“Estamos abertos a novas parcerias, porque acreditamos que é esse o caminho”, Centrocor

A Centrocor, localizada em Penafiel, tem vindo a diversificar a sua atividade para áreas como a mecânica ou a bricolage, assumindo-se hoje como um fornecedor de soluções completas. Inaugurou novas instalações em 2023, com 4.000 m2, mas já tem em vista um novo aumento do espaço e não está fora de hipótese adquirir outras empresas, para continuar a crescer. Para falar sobre tudo isto e muito mais, entrevistámos o gerente, Álvaro Magalhães e Agostinho Matos, diretor comercial

Dedicada desde 1982 ao comércio de tintas, máquinas e ferramentas para o ramo automóvel, a Centrocor tem vindo a alargar o espetro de atuação, contando, mais recentemente, com um complemento àquela que é a sua principal aposta. Além da repintura automóvel, a empresa comercializa também tintas e acessórios para a indústria e construção civil, num extra “que acaba por maximizar as vendas”, começa por esclarecer o gerente, Álvaro Magalhães, que nos diz que a parte da construção e bricolage “são máquinas e produtos de qualidade premium, pois não temos material de baixa qualidade, que seja procurado pelo preço”. Com uma visão estratégica de futuro, o responsável acredita que, mais importante do que os produtos que vendem, serão os serviços que oferecem que irão fazer a diferença no mercado

Abertos a novas aquisições

A empresa inaugurou novas instalações em 2023, com 4.000 m2 e espaço para showroom, armazém, área técnica e um centro de formação, mas a ideia é continuar a crescer. “Temos ainda 2.000 metros de terreno que já fazem parte da empresa, que é terreno rústico, estamos a passá-lo para urbano e vamos tratar de fazer um novo armazém, que pode até ser automatizado. Vamos ver como evoluem as coisas, nomeadamente a área da oficina, para reparações internas e peças, pois começámos com um profissional há cinco anos e hoje já temos três. A oficina vai crescer muito e eu acredito que a nossa empresa vá ser muito mais procurada por serviços do que propriamente pelas vendas”, considera Álvaro Magalhães. Entre a sede, em Penafiel, e a loja, em Guimarães, trabalham 27 pessoas, não estando fechada a porta a novas aquisições e abertura de outras filiais. Segundo o gerente, “já adquirimos três empresas e, se houver oportunidade estamos abertos a novas parcerias e aquisições, porque acreditamos que é esse o caminho. O nosso país é tão pequeno que, muitas vezes, o negócio limita-nos de ser competitivos. Portanto, acho que isso vai acontecer, mais tarde ou mais cedo, depende também da evolução do mercado”.

Oficina chave na mão

Entre produtos, equipamentos e serviços, a Centrocor está hoje capacitada para montar toda uma oficina, “desde uma simples chave de fendas, até ao equipamento mais elaborado, excetuando a parte da obra civil”, conta-nos Agostinho Matos, diretor comercial, que refere a Spies Hecker como marca bandeira da casa, a par de várias outras “marcas reconhecidas, internacionais, como 3M, ou mesmo a nível nacional, por exemplo, a Indasa, ou a Carsistema, que são muito reconhecidas no mercado. Hoje, somos conhecidos por ter produtos de alta qualidade, de marcas de topo e conseguimos fornecer soluções completas, por isso, um cliente que trabalha connosco não precisa de outro fornecedor”, sublinha. No âmbito do pós-venda, a Centrocor conta com técnicos internos e externos, na repintura e não só, para assegurar uma assistência “muito próxima dos clientes, dando apoio e formação, seja no próprio local do cliente ou aqui nas nossas instalações. O nosso core-business é a repintura automóvel e vamos sempre apostar muito aí, no entanto, iremos continuar a explorar outras áreas, nas quais também temos condições muito boas”, explica Álvaro Magalhães, com Agostinho Matos a acrescentar que “começámos, de há uns anos para cá, a pensar na parte do bate-chapa, que é uma secção bastante abandonada dentro da oficina. Os profissionais tinham poucas ferramentas e eram muito artesãos e agora começam a surgir novas ligas de alumínio, ligas de aço, e nós conseguimos encontrar soluções tanto em equipamentos como em processos de trabalho, casando marcas. Por exemplo, conseguimos juntar a 3M, com a Telwin na soldadura, depois com a CMO, que são equipamentos para cravar, que é uma solução muito emergente”, revela.

