiremos atacar as mudanças que considero ameaças reais e que já fomos referindo ao longo da entrevista – os fabricantes de automóveis, a mudança no paradigma da propriedade e a falta de respeito pelos canais de venda.

Se tivesse de destacar um ponto que distingue a empresa, qual seria?
O que nos distingue é que não quebramos a cadeia de distribuição. Apenas vendemos à revenda e queremos transmitir essa confiança a todo o mercado.

E internamente? Que políticas caracterizam a Romafe?
Transmitimos os valores que caracterizam a Romafe a todos os colaboradores. Gostamos de oferecer uma estrutura que potencialize o valor de cada um, bem como um ambiente benéfico de trabalho. Preocupamo-nos seriamente com o seu bem-estar porque são o ativo mais valioso da empresa.

É de conhecimento público que a empresa atua em dois setores de atividade distintos. Como é que a empresa tem feito essa gestão? Qual a sua perspetiva futura relativamente ao volume de negócios que os setores representarão?

Apesar de serem setores distintos, existem fatores que se combinam e que permitem uma boa sinergia. A paixão, determinação, caráter e rigor, entre outros fatores, mantêm-se e são alguns dos motivos que tornaram a Romafe reconhecida e uma empresa prestigiada no mercado. Iremos dar continuidade a esses altos padrões. A empresa irá continuar a crescer como um todo.