Mercado europeu de usados entra em 2026 num equilíbrio frágil

02 - Mercado europeu de usados entra em 2026 num equilibrio fragil

O mercado europeu de automóveis usados iniciou 2026 com sinais de estabilização, embora continue marcado por fragilidades estruturais, com Portugal a acompanhar a tendência observada a nível europeu

De acordo com relatório do Observatório INDICATA de janeiro de 2026, o setor já não se encontra em contexto de crise, mas permanece distante de uma recuperação sólida. Após vários meses de pressão na oferta e forte volatilidade nos preços, o mercado revela agora um esforço de ajustamento, condicionado pela escassez de viaturas usadas mais recentes e pelo abrandamento da liquidez em alguns segmentos.

“Estamos a assistir a uma transição de uma resposta de crise para uma disciplina estratégica”, comentou Andy Shields, diretor global do INDICATA. “Os profissionais enfrentam agora o desafio de interpretar sinais ténues num mercado sustentado pela resiliência dos motores de combustão interna e desafiado pela imaturidade das motorizações eletrificadas”.

Combustão mantém liderança, eletrificados com desafios

Os veículos com motor de combustão interna continuam a dominar o mercado europeu de usados, tanto em volume como em liquidez. Os modelos a gasolina e gasóleo registam, de forma consistente, os prazos de venda mais curtos na maioria dos países. Os híbridos elétricos não plug-in apresentam uma dinâmica de revenda estável, enquanto os híbridos ligeiros continuam a ter dificuldades em afirmar-se como alternativa clara.

Já os veículos elétricos a bateria e os híbridos plug-in evidenciam alguma melhoria nos prazos de venda, sobretudo devido a correções nos preços. Apesar disso, mantêm níveis de liquidez inferiores e continuam sob pressão nos valores residuais, numa altura em que o volume de stock cresce mais rapidamente do que a procura.

Stock e incerteza política

O relatório indica que, apesar de o nível global de inventário aparentar estabilidade, existem riscos específicos por segmento, sobretudo nos veículos eletrificados e nos modelos mais antigos. Em mercados como a Alemanha e os Países Baixos, o stock de BEV continua a aumentar acima da procura, exigindo uma gestão mais ativa de preços e inventário.

A evolução das políticas públicas surge também como fator de incerteza. A reintrodução de incentivos aos veículos elétricos na Alemanha poderá pressionar novamente os valores dos BEV usados, enquanto a redução gradual dos benefícios fiscais na Noruega poderá desviar parte da procura para o mercado de usados.

Portugal segue tendência europeia

Em Portugal, o mercado de automóveis usados reflete o mesmo equilíbrio frágil observado na Europa. Os veículos com motor de combustão interna continuam a liderar em volume e rapidez de venda, enquanto os modelos eletrificados revelam uma adoção gradual, com prazos de venda mais longos e procura seletiva.

Os preços no retalho registam apenas aumentos moderados. Em janeiro de 2026, Portugal apresentou uma subida de 2,0 pontos percentuais face a janeiro de 2020, sinalizando uma fase de estabilização que, segundo a INDICATA, pode ocultar desequilíbrios relevantes entre diferentes segmentos do mercado.

A nível europeu, o Volkswagen Golf, o T-ROC e o Peugeot 208 lideram em volume entre os automóveis com menos de quatro anos. Por sua vez, o Tesla Model Y surge no topo do ranking de velocidade de venda, seguido do Model 3 e do BYD Seal U