Repsol prevê investir 10 mil milhões de euros até 2028

03 - Repsol preve investir 10 mil milhoes de euros ate 2028

A Repsol anunciou um plano de investimento entre 8,5 e 10 mil milhões de euros para o período 2026-2028, com mais de metade do montante destinado a projetos na Península Ibérica

Segundo a petrolífera espanhola, 55% do investimento será aplicado em Espanha e Portugal, enquanto 34% será direcionado para os Estados Unidos.

De acordo com a atualização dos indicadores operacionais e financeiros da empresa para o período 2026-2028, cerca de 30% do investimento será destinado a projetos de baixo carbono, ficando os restantes 70% direcionados para combustíveis fósseis.

Em Portugal, um dos principais projetos em curso é o projeto Alba, no complexo industrial de Sines. O investimento passou de 657 milhões para 820 milhões de euros e prevê a ampliação do complexo petroquímico em cerca de 120 hectares, a construção de duas novas fábricas de polímeros e o aumento da produção anual de 250 mil para 850 mil toneladas. Com 84% da obra concluída, a empresa prevê iniciar a operação das novas unidades no terceiro trimestre de 2026.

No âmbito da transição energética, a Repsol investirá ainda 15 milhões de euros em hidrogénio verde em Portugal, com capacidade de 4 megawatts (MW) de eletrólise e produção anual estimada de 600 toneladas. Está também prevista a instalação de 6,5 MW de produção fotovoltaica para autoconsumo, que deverá crescer para 21 MW em 2027 e atingir 62 MW no futuro.

No negócio de exploração e produção petrolífera (upstream), a empresa reduziu a presença geográfica de 18 para 10 países, concentrando a atividade em regiões consideradas mais competitivas. Entre 2026 e 2028, os investimentos líquidos nesta área deverão situar-se entre 2,6 e 3 mil milhões de euros, sendo cerca de 80% destinados aos Estados Unidos.

Um dos principais projetos é Pikka, no Alasca, cuja primeira fase deverá entrar em operação nos próximos meses. Em 2028, estima-se que este projeto contribua com 30 a 35 mil barris de petróleo por dia para a produção líquida da empresa.

Além dos Estados Unidos, a Repsol mantém projetos no Reino Unido, através de uma joint venture com a NEO Energy e a TotalEnergies UK no Mar do Norte, e no Brasil, com o projeto Raia, na bacia de Campos, que deverá entrar em operação em 2028.

Segundo a empresa, a produção líquida deverá atingir entre 580 mil e 600 mil barris de petróleo por dia em 2028, um aumento entre 6% e 10% face a 2025, sendo que cerca de 40% dessa produção virá dos Estados Unidos.

Na área industrial, a Repsol prevê investir entre 3,9 e 4,1 mil milhões de euros até 2028 nas suas unidades de refinação em Espanha, Portugal e Peru, dos quais 40% serão aplicados em iniciativas de baixas emissões, como combustíveis renováveis e hidrogénio.

A empresa pretende aumentar a produção de combustíveis renováveis para 1,5 milhões de toneladas por ano até 2028. Entre os projetos em curso está a fábrica de combustíveis renováveis de Puertollano, com início de operações previsto para 2026, bem como uma unidade de combustíveis sintéticos em Bilbau, que deverá entrar em funcionamento em 2027.

Em Tarragona, a Repsol prevê investir mais de 800 milhões de euros num projeto que permitirá transformar resíduos urbanos em 240 mil toneladas de metanol renovável por ano a partir de 2029.

No segmento de hidrogénio verde, a empresa pretende atingir uma capacidade equivalente a 300 MW até 2028, incluindo eletrolisadores de grande escala em Cartagena, Bilbau e Tarragona.

No negócio comercial, a Repsol conta atualmente com 24 milhões de clientes em Espanha e Portugal e prevê investir entre 1,4 e 1,6 mil milhões de euros até 2028. A empresa opera mais de 3.800 estações de serviço nos dois países e pretende ultrapassar quatro milhões de clientes no mercado de gás e energia na Península Ibérica até ao final do período.

No segmento de energias renováveis, onde entrou em 2018, a empresa já conta com 6.000 MW de capacidade instalada em energia solar e eólica, sobretudo em Espanha e nos Estados Unidos. Até 2028, o objetivo é alcançar até 9.000 MW em operação, com investimentos entre 500 milhões e 1.000 milhões de euros.