ACAP faz balanço anual do mercado

O Balanço Anual do Mercado Automóvel em Portugal, apresentado pela ACAP, evidencia um setor em recuperação, mas ainda marcado por desafios estruturais relevantes. Um dos principais pontos destacados é a elevada carga fiscal sobre o automóvel em Portugal, superior à verificada em muitos países produtores da União Europeia, o que afeta a competitividade do mercado nacional e condiciona o desenvolvimento da indústria
No segmento de ligeiros de passageiros novos, as vendas superaram as 225 mil unidades, revelando recuperação face ao período pós-Covid, embora ainda distantes dos picos históricos do setor. A eletrificação surge como um dos aspetos mais positivos, com os veículos elétricos a ultrapassarem as 52 mil unidades e a representarem mais de 23% das matrículas, posicionando Portugal entre os mercados mais avançados da Europa neste indicador. Contudo, esta evolução contrasta com a insuficiente rede de postos de carregamento, ainda abaixo da média europeia.
Outro fator de preocupação é o crescimento das importações de viaturas usadas, que já representam mais de metade do mercado e apresentam idade média elevada, contribuindo para o envelhecimento do parque automóvel nacional. Atualmente, a idade média dos veículos ligeiros ronda os 14 anos, o dobro do registado em 2000, o que compromete metas de descarbonização e eficiência energética. Assim, apesar dos sinais de dinamismo e modernização tecnológica, persistem obstáculos fiscais, infraestruturais e ambientais que exigem medidas estruturais para garantir um desenvolvimento sustentável do setor automóvel em Portugal.
ACAP defende plano de incentivo ao abate
A ACAP defende a reintrodução de um novo programa de abate de veículos em Portugal semelhante ao que vigorou em 2009. Com um parque automóvel envelhecido e poluente – 1,6 milhões de automóveis têm mais de 20 anos de idade – e com o aumento de importados usados, é urgente lançar um plano destinado a adquirir ligeiros de passageiros ou de mercadorias, veículos elétricos ou eletrificados assim como com motores de combustão de baixas emissões e com primeira matrícula portuguesa.
A ACAP propõe que o novo programa contemple o abate até 40.000 veículos em 2026, com um valor médio de incentivo de 4.000 euros por veículo, que será majorado para 5.000 euros, no caso de o veículo a adquirir ser eléctrico (BEV). Este programa contribuiria para uma poupança energética de 3,2 milhões de litros de combustível/ano (o equivalente a 33.200 barris de petróleo) e à emissão de menos 10.800 de toneladas de CO2/ano.
Reforma da fiscalidade automóvel é prioridade
Os novos desafios económicos, tecnológicos e ambientais exigem uma reforma da fiscalidade automóvel. Torna-se essencial adequar o enquadramento fiscal à realidade atual do setor automóvel, até mesmo para responder aos desafios que Portugal enfrenta em relação a países produtores, como a Espanha e a Alemanha, por exemplo, onde a fiscalidade automóvel está mais alinhada com a transição ambiental e a competitividade fiscal.
A ACAP defende uma reforma que promova a renovação do parque automóvel nacional, com a substituição de veículos antigos e poluentes por modelos mais eficientes e menos emissões de CO2, a tributação da propriedade e utilização, em vez da enorme carga fiscal na aquisição e que tenha a equidade fiscal como princípio estruturante.
Matrículas de veículos novos superam números da pré-pandemia
As matrículas de ligeiros de passageiros novos aumentaram 7,3% em 2025 em comparação com o ano anterior, totalizando 225.039 veículos. Este valor supera, pela primeira vez, os números da pré-pandemia, pois em 2019 o total de matrículas foi de 223.799.
Nos veículos elétricos, atingiu-se um novo recorde, com 52.256 matrículas, o que compara com as 41.757 registadas em 2024. Em Dezembro de 2025 matricularam-se 5 590 ligeiros de passageiros novos elétricos, o valor mais alto de sempre. No total do mercado de ligeiros de passageiros, os elétricos representaram 23,2% das novas matrículas registadas no ano passado.
Emprego aumenta no setor automóvel
Em relação ao balanço apresentado em 2024, os números do Instituto Nacional de Estatística e da ACAP mostram que o sector criou mais emprego, aumentou o volume de negócios e registou mais empresas. No emprego, o número de trabalhadores no sector passou de 167 mil para 176 mil, o volume de negócios passou de 42,6 mil milhões de euros para 45,8 e o número de empresas passou de 35 000 para 37 000.
Em termos globais, em Portugal, o sector automóvel representa 11,7% das exportações nacionais de bens, 3,6% do emprego empresarial e 2,3% do total de empresas. O sector gera 11,8 mil milhões de euros em receitas fiscais para o Estado e o seu volume de negócios representa 8,0% da facturação da totalidade das empresas.
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