O segredo é a rentabilidade

O trabalho da Centrocor tem-se focado em ajudar os clientes a melhorar os “métodos de rentabilidade dos processos, com acompanhamento, formação, planos com as equipas técnicas e até desenvolvimento de softwares próprios para acompanhar os nossos clientes. Este é o futuro, trabalhar sobre rácios de rentabilidade, saber o que se gasta em cada processo e qual o impacto daquilo que me compram, que muitas vezes dizem que é muito caro”, nota o diretor comercial, com o gerente a dizer que “temos tentado inovar, porque temos um know-how de 44 anos e conseguimos arranjar soluções muito mais próximas das pretensões dos clientes. O processo que se utiliza numa oficina, se for implementado noutra, pode não ter os mesmos efeitos. Então nós fazemos auditorias, vemos o que existe e, em função disso, arranjamos um fato à medida para essa oficina. Tem sido isso o sucesso de alguns negócios ultimamente”. Por outro lado, os softwares são peças-chave no trabalho da Centrocor, que consegue perceber exatamente onde é que cada oficina pode melhorar e ganhar mais dinheiro. Depois do «boom» das oficinas dos anos 90, “em que a gente já nem vendia, era o cliente que comprava por telefone, até”, os dois responsáveis sentem que muitos dos equipamentos de trabalho estão a ficar obsoletos e atravessa-se uma fase de renovação dos mesmos. “As cabinas de pintura de agora não têm nada a ver com as de antigamente. Uma cabina para tintas aquosas tem que ter muito mais fluxo de ar e melhor isolamento do que as anteriores, de solventes, essas cabines estão ultrapassadas”, afirma Álvaro Magalhães.

Aposta na formação

Em 2025, passaram pela Centrocor cerca de 300 formandos, naquela que é uma das vertentes mais notórias da empresa. “Temos um calendário dinâmico e vamos introduzindo algumas formações, conforme é necessário, para conciliar com o cliente, se for preciso, ao sábado, até, temos essa versatilidade”, diz Agostinho Matos, com Álvaro Magalhães a adicionar que “no ano passado tivemos um calendário muito extenso, que foi difícil de cumprir, mas tem sido um sucesso, as pessoas ficam muito satisfeitas, porque, por exemplo na parte do bate-chapas, a maior parte dos técnicos trabalha há 30 e 40 anos e nunca foram a uma formação. Se queremos ter pessoas nesta área de negócio, temos que as valorizar e não é só dar só mais salário, é muito mais do que isso. A formação é uma maneira de o fazer; nos dias de hoje, as condições de trabalho, o ambiente de trabalho, os colegas, têm mais peso do que o valor do salário”, defende. A seu ver, a aposta na formação “também nos ajuda a nós a depois não haver problemas de pintura ou de maquinaria. Se damos uma formação para aplicar bem o produto, não vai haver reclamações porque não funcionou bem”.

Assistência pós-venda

A Centrocor tem uma oficina montada, onde há três técnicos a reparar máquinas, além de outros que estão no terreno para realizar reparações corretivas e preventivas, de forma a garantir que os equipamentos operam nas melhores condições durante o máximo de tempo possível sem avarias. “Só colocamos o selo e o certificado depois de verificarmos item a item o que a máquina precisa e o que leva, antes de mais, para cumprir a lei. São revisões em que se gasta um pouco mais, mas depois gasta-se menos no dia-a-dia”, diz o gerente, Álvaro Magalhães, com Agostinho Matos a confidenciar que este “é um tema bastante delicado nesta área, porque há uma diferença entre uma verificação funcional e uma revisão. Nós não fazemos verificações funcionais, fazemos um serviço de verificação e revisão”. Já na parte do pós-venda das tintas, a empresa também assegura apoio aos clientes e tem dois técnicos afinadores e dois técnicos que andam por todo o país, para tratar desta área.

Consolidação necessária

Com o mercado da repintura automóvel a assistir à fusão de algumas empresas, Álvaro Magalhães e Agostinho Matos mostram-se abertos a essa oportunidade, como já referimos anteriormente. Caso surja, seja por aquisição ou por fusão, referem, será um caminho que não hesitam em seguir, “porque é uma forma de rentabilizar melhor o trabalho, é inevitável, pois hoje o transporte tem um peso muito grande no preço final de um produto. Se eu mandar vir um camião de produto, decerto, ele custa menos 10%, 12% ou 15% do que custaria se mandar vir uma palete por mês. As margens também estão muito reduzidas e quem não tem escala, mais tarde ou mais cedo, ou não passa daí, ou acaba por ser adquirido por outra empresa”, termina o Álvaro Magalhães.