“É uma grande vantagem estarmos ligados à MAN”, Hydraplan

Parceira de serviço de assistência da MAN Truck & Bus, a Hydraplan fez recentemente 20 anos e há dois que recebe o troféu TOP 100 de Melhor Oficina de Pesados. Hoje faz parte da NEXT SGPS, SA e tem instalações em Alverca, Loulé e Mérida (Espanha). Conversámos com Rui Gomes, responsável de pós-venda da empresa, que nos contou os principais desafios da Hydraplan

Fundada no final de 2005, a Hydraplan nasce como marca exclusiva da MAN Truck & Bus, que “precisava de pessoas com experiência para pegar no pós-venda”, começa por nos contar Rui Gomes, responsável de pós-venda da empresa, adiantando que o desafio foi lançado “a algumas pessoas que vinham, naquele tempo, da Cimpomóvel. O trabalho que foi feito permitiu dar uma volta de tal forma, que hoje a MAN é uma das marcas que mais vende, mas teve uma evolução muito grande. Eles apostaram muito nos concessionários e, felizmente, nós estivemos presentes quase desde o arranque dessa transformação”

Crescimento do negócio

Inicialmente, a Hydraplan estava localizada no centro de Alverca, num espaço alugado. Com o progresso do negócio, compraram as atuais instalações, onde estão desde 2014. O crescimento trouxe-lhes a representação de outras marcas: além da MAN, da qual faziam vendas e pós-venda, tinham também a Mazda e a Volkswagen Veículos Comerciais. Mais tarde, por estratégia da MAN, os concessionários deixaram de fazer vendas e a Hydraplan passou a ser apenas responsável pela manutenção dos veículos da marca. A necessidade de realocar as pessoas que estavam responsáveis pela área das vendas, a par de um convite simultâneo da Ford Trucks, fez com que a Hydraplan desse um novo salto qualitativo.  “Criou-se outra empresa, a OneShop, para não haver conflito de interesses com a Ford Trucks. Neste período, criou-se o grupo NEXT, que é uma SGPS e conta também com uma imobiliária, porque estas instalações foram compradas, assim como as do Algarve e as de Leiria”, explica, revelando que “agora com estes temporais sofremos muito, foi muito duro! Só para ter uma ideia, estima-se que sejam mais de 2 milhões de euros para recuperar tudo e a equipa que estava lá, para não parar, teve que vir aqui para Alverca”.

No total, o grupo tem cerca de 200 colaboradores, sendo que só da Hydraplan, em Portugal, são 97, dos quais 80 em Alverca e os restantes em Loulé. Mais recentemente, em 2019, a Hydraplan aventurou-se além-fronteiras, em Mérida, na Extremadura espanhola, pois “o concessionário que lá estava faliu e convidaram-nos a nós, que aproveitámos e foi a melhor aposta! Isto ajudou-nos a crescer e temos tido uma parceria muito, muito positiva com a equipa que lá está, que tem funcionado muito bem”, nota Rui Gomes, referindo que “havia o receio de irmos trabalhar com o mercado espanhol, com espanhóis, mas tem sido um verdadeiro sucesso, tanto é que foram inauguradas novas instalações em 2024, e são das melhores da MAN na Península Ibérica. Com uma equipa boa e instalações modernas, temos notado um incremento do negócio”.

A MAN como ponto forte

O responsável de pós-venda da Hydraplan não hesita ao afirmar que “é uma grande vantagem estarmos ligados à MAN, que é uma marca com muita visibilidade. Eles têm vendido muito e, nos últimos anos, começaram a ter também muito sucesso nos veículos comerciais ligeiros”, diz-nos. A parceria com a MAN garante agenda cheia à Hydraplan, que dá resposta aos contratos de manutenção da marca. “Tenho de enaltecer o dom que a MAN tem, de conseguir quase sempre que os clientes comprem os veículos com o contrato de manutenção agregado, que é algo em que todas as marcas, em geral, têm apostado muito. Isto faz com que nós tenhamos sempre trabalho, com o ponto mais negativo, que é o facto de, obviamente, estarmos a falar de margens muito mais reduzidas, o que tem de ser muito bem gerido para que as coisas corram bem”, esclarece o nosso entrevistado. Os contratos de manutenção e as garantias são 50% do negócio, mas, dentro da disponibilidade, a Hydraplan recebe todo o tipo de clientes do mais pequeno ao grande frotista, numa média de vinte folhas de obra por dia.

A empresa acompanha a MAN na senda da digitalização, muito graças à tecnologia implementada que os interliga. “Através do Service Care, nós temos acesso a alertas das viaturas que estão alocadas à nossa zona de influência (de Santarém até ao Algarve), que nos dizem se o veículo precisa de mudar pastilhas ou óleo, por exemplo. É um desafio a que estamos a tentar responder e que permite que liguemos para os clientes a avisar que têm um serviço para fazer em breve e para perguntar se querem marcar já. O problema é que muitas vezes os nossos clientes têm dificuldade para parar os carros e é quase até chegar ao limite. Conseguimos, com alguns clientes, marcar 2 ou 3 semanas antes, até para permitir que o nosso próprio serviço se possa organizar. Das vinte obras diárias, temos dez a doze marcações efetivas, para deixarmos espaço para situações que vão aparecendo, para conseguir ter disponibilidade para tudo, não é fácil”, assume. Fora de portas, a Hydraplan faz assistência móvel, com várias carrinhas: uma no Algarve, duas em Alverca e ainda “uma equipa disponível para entregar peças na estrada, se for necessário”.

