“Queremos, cada vez mais, ser uma marca premium”, KROFtools

A KROFtools acaba de inaugurar novas instalações com 6.000 m2, equipadas com um sistema robotizado de armazenagem AutoStore, que permite a otimização de processos logísticos, uma melhor gestão do stock disponível e uma economia assinalável de espaço. O diretor-geral da empresa, José Bárbara, traçou-nos o cenário atual da empresa e falou sobre os investimentos que tem feito
As novas instalações dão o mote para a visita do Jornal das Oficinas à sede da KROFtools, em Barcelos. O investimento, superior a cinco milhão de euros, vai dar à empresa “outra capacidade de entrega, rapidez e fluidez nas encomendas, porque tínhamos seis armazéns diferentes e aqui conseguimos concentrar tudo”, explica José Bárbara, adiantando que conseguem, assim, ter “um espaço maior, pois já tínhamos constrangimentos de stockagem e de preparação de encomendas” e picking todo robotizado. Em breve serão instalados painéis solares no local e farão a aquisição de baterias, “para ficarmos autónomos a nível energético”, numa altura em que também já têm faturação eletrónica e estão a acabar com o papel nas operações diárias, numa estratégia de sustentabilidade.
Em nome próprio
Fundada em 1989 como Crofil, a empresa lançou a marca própria KROFtools – Professional tools em 2008, o mesmo nome que viria a assumir oficialmente em 2020. Hoje, a KROFtools emprega 46 pessoas e está presente em trinta e sete países, com distribuidores. Tem no terreno dois comerciais em Portugal, outros dois em Espanha e mais um para acompanhar a expansão internacional da marca, cujo nível de projeção e de aceitação “está a ser muito positivo”, considera o responsável, indicando que não faz parte dos planos fazer venda direta às oficinas, continuando apenas a comercialização através de parceiros distribuidores. A aposta na marca própria é vencedora e José Bárbara não tem intenção de divergir para outras, preferindo, de forma clara, aumentar a panóplia de produtos disponíveis, se assim se justificar. A seu ver, a marca já esteve “mais focada no preço, no início”, mas nesta altura, o gerente assume que o objetivo é “aumentar a qualidade para sermos mais solicitados a esse nível, pois queremos, cada vez mais, ser uma marca premium. Lançámos a linha Proline, para ter resposta para clientes mais exigentes”. Atualmente a marca abarca a maioria das ferramentas oficinais, faltando apenas a linha de ar comprimido, “que é um sonho por concretizar”, mas que precisa ser “um passo bem estruturado”, diz-nos o responsável, que afirma que “agora também vamos começar a penetrar mais na parte das ferramentas elétricas, porque cada vez temos mais equipamentos com baterias, que estão a ser mais usados do que a linha de ar. A linha de ar tem um consumo bastante grande, a manutenção do compressor também é grande e se houver uma fuga, o custo para uma empresa é enorme e, nesse caso, a bateria torna-se a melhor opção”, defende.
Atenção redobrada no pós-venda
Em Portugal, a empresa dispõe de seis técnicos para dar assistência pós-venda, ao passo que em Espanha, é uma empresa externa que colabora com a KROFtools, tanto nas montagens como no serviço de assistência. Segundo José Bárbara, “este é um fator que nos preocupa bastante e há sempre aqui um técnico alocado da empresa para dar resposta. Temos um canal aberto para quem quiser ligar e tirar dúvidas e temos cá sempre o técnico para poder dar esse apoio”. Em termos de garantias, a empresa repara na sede os equipamentos que é possível deslocar até lá, senão, a equipa vai às instalações dos clientes, ou envia novas ferramentas, quando estas não têm reparação. Já nos países em que estão representados com distribuidores, a KROFtools dá formação e tem previsto montar um centro de formação próprio nas novas instalações “para podermos dar formação aos nossos distribuidores, na parte mais pesada da elevação, onde vamos ter as máquinas todas montadas para fazerem as ligações, perceberem os problemas que podem ter e tudo mais. Temos feito formações internas, quando o cliente pede e já temos um auditório criado, para que os clientes possam cá vir e dar a formação aos clientes deles”, afirma o nosso interlocutor.
Mercado a crescer
Durante o primeiro trimestre de 2026, a KROFtools registou um crescimento das vendas face ao período homólogo do ano anterior. “Não tivemos quebra de faturação, pelo contrário, temos tido sempre uma evolução e em alguns mercados externos estamos a crescer bastante, se calhar porque somos novos lá e chegamos com outra vontade e postura”, diz José Bárbara. No entanto, os mais recentes conflitos internacionais já estão a causar impacto nas operações da empresa, pois “com os preços dos combustíveis, dos transportes e da logística a aumentar, já estamos a sofrer com isso, pois já tivemos aumentos de custos com os transportes na ordem dos 16% e, infelizmente, teremos que refletir isso aos nossos clientes, que irão refleti-los ao consumidor. Para o futuro, não consigo perspetivar, mas, até agora, temos crescido neste primeiro trimestre”, assinala o diretor-geral, que nota que o setor está numa fase em que muitas pessoas “estão a precisar de trocar ou recondicionar os equipamentos das oficinas. Desde 2018 que temos vindo a retirar as máquinas antigas e a colocar equipamentos novos, é um processo em evolução”. Além disso, a KROFtools está também a preparar a entrada das normas de máquinas para 2027, “para estarmos acautelados, e já adotámos pelo menos uma delas, pois deixa de ser obrigatório o uso de papel para o livro de instruções, basta um código QR em que o cliente faz o scan. Para nós, que estamos a traduzir 12 línguas, se for preciso editar alguma coisa ou se houver uma alteração, é-nos muito mais fácil do que estar a reimprimir tudo, agora estamos nessa transição”, exemplifica.
De fora da concentração
À semelhança do que acontece no mercado das peças ou da repintura, também nas ferramentas se sentem os movimentos de concentração do mercado. Visto por alguns como oportunidade ou como tábua de salvação por outros, o fenómeno da consolidação é encarado por José Bárbara como “inglório, para quem só vende ferramentas, perante um grupo de peças, que incorpora máquinas e ferramentas só pelo preço, sem olhar a margens. Isso destrói o mercado. Às vezes somos abordados por alguns grupos de centrais de compras, mas não nos queremos envolver, porque podemos criar atritos em várias zonas onde temos distribuidores, que só trabalham ferramentas e isso pode afetá-los, por isso preferimos ficar de fora, porque é bom pelo volume de negócio, mas é muito prejudicial pelo tratamento que dão ao produto”, analisa, considerando que muitas vezes o comercial “nem percebe de ferramentas, está só a vender pelo preço e porque é um complemento daquilo que ele conhece, que são as peças, é o que temos visto”. Pelo segundo ano consecutivo, a KROFtools venceu o troféu TOP100 de Melhor Distribuidor de Equipamentos, depois de vários anos a garantir o pódio, de forma contínua. O diretor-geral da empresa afirma que “honramos muito o prémio com que o Jornal das Oficinas nos distingue, e é com muito orgulho que o recebemos. Para este ano, o objetivo é voltar a conquistar o troféu”, conclui.




