ARAN junta setor automóvel para debater o futuro

“Juntos Criamos o Futuro” é este o mote da Conferência dos 85 anos da ARAN, que se realizou hoje, em Vila Nova de Gaia. O Jornal das Oficinas esteve presente e acompanhou de perto os temas mais relevantes, nacionais e internacionais, do ramo automóvel
Rodrigo Ferreira da Silva, Presidente da ARAN, fez as honras de boas vindas a todos os presentes e não quis perder a oportunidade de saudar o trabalho da associação ao longo dos últimos anos: “O futuro não se observa à distância, ao longo destes 85 anos, nunca deixámos de cumprir a nossa missão, garantir a mobilidade”. De ressalvar que Rodrigo Ferreira da Silva, assumiu a direção da ARAN em 2019.
De seguida, foi a vez de Yang Yirui, Embaixador da República Popular da China, fazer o balanço do mercado de veículos elétricos (VE) chineses na Europa. Segundo o mesmo, “em 2025 as marcas chinesas de VE venderam cerca de 230 mil veículos na Europa, o que se traduz num crescimento de cerca de 60% ”. Já em Portugal, “foram vendidas 11 900 unidades”. Para Yang Yirui, estes números, são o reflexo da confiança que os utilizadores têm nos veículos chineses. O Embaixador acredita que os VE “conquistaram o mercado português pela inovação tecnológica”.
“China: A nova superportência do setor automóvel” foi o painel seguinte que contou com a presença de Charlotte Brix Andersen, Diretora da Phileas, que residiu nos últimos anos na China e deu o seu parecer, com base na experiência vivida, sobre a expansão dos veículos chineses em todo o mundo. Para Charlotte, os números relevados acima, são o reflexo do “baixo preço; boa qualidade; software projetado; dispositivos especiais e enorme capacidade de produção”, dos carros chineses.
Geert Brummelhuis, Manager Automotive Retail na BOVAG, confirmou estas qualidades mas alertou para a importância da reputação das marcas, afirmando que a China tem vindo a conquistar o seu lugar pelo preço e pela qualidade mas também pela reputação. Na sua perspetiva, se o crescimento das marcas chinesas continuar acentuado, prevê-se que em 2030 “10% das vendas na Europa serão chinesas”.
Irina Palhão, Costumer Relationship Manager Jato Dynamics, liderou de seguida uma mesa redonda baseada nesta temática que contou com a presença de Ricardo Manuel Lotra, Sales Manager & Network Development MG Motor Portugal; Jan Oehmicke, Administrador do Grupo Jap e Rui Gonçalves, Administrador do Grupo Gocial.
Na perspetiva de Jan Oehmicke para as marcas europeias conseguirem competir com as marcas chinesas, temos que ser “mais rápidos e menos pragmáticos. As marcas chinesas querem atingir os objetivos muito rápido, não perdem tempo, quando há um problema, resolvem-no na hora.”
Já Rui Gonçalves, concorda com o colega de mesa mas acrescenta a ‘lentidão dos europeus: “Os chineses demoram oito meses a desenvolver um carro, a Europa demora oito anos, isto quer dizer muito”. Para Rui Gonçalves, “A Europa tem que se adaptar mais rapidamente e tem que ser mais flexível”.
Ricardo Manuel Lotra, muito direto, afirma: “Enquanto estivermos a estrangular o negócio com normativas, estamos a matar os fabricantes europeus”.
A última parte da convenção contou com uma visão 360º do setor automóvel, moderada por Nalina Kará, Diretora Geral da VERA Intelligence for Business, debatida por Franscisco Coutinho, Diretor Geral da MCoutinho Usados; João Laranjeiro, Used Car & Manager BYD Europe; Lucía Bonilla Martinez, Presidente da Motormind e Paul de Vries, Dutch Automotive Expert & founder of #DCDW.
Na visão de Francisco Coutinho, “a digitalização do processo de compra e a importância crescente da gestão de dados” foram dois dos elementos que mais alteraram o setor automóvel aos dias de hoje. Mas não os únicos, o Diretor Geral de Usados, destaca os recursos humanos como o elemento essencial para fazer a diferença dentro do seu negócio “apesar da tecnologia ser importante é o talento das pessoas que nos faz ser diferente”, garantiu.
João Laranjeiro, representante da BYD Europe, destacou a viragem dos veículos elétricos como a grande mudança do setor automóvel. A BYD está presente em 34 países e prepara-se para chegar à Europa, com a construção de uma fábrica, perto de Budapeste. O representante, aproveitou a apresentação, para revelar que a marca vai inaugurar na China, postos de carregamento ultra rápidos que farão carregamentos dos 10% ao 70% em apenas 5 minutos.
Também a Inteligência Artificial (IA) tem sido uma das ‘culpadas’ pelas várias mudanças que têm existido dentro do setor automóvel. Lucia Bonilla Martinez criou há cerca de dois anos, uma plataforma de Motormind, trata-se de uma solução de pré-peritagem com avaliação de danos de carroçarias mediante IA. Esta solução, permite à equipa de suporte do OEM ficar livre para se concentrar em 20% de casos que realmente requerem intervenção especializada.
Paul de Vries, terminou esta sessão, explicando como tem acompanhado os seus clientes a converter leads em vendas. Num mundo cada vez mais digital, uma das maiores mudanças no setor automóvel, têm sido os consumidores. Hoje em dia, é difícil vender um carro sem que esse mesmo consumidor não tenha feito pesquisas online. Por isso, na perspetiva do orador, é necessário ser rápido e fazer um bom acompanhamento de leads, segundo o fundador da #DCDW um “concessionário automóvel não pode ganhar no offline, sem ganhar no online”, garantiu, deixando uma ressalva “as pessoas vão sempre querer comprar a pessoas, desde que os preços sejam aceitáveis”.
O Jornal das Oficinas esteve à conversa com Rodrigo Ferreira da Silva, Presidente da ARAN, aceda a esta entrevista exclusiva, aqui.
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