Dificuldades na contratação de pessoal

A nível de serviços, a Hydraplan dispõe de mecânica, chapa e pintura, com Rui Gomes a realçar aquele que é um problema transversal a este setor: “É impressionante a dificuldade que nós temos para arranjar pessoas para trabalhar na chapa e pintura. As pessoas que estão nesta área já estão envelhecidas e prestes a reformarem-se. Não há quem responda a entrevistas, e estamos sempre a tentar as contratações, mas sem resultados!”, lamenta o responsável, declarando que “em Alverca há 18 funcionários produtivos, duas chefias – o chefe da oficina e o chefe das equipas – mais cinco pessoas na receção, um experimentador, três rececionistas puros e um mais ligado ao backoffice de faturação”. Além disso, a Hydraplan gere uma parte da frota da Carris, com 300 autocarros à responsabilidade, pelo que conta com quatro equipas permanentes, nas oficinas da Musgueira (Alta de Lisboa), Pontinha, Miraflores e Cabo Ruivo. A empresa tem ainda um acordo com uma empresa de formação, que está ligada à Câmara de Comércio Luso-alemã, “e essa parceria tem corrido muito bem, colocamos todos os anos um estagiário aqui em Alverca. Esta é a ligação que temos para atrair pessoas, começámos há dois anos e o técnico ficou aqui, hoje já consegue fazer trabalhos sozinho, foi uma aposta fantástica! Se ele estiver disponível no final do curso dele, obviamente iremos contratá-lo”, assegura o responsável de pós-venda.

Oficina premiada

Há dois anos consecutivos que a Hydraplan recebe o troféu TOP 100 para Melhor Oficina de Pesados, promovido pelo Jornal das Oficinas, o que, no entender de Rui Gomes, “é sempre um bom motivo de orgulho, resultado do trabalho que tem sido feito. Isto é um esforço da equipa toda, pois só aqui chegamos a este nível com o empenho que todos eles têm neste negócio e na manutenção e reparação das viaturas. Temos uma equipa jovem e, às vezes, é difícil atrair pessoas, mas quem vem gosta. Nota-se que se sentem motivados e tentamos que isto também seja um incentivo para eles. Ainda há pouco tempo tivemos aqui gravações do programa «Alguém tem de o fazer», da RTP, e eles participaram como mecânicos de camiões e percebe-se que é uma coisa que lhes enche o ego”. No que respeita à formação, a Hydraplan faz habitualmente ações de formação internas, para cerca de 20 pessoas. “Para dar mais resposta a todas as exigências técnicas, como não podemos mandar os mecânicos todos para fora na mesma altura, temos um dos chefes de oficina que vai às formações e depois prepara a formação interna”, explica.

Olhos no futuro

A Hydraplan faz stock de peças nas instalações, mas só trabalham com peças de origem. Há já muitos anos que utilizam peças MAN reconstruídas ou recondicionadas e agora contam com as peças MAN ecoline, que “são peças com outro fabrico, que servem para conseguir um preço melhor, para viaturas mais velhas, de forma a conseguirmos mantê-las durante mais tempo”, afirma Rui Gomes. A sustentabilidade faz parte do dia a dia da empresa, que já instalou painéis solares e tem acordos com várias empresas para fazer a recolha dos resíduos “e manter as instalações o mais «clean» possível. Somos uma empresa certificada, pela qualidade, e da higiene, antigamente tínhamos um funcionário que fazia a limpeza da oficina e agora contratámos uma empresa externa, para tentar o melhor possível manter os espaços limpos. Fazemos auditorias mensais, para saber como é que as coisas estão a correr, e todas as semanas temos reuniões à sexta-feira com as chefias da oficina, e com toda a equipa, onde se abordam vários assuntos e em que é exposta também a questão do ambiente, tentamos que todos interiorizem esse hábito”, diz o responsável.

Com a MAN a crescer, também a Hydraplan tem conseguido acompanhar com um crescimento na faturação. As contas de 2025 ainda não estão fechadas, porém Rui Gomes espera algum crescimento”. Para fidelizar os clientes, a Hydraplan alinha-se com o fabricante de camiões, dando eco às campanhas de serviço e de peças. Sobre os planos a médio e longo prazo, o responsável afirma que “não temos nenhum segredo, estamos na expetativa de ver o que vão ser as viaturas elétricas. Estamos a acompanhar, é uma coisa muito embrionária, é um processo muito mais lento nos camiões. Já estamos a ter formação e temos investimentos em ferramentas e numa área isolada, para dar assistência a estes veículos. Estamos a preparar-nos com uma série de equipamentos de manutenção e diagnóstico e já temos reparado aqui viaturas elétricas, mas se calhar não representa nem sequer 1% da frota que aqui vem. Ainda é muito cedo para saber o que o futuro nos reserva”, finaliza.

A presente entrevista também está presente na edição impressa e online do Jornal das Oficinas nº228, aceda aqui.