Ruturas de stock preocupam setor

Um dos receios que se verifica hoje nem é tanto o preço das peças, mas sim mesmo a existência em stock das próprias peças, o que nem sempre é possível. As falhas de stock são uma realidade que está a afetar bastante o setor e esperemos que a médio prazo se normalizem.
Os efeitos são negativos porque a falhas de stock acabam por ser frustrantes para o distribuidor e para os seus clientes. Este fenómeno, sem precedentes nesta dimensão, é resultado de muitas variáveis que vão desde a disponibilidade de matéria prima para produção até ao transporte dos produtos ao distribuidor não sendo de negligenciar também do ponto de vista monetário, o aumento de custos de todos os elementos mencionados.
As falhas de stock são um problema atual, que afeta a generalidade das marcas e prejudica muito o dia‑a‑dia dos distribuidores, que se veem a braços com um esforço extra para manter o nível de serviço, prejudicando muitas vezes a margem. A forma encontrada de mitigar os efeitos das falhas tem sido aumentar a profundidade e largura do stock reforçando também os itens de maior criticidade. Como tem sido anunciado pelos próprios fabricantes de peças, é previsível que as dificuldades sem prolonguem até ao final de 2022 e nenhum operador do pós‑venda consegue estar preparado para isso.
Os construtores de automóveis dependem de centenas de chips para incorporar num único veículo e muitos tiveram já de parar a produção, porque não recebem dos fabricantes de peças estes componentes. É estimado que estas paragens acumulem um custo global à indústria automóvel superior a 400 mil milhões de euros em perda de vendas. As implicações disso no pós‑venda vão bem além da indisponibilidade atual de algumas peças, pois têm impacto no parque automóvel em si. Vemos já hoje um aumento significativo das vendas dos veículos usados, por exemplo.
A adequação da distribuição de peças a um parque de evolução assíncrona é muito complicada. Terá tendência para obrigar os fabricantes a adequar a sua produção à necessidade do mercado mas o que não ajuda o aftermarket é o foco dos fabricantes no fornecimento ao primeiro equipamento, ficando sempre o pós‑venda para depois… Essa dificuldade é um facto e tem sido um fator mais complicado de eliminar no que toca à normalização da atividade comercial por parte de todos os players. A escassez de semicondutores e o encarecimento das matérias‑primas é algo que parece ter vindo para ficar e cabe às empresas dar a volta a essa situação.




